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Jornalista Dimas Marques ressalta consequências da impunidade no tráfico de animais silvestres

por sophia.villanueva última modificação 03/09/2020 19h34
Idealizador do portal Fauna News busca conscientizar a população sobre essa prática criminosa no Brasil

Publicado em 01/09/2020 17h57

Última atualização em 03/09/2020 19h34

Jornalista Dimas Marques ressalta consequências da impunidade no tráfico de animais silvestres
Dimas Marques também é colaborador voluntário da ONG Profauna - Proteção à Fauna e Monitoramento Ambiental. Foto: Agência Envolverde/Metodista

BEATRIZ MIRELLE
Da Redação*

Na live "Tráfico de animais: crime e impunidade", do programa Diálogos Envolverde, transmitido na última quinta-feira (27), o jornalista Dimas Marques, editor-chefe do portal Fauna News, comenta sobre o papel da imprensa ao trabalhar pautas que abordam o tráfico de espécies exóticas e os resultados desse crime para os ecossistemas. A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Maristela Crispim, idealizadora da Agência Eco Nordeste, e Reinaldo Canto, diretor de projetos especiais da Agência Envolverde. 

O Fauna News é um portal que, além de servir como um noticiário, tem o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a proximidade dos humanos com a fauna. "Temos a ambição de ser um grande portal com todos os assuntos relacionados à vida silvestre. Se nós circularmos pelas ruas, veremos papagaio no poleiro, passarinho na gaiola, até pequenos primatas dentro das casas. Desejamos quebrar esse raciocínio da distância". Ele declara que há uma normalização da criação desses animais dentro das residências, ocorrendo uma permissividade nessa cultura. Confira alguns dos tópicos destacados pelo especialista:

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Impunidade como incentivo 

Marques expõe que a maior parte das apreensões de tráfico de animais envolvem aves, especialmente passarinhos (passeriformes), araras e papagaios (psitacídeos). Depois, os pequenos primatas e mamíferos, como os saguis; e os répteis. A punição para o crime de tráfico de animais, com base no artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais, prevê detenção de seis meses a um ano. Para Marques, a pena prevista faz com que essas atividades tenham menor potencial ofensivo. "A impunidade é um agravante dentro do comportamento da sociedade. A legislação não é simplesmente para punir o infrator, mas precisa ter um caráter educacional para a população".

Além disso, apesar da vantagem em ter uma legislação ambiental específica, ele destaca a imagem negativa que o Estado passa quando a imprensa noticia casos de isenção no cumprimento da lei, com traficantes reincidentes. "Temos que fazer certos ajustes para que essas penas tenham caráter punitivo em conjunto com a educação. O traficante profissional tem que ficar preso. Isso é diferente de apreender um papagaio dentro da casa de uma família", informa.

Ouça: Confira o podcast Momento Envolverde

Tráfico de animais exóticos

Em Brasília, o traficante de cobras e estudante de medicina veterinária, Pedro Henrique Krambeck, 22, foi picado, em junho desse ano, por uma serpente naja kaouthia, comumente encontrada no continente asiático. "Essa situação trouxe um ar policialesco por causa da trama envolvendo um estudante de veterinária, por isso ganhou notoriedade. Mesmo assim, esse tipo de ocorrência não é algo exclusivo, nem recente", reflete. Com o caso, inúmeras discussões sobre o tráfico de animais vieram à tona. Além do crime, o problema em relação à compra de bichos exóticos é que, após a captura pelos órgãos competentes, o animal não pode ser solto em terras brasileiras.  

Marques também comentou uma apreensão ocorrida em 2019, quando 160 canários peruanos entraram pela fronteira do Mato Grosso do Sul, rota do tráfico de aves, para abastecer alguns estados do Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Os pássaros seriam destinados para a participação de rinhas, não puderam ser soltos e foram sacrificados em decorrência do risco sanitário. "A permanência de animais exóticos em território nacional pode colocar em risco os nativos, tanto por conta da competição entre espécies, quanto pelo hibridismo", explica o jornalista.

Um exemplo do hibridismo é a junção de javalis, que são encontrados majoritariamente na Europa, mas invadiram o território brasileiro por volta de década de 1990, com os porcos domésticos, dando origem aos javaporcos. A introdução ilegal dessa espécie causa destruição de terras agrícolas e por isso os animais são submetidos ao controle populacional. 

Assista: Reportagem - Tráfico de animais

Problemas ambientais e de saúde 

De acordo com Marques, as pessoas estão cientes que traficar animais silvestres é ilegal, cruel e que o crime fica impune, entretanto, elas não sabem as consequências desses atos para o planeta e para a população. "Muitos não têm a informação de que a retirada constante desses animais dos seus habitats vai piorar a crise hídrica e afeta até as mudanças climáticas, porque para termos água é preciso ter floresta e ela não é composta apenas por plantas".

Há também a questão da disseminação de doenças infecciosas transmitidas por animais. "Estamos entrando em plena temporada de chegada de papagaios do Cerrado para a região metropolitana de São Paulo. A população compra e leva para dentro de casa". O jornalista explica que existe um risco de contrair psitacose, uma doença pulmonar que, se não for bem diagnosticada, pode ser fatal para os humanos.

Diálogos Envolverde

Para entender mais sobre a importância da preservação ambiental, as lives do Diálogos Envolverde proporcionam entrevistas semanais com especialistas da área. Os encontros acontecem toda quinta-feira, às 11h, pelo canal do YouTube ou Facebook da Agência Envolverde. 

 *Conteúdo multimidiático produzido por estudantes de Jornalismo Presencial da Universidade Metodista de São Paulo, sob a supervisão dos professores Alexandra Gonsalez, Eloiza de Oliveira Frederico, Filomena Salemme e Wesley Elago.

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