Apresentação

“Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as novente e nove, e não vai, após a perdida, até que venha achá-la? E achando-a a põe sobre seus ombros, ditoso: e chegando em casa convoca os amigos, e vizinhos, dizendo-lhes, alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que assim, haverá alegria no céu por um pecador que se arrependa, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” Lucas 15. 4-7

A filosofia de Platão (427 a.C. a 347 a.C.), em sua famosa academia de Atenas, reverenciou a razão acima da percepção sensorial. Seu aluno, Aristóteles, (348 a.C -322 a.C.), professor do Rei Alexandre da Macedônia, fundou em 335 a.C. seu Liceu dedicado a Apolo, o Deus da curas, da luz, da música e da verdade. Desejava com isto superar o mestre, pois a Academia era dedicada à Atena, deusa da sabedoria. O esforço Aristotélico foi transferir, dos deuses para o homem, o conhecimento científico, criando, então, a racionalidade ocidental, que se opõe ao que hoje poderíamos chamar de neo-platonismo. Na pósmodernidade não mais se aceita a figura de uma esfera externa, morada do Demiurgo, o que move sem ser movido. Vemos hoje algo impressionante, o universo em expansão em movimento contínuo, caótico, indeterminado. Por séculos o homem optou entre fenômeno e nomenon. É chegada a hora do entendimento em contexto, na multidisciplinariedade, e no fluxo interminável das conversações humanas do fazer científico, artístico, técnico, neural e pós-neural. Já não existe mais espaço para as academias e liceus tradicionais ou convencionais. O conhecimento tornou-se fluxo reflexivo, ressoando por toda a terra, e mesmo para além dela. Nossa ovelha perdida é o que nos falta, ou seja, reencontrar o humanismo no capitalismo e nas organizações. Reencontrar o discurso nacional brasileiro que rompa com a pobreza, a miséria e a violência em nosso meio. Entre nós, 130 mil brasileiros possuem em conjunto fortuna estimada em U$ 573 bilhões de dólares, mais da metade do PIB nacional, apenas 10% dos brasileiros detêm 80% da renda nacional. Nossa ovelha perdida, nossas décadas de atraso revelam que faltam só na engenharia três mil profissionais qualificados, segundo o Crea e o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. A nanotecnologia e a engenharia genética redefinem nossa concepção do que seja a vida. Os astrônomos nos prometem novas terras, planetas habitáveis com água e oxigênio, mais ou menos semelhantes à terra que têm quatro bilhões de anos num universo em expansão há 14 bilhões de anos. Em algum momento, há 6 milhões de anos, nossos ancestrais se separaram dos primatas com quem ainda compartilhamos pelo DNA, violência, altruísmo, tecnologia, conflitos e depressões. Construímos a civilização há 10 mil anos, com linguagens, comunicações simbólicas e capacidade impressionante do uso da razão. No Brasil, país emergente, perdemos investimentos porque não sabemos apresentar projetos; perdemos investimentos porque não temos mão de obra qualificada. Precisamos vivenciar nosso contexto, entender nossa história, compreender quem somos, o que queremos afinal.

Creio que a resposta é a ciência mais ética e mais disponível para aqueles que não possuem recursos próprios da elite intelectual. Quando pensamos em humanismo, pensamos em libertação. Gandhi, Luther King e João XXIII foram exemplos de pobreza: o primeiro abriu mão de tudo o que lhe pertencia, o segundo aceitou sua negritude como privilégio, o terceiro no Concílio Vaticano II representou a primavera para os católicos. John Wesley pregava em média de três sermões por dia; a maior parte ao ar livre com hinos de Carlos Wesley, seu irmão. Os dois irmãos deram à religião novo espírito de alegria e piedade. Wesley andava por toda a parte a cavalo, conquistando o apelido de ‘O Cavaleiro de Deus’. Criou o metodismo.

Nossa Revista, Organizações em Contexto, almeja no mundo acadêmico, em seu espaço regional, conscientizar para a libertação. Quando dizemos, que o homem é sempre fim, e nunca, meio, afirmamos o valor absoluto da ação humana. Ainda, há muitas riquezas e potencialidades que o estudo das ciências sociais aplicadas ao campo da Administração pode trazer aos leitores e estudiosos. Estas páginas visam a oferecer entusiasta e modesta contribuição que promova a ascensão intelectual, carregada de esperança e espiritualidade.

A todos, boa leitura!

Profa. dra. Marly Cavalcanti,

editora deste número