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Negros e negras encontram dificuldades para conseguir emprego

por bruno.canevari1 última modificação 10/02/2020 14h53
De acordo com o IBGE, os afrodescendentes também recebem salários menores do que os brancos

Publicado em 10/02/2020 14h53

Última atualização em 10/02/2020 14h53

Negros e negras encontram dificuldades para conseguir emprego
Pessoas na fila de espera no Poupatempo em São Bernardo, na área da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho . Foto: Bruno Canevari/RRO

BRUNO CANEVARI
Da Redação*

O desemprego é um dos principais problemas enfrentados pelos brasileiros nos dias de hoje e isso se agrava ainda mais quando a pessoa é negra. Os negros e pardos têm mais dificuldade de conseguir trabalho e, quando conseguem, recebem menos do que a população branca, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Quando se trata de desemprego, a taxa da população negra é de 14,9%, já a dos brancos, de 9,2%.

Em relação à remuneração, os afrodescendentes têm uma média de R$ 1.608, enquanto os brancos recebem cerca de R$ 2.796, o que só reforça a ideia da desigualdade étnica no mercado de trabalho. No estado de São Paulo, o negro ganha 44% a menos do que o branco.

 Segundo o IBGE, entre 2012 e 2018 os negros estão mais presentes nas atividades agropecuárias (60,8%), na construção (62,6%) e nos serviços domésticos (65,1%), atividades que normalmente pagam menos. E eles ainda são 64% das pessoas desempregadas no país. Já nos setores de administração pública, saúde, educação e serviços sociais, a presença dos brancos se sobressai.

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Para Marco Aurelio Bernardes, economista e mestre em educação da Universidade Metodista de São Paulo, esse problema é um fruto da fraca educação no Brasil. “A qualidade da educação, especialmente nas regiões periféricas, é o principal motivo para essa situação”. Bernardes também acrescenta que essa discrepância é maléfica para a economia brasileira. 

 O mecânico de São Bernardo, Sílvio Teixeira, disse que já sofreu com a falta de educação básica e espera que esse cenário melhore com o tempo. “Estudei em escola pública, não tive a chance de fazer uma faculdade e a escola não tinha estrutura para nos capacitar”. Outro caso é o de Rubens Nogueira, atualmente desempregado, que diz nunca ter sofrido nenhum preconceito racial, mas já presenciou situações em que se sentiu desconfortável. “Quando fui fazer uma entrevista para trabalhar em banco eu era o único negro. Essa é uma cena muito comum. Tudo isso é consequência da falta de oportunidade”.  

 Para acabar com esse problema, o sociólogo Bruno Moraes acredita que o melhor meio é a conscientização, em conjunto com a educação. “Além desses mecanismos de combate, deve-se entender e conhecer a história dos negros, fazer com que as pessoas entendam o processo histórico que trouxe o negro a essa situação de exclusão”. 

*Esta reportagem foi produzida por estagiários do Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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