Falta de apoio à comemoração da Consciência Negra decepciona organizadores
Organização rejeita bananas e biscoitos oferecidos pela Craisa (Companhia Regional de Abastecimento de Alimentos de Santo André).
MICHELLE GOMES
A comemoração do feriado da Consciência Negra reuniu cerca de 700 pessoas na Concha Acústica, no centro de Santo André, nesta quinta-feira (20). Entretanto, organizadores criticaram o boicote da prefeitura em relação à divulgação do evento. A Craisa (Companhia Regional de Abastecimento de Alimentos de Santo André) ofereceu bananas e biscoitos para o lanche dos participantes. Evento recusou a oferta por considerá-la imprópria para a data.
Para a advogada Vânia Machado, membro da CAAD (Comissão dos Advogados pela Afrodescendência), a prefeitura deveria colocar no orçamento uma verba destinada a confecção de panfletos, faixas e cartazes para divulgar a Festa da Consciência Negra todos os anos. “Um governo que tem uma secretaria especial sobre a questão da população negra, nós [organizadores] teríamos que ter melhores condições, inclusive financeiramente para realizar algumas ações que promovemos”, disse.
Segundo Petronilha Moura de Souza, membro da Pastoral do Negro da Diocese de Santo André, a organização do evento solicitou aparelhagem de som a prefeitura, lanches e frutas para o evento, mas os pedidos foram negados. A única ajuda do poder público foi a concessão do espaço e a divulgação na agenda cultural da cidade. “Até para conseguir o espaço foi difícil, conseguimos depois de muito ofício e muita luta”, explicou. Para Petronilha, o apoio de alguns vereadores, comerciantes e amigos foi fundamental para a realização da festa.
Apesar das dificuldades, a meta do movimento negro de Santo André para o próximo ano é promover evento da cultural negra uma vez por mês na cidade, com o objetivo de reafirmar a importância da cultural da população negra e revelar talentos da periferia que não são divulgados: “Vai ser uma grande oportunidade deles se apresentarem”, disse a advogada.
Banana e biscoito
Com a falta de apoio da prefeitura para a compra de lanches e frutas para a comemoração do 20 de novembro, a organizadora Petronilha Moura de Souza enviou um ofício à Craisa (Companhia Regional de Abastecimento de Alimentos de Santo André) uma semana antes do evento solicitando frutas.
Segundo a organizadora, a Craisa respondeu na véspera do feriado que poderiam enviar banana e biscoito. “Nós achamos por bem não aceitar a banana e nem o biscoito. Acredito que a banana não seja uma fruta ruim, mas num dia de hoje eu acredito que se a gente distribuísse banana para as pessoas ficaria uma situação muito humilhante. Então mais uma vez o movimento negro sofre com o racismo assim na pela, na cara dura”, disse Petronilha.
A organizadora disse também que a Craisa declarou que não havia realmente outra fruta. “Eu acredito que a banana seria a última fruta que eles deveriam nos oferecer justamente pela conotação pejorativa que a fruta traz aos negros que são chamados por pessoas preconceituosas de macacos”, explicou. “Nós até agradecemos e falamos que eles podiam ficar com as bananas”, finalizou.

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