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Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, exalta a importância do consumo consciente

por sophia.villanueva última modificação 25/08/2020 17h44
Diálogos de transição, responsabilidade compartilhada e educação do consumidor são ferramentas para melhorar a perspectiva socioambiental

Publicado em 25/08/2020 16h13

Última atualização em 25/08/2020 17h44

Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, exalta a importância do consumo consciente
No site do Akatu são disponibilizadas dicas sobre compra consciente, emissão de carbono e métodos para economia de energia e água. Foto: Divulgação/Agência Envolverde

BEATRIZ MIRELLE
Da Redação*

Para discutir sobre o "Consumo Consciente em Tempo de Pandemia", o Diálogos Envolverde contou com a presença de Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, uma organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente. Na última quinta-feira (20), em conjunto com os jornalistas Dal Marcondes e Reinaldo Canto, Helio, que é engenheiro de produção, falou sobre a necessidade de um diálogo de transição incisivo quando se trata de modelos de produção e consumo.

Ele também destacou a importância da responsabilização compartilhada quanto à questão ambiental. "Buscamos que o consumidor seja protagonista dentro do próprio ambiente econômico e que, por via do ato da compra, do uso e do descarte, tenhamos o melhor impacto possível", aponta Mattar. Confira as principais abordagens do especialista:

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Responsabilidade compartilhada

O Instituto Akatu estabelece que há uma equação para a sustentabilidade. Com isso, de acordo com Mattar, cinco elementos são enumerados como essenciais para a eficácia desse desempenho: mudanças nos processos produtivos, nas políticas públicas, na mentalidade do consumidor, na viabilização dos produtos e serviços e na organização da sociedade. Em todos esses campos, tais modificações devem envolver estilos sustentáveis de vida.

Quando se discute a vida útil de um produto, a indústria não pode ser a única responsável por esse processo. "O consumidor precisa contribuir durante a separação e distribuição adequada de lixo para a coleta seletiva", acredita. Para o presidente do Instituto Akatu, se houvesse esse ensino por meio da educação em escolas, empresas e campanhas públicas, seria possível instigar a população a preocupar-se mais com as questões ambientais. "Em um diálogo de transição seria possível definir o papel de cada ator social". 

Além disso, Mattar destaca atitudes que podem ser transformadoras, ações nas quais pessoas comuns teriam papel fundamental na conscientização de diversos grupos sociais. "Há uma tendência em acreditar que o problema é enorme e que não temos capacidade de resolvê-lo sozinhos, como o uso excessivo de energia elétrica, ou o próprio aquecimento global. Pensam que as multinacionais, ou os governos, são os únicos responsáveis, mas nossas ações podem ser a inspiração para outros". Assim, é possível ser um exemplo passivo, seguindo uma economia sustentável; ou ativo, a partir do momento em que o consumidor passa a se informar sobre os temas ambientais e usa esse conhecimento para converter novos públicos.

Ouça: Confira o podcast Momento Envolverde

Dia de Sobrecarga da Terra

Essa data é o momento em que o planeta esgota todos os recursos e serviços naturais disponíveis para o ano. O cálculo é realizado pela Global Footprint Network, uma organização sem fins lucrativos que pesquisa sobre os limites ecológicos e os processos de sustentabilidade. Em 2020, o período estipulado foi até o último sábado (22). Sendo assim, a partir desse dia, os recursos naturais consumidos serão maiores do que a Terra conseguirá repor. 

Este ano, a pandemia global de coronavírus acabou atrasando o relógio em 16 dias. "Com a brusca redução da atividade econômica, tivemos uma queda na geração de carbono por conta da diminuição do transporte de matérias primas, produtos e do deslocamento das pessoas. Ganhamos alguns dias, mas a um preço social e econômico muito alto". Mattar indica que um ganho gradual e seguro de tempo só será alcançado com a utilização de mecanismos financeiros e tecnológicos direcionados à redução de emissão dos gases poluentes.

Assista: Reportagem especial sobre desperdício de alimentos 

Plástico: vilão ou aliado?

Quando se trata de sustentabilidade, o plástico torna-se uma grande dúvida. Criado artificialmente, esse produto é leve, moldável, barato e higiênico. "Vários desses atributos são considerados sustentáveis, mas o plástico é visto como um vilão pela forma irresponsável como vem sendo descartado", destaca. A maior prova disso é o descarte nos oceanos, que acumulam uma quantidade de material capaz de formar ilhas. "Por não ser um produto natural, o meio ambiente não sabe o que fazer com ele", completa. Mesmo a durabilidade do plástico sendo um aspecto positivo, sua decomposição demora cerca de 400 anos - isso é um problema, caso não seja eliminado adequadamente.

Ainda assim, o presidente do Akatu considera injusta a eliminação total das sacolas plásticas nos supermercados, por exemplo. Para ele, as mudanças devem acontecer tanto no modelo de produção, quanto no de consumo. "As empresas devem criar maneiras de torná-las reutilizáveis, assim como é a função do consumidor repensar o uso excessivo das sacolas dentro do ambiente doméstico". 

Assista: Áudio Slideshow - Desperdício de alimentos 

Diálogos Envolverde

Na live, Mattar também destacou a importância no cuidado dos biomas e ecossistema para evitar a disseminação de novos vírus por conta do desmatamento na Amazônia. Para acompanhar essa conversa na íntegra, basta acessar o Facebook ou o YouTube da Agência Envolverde. Nesses canais, é possível conferir outras entrevistas já realizadas. O programa Diálogos Envolverde acontece toda quinta-feira, às 11h.

Nessa sexta-feira (28), em uma live extra às 17h, a conversa será com a jornalista Cilene Victor, professora da Universidade Metodista de São Paulo, sobre educação midiática.

 *Conteúdo multimidiático produzido por estudantes de Jornalismo Presencial da Universidade Metodista de São Paulo, sob a supervisão das professoras Alexandra Gonsalez, Eloiza de Oliveira Frederico, Filomena Salemme e Wesley Elago.

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