Atleta de São Bernardo atravessa 250 km em Gobbi na China
Ultramaratonista Carlos Dias é único representante brasileiro na prova.
LILIAN MILENA
O ultramaratonista Carlos Dias enfrenta, desde o dia 8 de junho, a travessia do Deserto de Gobbi, na China. Serão 250 km cruzando o deserto mais úmido do mundo onde durante o dia a temperatura média chega a atingir 32 graus e de noite menos 24 graus. Na prova, 29 paÃses serão representados e Carlos será o único brasileiro na ultramaratona. A chegada está prevista para o dia 14 de junho.
A travessia do Deserto de Gobbi é dividida em seis etapas em sete dias. E cada atleta deverá levar apenas uma mochila carregando a água, a comida, os equipamentos e as roupas que irá precisar em todo percurso. “O maior objetivo é completar essa prova que é extremamente difÃcil, mas isso dependerá da estratégia que eu souber montar enquanto estiver na corridaâ€, explicou.
O atleta - Carlos Dias, 35, nascido em São Bernardo, não pensava em ser corredor profissional quando criança, mas o esporte sempre teve papel importante na sua vida.
“Quando era criança joguei futebol, depois vôlei, fui ciclista e cheguei até a ser pára-quedista. Sempre tive como filosofia, além de estudar e trabalhar, praticar alguma outra coisa que eu gostasse, que é o esporteâ€, disse.
Hoje Carlos Dias divide a vida de atleta com a profissão de coordenador de treinamento em uma empresa de recursos humanos. Ele contou que o emprego veio como prêmio após o desafio de atravessar o paÃs do Oiapoque ao ChuÃ.
“Logo depois da prova, fui convidado pela empresa para dar uma palestra aos funcionários. Na época, havia dado uma entrevista dizendo que agradecia o reconhecimento pelo esforço do desafio, mas que o maior prêmio seria um emprego. Quando terminei a palestra os donos do grupo me convidaram para trabalharâ€, disse.
Há 15 anos, quando decidiu se dedicar a corrida, Carlos Dias trabalhava durante o dia e cursava administração de empresas à noite. Por isso, o único momento para treinar era no caminho que fazia de casa para o trabalho. Por 6 anos, o treino foi correr do bairro Taboão, onde ainda mora, até o centro de São Bernardo. “Eram 18 quilômetros todos os dias. Colocava minha mochila nas costas e ia para o emprego. Quando chegava lá, tomava um banho e começava a trabalharâ€, contou.
A primeira corrida que fez, aos 20 anos, foi uma prova de 10 km na Vila Prudente, em São Paulo. Desde então, o atleta chegou a participar de 64 maratonas antes de se inscrever na primeira grande prova da sua carreira: a Comrades Marathon, na Ãfrica do Sul, considerada a principal ultramaratona do mundo pelo grau de dificuldade do percurso entre duas cidades.Â
Provas - “Todas as provas para mim foram marcantes. Mas a que fiz na Ãfrica do Sul é inesquecÃvel porque antes não tinha noção do que era uma prova aberta em outro paÃs. Outra coisa que me marcou muito foi o fato de o presidente Nelson Mandela ter colocado a medalha no meu pescoço no final da provaâ€, contou.
Além da Comrades Marathon, Carlos Dias disse que atravessar o paÃs do Oiapoque ao Chuà foi outro desafio importante. Além de realizar o sonho de “conhecer o Brasil com as próprias pernas e ter contato com as várias realidades do paÃsâ€, o perÃodo marcou o ano em que o filho VinÃcius nasceu.
De 1998 a 2008, Carlos realizou 16 grandes corridas (entre maratonas e ultramaratonas). Sua melhor colocação, entre as ultramaratonas foi na primeira edição da Jungle Marathon, realizada em seis dias na selva amazônica em 2003, quando chegou em 7º lugar.

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