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Jornalista Issaaf Karhawi fala sobre o papel democrático das redes sociais digitais

por sophia.villanueva última modificação 10/03/2021 15h52
Para a pesquisadora da ECA-USP, as plataformas online permitem a disseminação de conteúdos e intensificam as bolhas sociais

Publicado em 10/03/2021 15h33

Última atualização em 10/03/2021 15h52

Jornalista Issaaf Karhawi fala sobre o papel democrático das redes sociais digitais
Especialista em influencia digital analisa desafios do jornalismo tradicional na era tecnológica. Foto: Reprodução/Facebook

BEATRIZ MIRELLE
Da Redação*

O programa Diálogos Envolverde da última quinta-feira (04) contou com a presença da jornalista Issaaf Karhawi, doutora e mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Pesquisadora no COM+ sobre os processos profissionais de influenciadores digitais brasileiros, ela comentou sobre as redes sociais, sua função na disseminação de conteúdos, desinformação e customização de dados. Quem guiou essa conversa foi o diretor executivo Dal Marcondes e a repórter Paolla Yoshie, ambos da Agência Envolverde.

Para a especialista, os meios digitais possibilitaram a democratização da informação se comparados aos modelos de comunicação anteriores. "Tínhamos uma forma hierárquica, com acessos mais restritos dos conteúdos. A partir do momento em que essa nova era surgiu, tivemos mais abertura nos polos de produção e distribuição das notícias”. Por meio dessas dinâmicas, aparece a imagem do influenciador digital que, segunda ela, consegue representar certas discussões e auxiliar no avanço civilizatório. “A grande questão é que, em 2021, vemos muitos que perderam a capacidade de serem, de fato, formadores de opinião. São aqueles que usam esse espaço de visibilidade apenas pela lógica da fama, espetáculo e celebrização”.

Ouça: Podcast - Momento Envolverde 018

Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)

Issaaf comentou que, atualmente, quando se observa as inúmeras plataformas de socialização que existem na internet, há uma preocupação inerente sobre a proteção de dados. Com isso, surge a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), formulada para garantir o direito à liberdade e privacidade dos dados na internet. “A ideia de proteção está muito latente no Brasil agora. Os benefícios da web são diversos, principalmente com a pandemia, os laços entre familiares e amigos foram mantidos por vídeos e mensagens.” Ela aponta que o maior problema é que, por muito tempo, o digital era considerado uma terra sem lei. “Grandes empresas de tecnologia se aproveitaram disso. Não é sobre eles serem vilões, mas eles detêm os dados de milhões de usuários. Isso é valioso e precisa ser guardado com segurança”.

A jornalista afirma que essa defesa cibernética é uma forma de restituir o uso pleno das plataformas, que lucram a partir dessas informações. Nos jornais, por exemplo, os anúncios publicitários geram receita para os veículos. Na internet, o processo é semelhante, porém a publicidade aparece mediante a customização dos conteúdos de interesse do internauta. “Não há, especificamente, o roubo de dados, porque quando ingressamos no site, consentimos com o acesso por meio dos termos de uso. Porém, discutir essa pauta é uma forma de entender melhor como funciona esse modelo de negócio”.

Assista: Reportagem - Proteção de dados e educação midiática

Jornalismo tradicional versus redes sociais

De acordo com a pesquisadora, as mídias digitais mudaram o processo informativo. Anteriormente, a sociabilização era feita por encontros pessoais entre parentes e amigos. Na essência desse mecanismo, as uniões eram formadas pelas afinidades entre cada integrante do grupo. Com o digital, essas bolhas foram potencializadas. "É como se a instituição jornalística fosse intrusa nesse campo. Essa foi uma batalha que o jornalismo precisou enfrentar".

Para se posicionar como um agente influente dentro da nova realidade, a adaptação dos meios tradicionais foi feita através da linguagem com o público. "A disputa de atenção é grande. Foi necessário um remanejamento, principalmente porque as marcas, que antes financiavam os jornais, agora direcionam os investimentos em pessoas físicas (influenciadores)".

A partir dessas segmentações, ela destaca que esse contexto também contribui para a desinformação. "Hoje, é mais fácil as pessoas acreditarem no que sua rede de amizades diz. Por terem laço firmados com esses indivíduos, não checam sobre a veracidade dos fatos". Ela conclui que as relações na internet estão diretamente ligadas com vínculos de confiança e interesses, sendo elementos difíceis de serem transpostos de uma hora para outra.

Diálogos Envolverde

Além disso, Issaaf Karhawi comentou sobre a importância da educação midiática e dos formadores de opinião para a sociedade. Para acompanhar a live na íntegra, basta acessar o Facebook ou YouTube da Agência de Jornalismo Envolverde. Toda quinta-feira, às 11h, nesses canais ocorrem as entrevistas do projeto Diálogos Envolverde. 

*Conteúdo multimidiático produzido por estudantes de Jornalismo Presencial da Universidade Metodista de São Paulo, sob a supervisão das professoras Alexandra Gonsalez, Eloiza de Oliveira Frederico, Filomena Salemme e Wesley Elago.

 

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