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Dieta rígida e exercícios físicos nem sempre são sinônimos de saúde

por giulia.marini última modificação 18/10/2019 15h32
Ortorexia e vigorexia são transtornos recorrentes de alimentação e atividades físicas excessivas

Publicado em 18/10/2019 15h32

Última atualização em 18/10/2019 15h32

Dieta rígida e exercícios físicos nem sempre são sinônimos de saúde
Um vício por alimentação saudável as vezes pode se tornar um transtorno - Foto:Maristela Caretta/RRO

GIOVANE RODRIGUES
Da Redação*

A busca pelo corpo perfeito é um objetivo de um número crescente de pessoas atualmente. Muitos adotam dietas rigorosas, frequentam academias e praticam uma série de esportes. Alguns métodos utilizados podem trazer problemas para a saúde das pessoas. O uso de anabolizantes e hormônios indevidamente, são os casos mais comuns. No entanto, os malefícios não se limitam somente a agentes externos. Uma alimentação radical sem a consulta de um nutricionista ou a prática excessiva de exercícios físicos também podem trazer problemas para sua saúde e para a mente.

Esse foi um dos temas trabalhados no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, evento que ocorreu no Rio de Janeiro entre 9 e 12 de outubro, e que reúne anualmente os principais nomes da psiquiatria no país e apresenta pesquisas sobre transtornos mentais, como depressão, bipolaridade e TOC. As pesquisas mostradas relatam transtornos mentais derivados de bulimia e anorexia. Um deles é a ortorexia, uma obsessão por uma alimentação saudável e pura, e a vigorexia, um transtorno caracterizado pela insatisfação constante do corpo, levando a um eventual exagero na prática de exercícios.

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A moradora de São Bernardo Maria Liliane Paula, mantém uma dieta rígida e livre de gorduras há seis anos. Ela diz que há alguns anos, essa rigidez já trouxe alguns problemas psicológicos para sua saúde, por conta da vontade excessiva de comer alimentos que não faziam parte de sua dieta. “Esse tipo de coisa deixa a gente deprimido, com a autoestima lá em baixo. Eu não comia arroz integral, doce, gordura. Nem pão eu chegava a comer.” Durante a dieta, Maria Paula fez uma viagem de lazer e, com muito custo, conseguiu manter a dieta rígida, se alimentando pouco e consumindo muita água. “Foram 15 dias assim e, quando eu voltei, estava muito mais magra”, contou. Atualmente, Maria Paula já não abre mão de comer certos alimentos quando tem vontade, porém sempre procura ir na academia o quanto antes para queimar as calorias adicionais.

Maria Paula também afirma que a academia faz parte de sua rotina e que não conseguiria viver sem. “Não conseguiria deixar de ir na academia nunca, e de domingo, corro 12 km na rua”.

Para a psiquiatra Gabriela Galvão o artificialismo das redes sociais pode intensificar esses novos quadros, ambiente em que grande parte do conteúdo mostrado não representa uma realidade geral. “Hoje estamos na era do Instagram, onde tudo é lindo e perfeito, e isso está deixando as pessoas doentes, de certa maneira. As redes sociais acabam exigindo padrões que não existem.”

A médica afirma que a alimentação saudável é importante, porém a ortorexia pode sim trazer problemas nutricionais. “A pessoas adota uma dieta radical, pois abre mão de praticamente tudo, como o óleo, sal, açúcar e gordura boa, e consequentemente desenvolve desnutrição.”. A doutora recomenda que pessoas com problemas recorrentes desses quadros procurem um psiquiatra e tratamento realizado por uma equipe multidisciplinar.

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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