Você está aqui: Página Inicial / Notícias / 2015 / 08 / Boletim Econômico prevê queda na economia do ABC até 2016

Boletim Econômico prevê queda na economia do ABC até 2016

por laura.reif — última modificação 02/09/2015 07h37
Análise do cenário da região foi feita durante o seminário sobre o 9° Boletim EconomiABC

Publicado em 31/08/2015 15h20

Última atualização em 02/09/2015 07h37

Boletim Econômico prevê queda na economia do ABC até 2016
O docente Sandro Maskio analisou os dados da pesquisa e aposta em período de estagnação econômica no ABC - Foto: Lucas Laranjeira/RRO

LAURA REIF
Da Redação*

O 9° Boletim EconomiABC aponta que, no segundo semestre deste ano, a economia da região seguirá em queda. O levantamento, realizado na última semana de agosto pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo mostra também que essa situação deve se estender até 2016. A volta do crescimento econômico só deve ocorrer a partir de 2017, de acordo com os dados.

Isso se observa em relação às altas taxas de desemprego, cerca de 13 % na região, redução da massa salarial e a cesta básica com sua maior alta da história, custando, em média R$ 490. A taxa de inflação na região metropolitana de São Paulo é de 7,10% até julho de 2015.

Para o professor de economia da universidade, Sandro Maskio, a partir do ano que vem a situação econômica da região se manterá estável, porém ainda sem crescimento. Segundo ele, essa análise é uma visão relativamente positiva, considerando que o Brasil vive uma recessão. Um país é considerado em recessão quando a economia se mantém em queda por dois trimestres consecutivos.

De acordo com Maskio esse cenário é temporário, mas não será superado tão rapidamente. Para ele, a atual política monetária tem como objetivo trazer esse nível de inflação para baixo. “Claro que o governo espera, com muito esforço, conseguir trazer pelo menos em 2016 a inflação mais próxima dos 4,5%”.

O boletim aponta que a elevação das taxas básicas de juros pode não ser suficiente para conter a inflação. O aumento de 11,65% para 14,15% é um fator de risco para as famílias que estão endividadas. De acordo com o Banco Central, em abril de 2015 a média de endividamento das famílias brasileiras era correspondente a 46% de suas rendas anuais.

Para o professor, os endividamentos têm ligação direta com o aumento das operações de crédito que constam no boletim. “As pessoas estão usando mais o cartão de crédito para pagar essas dívidas, mas provavelmente haverá estagnação no uso por conta das altas taxas de juros”, explicou.

A crise no setor automotivo também foi relatada no boletim econômico. É demonstrado que a política de restrição monetária do governo tem impactado diretamente o ABC por conta do enorme papel que a indústria automotiva tem na economia da região.

Para Maskio, esse tipo de indústria foi favorecido pela desvalorização cambial, o que aumentou as exportações de veículos, especialmente de caminhões, mas mesmo assim continua a cortar empregos.

A possibilidade de demissões gerou greves e manifestações realizadas pelos trabalhadores da indústria no ABC. O corte planejado pela Mercedes-Benz, por exemplo, era de 15% de seus funcionários, mas após greve dos metalúrgicos, a paralisação foi interrompida com a realização de um acordo com a adesão dos funcionários ao
Programa de Proteção ao Emprego. Porém os dez mil trabalhadores terão redução de 20% na jornada de trabalho e redução salarial de 10%.

Para conferir o boletim na íntegra, clique aqui.

Leia mais:
Trabalhadores devem fazer ato na portaria Mercedes nesta quinta

No quinto dia de greve, trabalhadores e Mercedes não chegam a acordo

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

Ações do documento

registrado em: