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Diálogos Envolverde: economista Ana Toni fala sobre agenda verde e desigualdade

por sophia.villanueva última modificação 26/08/2020 08h43
Diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS) analisa atuações do Governo na questão socioambiental

Publicado em 18/08/2020 20h18

Última atualização em 26/08/2020 08h43

Diálogos Envolverde: economista Ana Toni fala sobre agenda verde e desigualdade
Ana Toni é integrante da Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade. Fonte: Divulgação/Agência Envolverde

BEATRIZ MIRELLE
Da Redação*

Em uma conversa com a economista Ana Toni, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS), o Diálogos Envolverde da última quinta-feira (13) promoveu a live "A Sociedade Atuante na Defesa Ambiental". A discussão foi acerca da importância do debate democrático sobre mudanças climáticas e os benefícios de uma revolução verde para estruturar o Brasil após a pandemia do novo coronavírus. Com mediação de Dal Marcondes e Reinaldo Canto, da Agência Envolverde, abordou-se os posicionamentos do atual Governo Federal e a relevância da temática socioambiental.

Na opinião de Ana Toni, que também é doutora em Ciências Políticas, as instituições devem seguir com o processo de conscientização sustentável. “Nos últimos 30 anos vivemos um período em que havia o alinhamento entre as políticas da presidência e das organizações sociais. Óbvio que tínhamos críticas, mas existia uma sinergia, íamos para a mesma direção”.

Confira os principais tópicos abordados pela especialista:

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Democratização do conhecimento 

Mesmo com a insatisfação perante as atitudes do Governo Federal, Ana vê com otimismo a ampliação de parceiros em frentes estaduais e municipais. “Essas novas relações estão se consolidando. Assim, independentemente do rumo eleitoral do Brasil, estamos conversando com uma ampla gama de atores”.

Ana aponta que a comunicação é uma ferramenta fundamental para gerar articulações bem estruturadas no campo socioambiental. “Devemos conversar também com aqueles que ainda não foram 'convertidos' a essa causa. Precisamos falar sobre mudanças de hábitos para pessoas de todas as origens”.

Ouça: Confira o primeiro episódio do podcast Momento Envolverde

Desmatamento na Amazônia e exportações 

O relatório da Balança Comercial brasileira publicado pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), na primeira semana de agosto, aponta que as exportações brasileiras estão com saldo positivo. Em um comparativo com o mesmo mês de 2019, houve um aumento de 8,4%. “O governo se sente totalmente empoderado com esses resultados, mas é algo a curto prazo. A Europa colocou a economia verde como base das mudanças do país. Daqui cinco ou 10 anos eles verão os resultados positivos”, indica Ana.

Ela também ressaltou o negacionismo frente à ciência e ao diálogo. “O desprezo quanto ao que está acontecendo na Amazônia não é a melhor maneira de atrair recursos". Para a economista, essa despreocupação em relação ao futuro ambiental do país gera apreensão sobre a condição nacional também entre os investidores. "Temos notado que o grande capital internacional está mais preocupado com as causas climáticas do que antes. Hoje vemos banqueiros e empresas do exterior que se negam a investir no Brasil se não houver uma política ambiental coerente", completa. 

Assista: Mudanças climáticas afetam a flora e a fauna do planeta

O novo normal

Em junho, a ocorrência de casos de violência policial teve um aumento significativo, gerando respostas por parte da sociedade civil. Como forma de protesto, a Coalizão Negra por Direitos publicou o manifesto Com Racismo Não Há Democracia. O documento reforça a necessidade de articulações públicas fortes que mantenham o compromisso no combate ao racismo.

Ao citar esse assunto, Ana Toni destaca que é necessário considerar a desigualdade um pilar durante a discussão socioambiental. "Isso nos faz pensar que nunca tivemos democracia no Brasil porque nunca houve um momento sem injustiças". Ela compreende que a pandemia é o momento ideal para ter um compromisso assertivo em relação a isso. "Não podemos pensar que haverá um novo normal e uma retomada econômica se não lidarmos com a desigualdade." Ana afirma que os mesmos grupos que sempre morreram durante todo a história do Brasil são aqueles que hoje morrem pela Covid-19. "A pergunta é o que finalmente faremos sobre isso. Estamos com uma dívida há muito tempo". 

Assista: Aquecimento Global, uma produção dos alunos de Jornalismo Presencial da Universidade Metodista de São Paulo

Diálogos Envolverde

Para conferir essa entrevista na íntegra, acesse o YouTube ou o Facebook da Agência Envolverde. Nestes canais, eles promovem todas as quintas-feira, às 11h, as lives do programa Diálogos Envolverde, com especialistas nas áreas de sustentabilidade, sociedade e meio ambiente. 

 *Conteúdo multimidiático produzido por estudantes de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, sob a supervisão das professoras Alexandra Gonsalez,Eloiza de Oliveira Frederico e Filomena Salemme.

 

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