População espera até 4 horas por ônibus em São Bernardo

Greve dos motoristas de ônibus do ABC causa confusão nesta manhã

Publicado em 01/06/2011 12:45
Última atualização às 13:57

População espera até 4 horas por ônibus em São Bernardo

O montador Grimaldo Francisco aguardou mais de 4 horas pelo ônibus. Foto: Priscila Castilho

Da Redação*

JÉSSICA RODRIGUES 

Consultas médicas desmarcadas, trabalhos atrasados, provas escolares canceladas, ônibus lotados e trânsito. Este é o cenário do ABC nesta manhã do primeiro dia de greve de cerca de 8 mil motoristas e cobradores de ônibus.  A categoria pede reajustes salariais e o movimento divide a opinião das pessoas.

Alguns como o montador Grimaldo Francisco de Assis, dizem ser contra a greve. Quando entrevistado, às 10h, contou que esperava pelo ônibus para trabalhar desde as 6 horas da manhã. “Eles são todos egoístas, não pensam na gente, não deveriam parar tudo. Se ao menos chegamos atrasados no serviço já é alguma coisa. O problema é quando a gente não chega. Mesmo o patrão sabendo que estamos atrasados por causa da greve, ele desconta do nosso pagamento, e o dos grevistas não será descontado.”

Já o pesquisador de mercado Luciano Rodrigues, que mesmo estando de carro se atrasou meia hora, por causa do trânsito, para a consulta médica da esposa grávida de 7 meses, comenta que a greve é um direito dos trabalhadores. “A questão agora é a prefeitura e as empresas analisarem se a greve é abusiva ou não, porque são profissões que afetam a vida de muitas pessoas. Então, há vezes em que o direito de uns acaba se sobrepondo ao da maioria da população. Este que é o grande problema.”

No Hospital Municipal Universitário do Rudge Ramos, segundo a recepcionista Camila de Toledo, cerca de 20 pacientes não apareceram, e muitos chegaram com 1h de atraso ou mais para as consultas. 

A greve afetou também as escolas. A estudante do 2° ano do ensino médio, Paola Cristina Peno, esperava o ônibus para voltar para casa, após ter uma prova cancelada pela ausência de alunos. “Metade da escola faltou, a professora teve que remarcar a prova porque não é justo com os alunos. Na minha sala têm 31 pessoas e vieram 12.”

A mãe da estudante, Sandra Constantino da Silva, reclama do preço da passagem dos ônibus na região (R$ 2,90). “Um dos itens que a gente mais gasta é com a passagem de ônibus, eu acho um verdadeiro abuso.” 

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

 

 

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