Relação entre homem e animal traz benefícios
Ter um bicho em casa proporciona um ambiente agradável e pode melhorar a qualidade de vida de ambos.
BRUNA GONÇALVES
“Desde pequena tenho bichos. Hoje não consigo me imaginar sem eles, porque fazem parte da minha família”, afirma a administradora de vendas de São Bernardo, Rosimeire Cantero Torres, 46 anos, que tem 17 animais (5 chinchilas, 4 gatos, 4 pássaros, 3 cachorros e um peixe) em casa.
A psicóloga de Santo André Madalena Cabral Rehder explica que ter um bicho de estimação em casa é benéfico, porque proporciona um ambiente agradável. “A alegria, a descontração das brincadeiras, o sentimento de proteção, como também a percepção de que algo não está bem são alguns dos benefícios.”
Todas essas características estão presentes na casa da funcionária pública de São Paulo, Karina Chamklidjian, 30 anos. A paulista conta que a companhia da cadela Janis é essencial. “O animal faz com que admiremos a inteligência e perfeição da natureza. Só a sua presença reduz desentendimentos, traz alegria, senso de responsabilidade e até consolo em momentos difíceis”, explica.
Ela acredita que Janis corresponde a seu afeto. “Todos os dias quando chego tenho uma recepção festiva, quanto vejo televisão ela deita no meu colo, quando estou andando pela casa ela me segue o tempo todo”, diz Karina, que é conhecida no condomínio onde reside como a “dona da Janis”.
Ela está correta. De acordo com o veterinário da Universidade Metodista de São Paulo Milton Kolber, um animal que recebe carinho do dono, o corresponde à altura. Além disso, essa relação entre homem e animal é extremamente proveitosa para a saúde dos bichinhos. "Sabe-se que a imunidade, ou seja, a capacidade do organismo em defender-se das agressões externas como bactérias e vírus, fica muito mais apurada quando o mesmo é cercado de carinho e de amor. Claro que a medicação e as técnicas de cura são fundamentais, mas a resposta do animal é com certeza é definida pelo ambiente e com as pessoas que o mesmo convive", explica.
Mas a saúde dos donos desses animais também melhora com essa troca afetiva. Karina conta que a dela melhorou. “Minha saúde melhorou muito. Incrivelmente, não só as minhas crises alérgicas escassearam como o meu condicionamento físico, por conta dos passeios com a Janis", ressalta.
Para Rosimeire não é diferente. “Todos os dias que eu chego mesmo que estressada ou cansada ao ver os meus bichos é como se fosse um terapia. Ter um dos meus gatos enroscados no meu pé, um abanar de rabinho ou latidos dos cães não tem preço”, diz.
Apego excessivo - Os especialistas explicam que quando as pessoas tratam os animais como se fosse filhos ou o elo se torna muito forte entre eles deve se tomar certos cuidados. “É preciso fazer a distinção entre as espécies, para que possam aprender a cuidar da forma correta. Senão pode até adoecer um animal, por querer que ele seja uma espécie que é não é”, ressalta a psicóloga.
Além disso, ela explica que o apego excessivo ao animal pode trazer problemas como qualquer outro da vida da pessoa. “Ciúmes, agressão, exagero no cuidado, estresse pelos cuidados excessivos. Se a pessoa age assim, o animal não busca pelas ações livremente e acaba por não desenvolver os hábitos próprios.”
O veterinário complementa que as conseqüências desse apego vão além. “É aquela frase que diz que tudo que é demais não serve. Isto se aplica também ao animal, porque carinho excessivo resulta em mimo e desobediência.”

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