Pirataria de livros desafia editoras

Entidade do setor já retirou da internet cerca de 60 mil links não autorizados, que facilitavam a reprodução de publicações
Pirataria de livros desafia editoras

Venda de livros para tablets é uma opção ao combate à pirataria editorial. - Foto: Gabrieli Mello

FLÁVIA PIGOZZI
GABRIELI MELLO
THAÍS CERPA
Especial para o RROnline*

Um levantamento da ABDR (Associação Brasileira de Direitos Reprográficos) mostra que 59.640 links que permitiam o acesso e a impressão de livros na íntegra, sem pagamento ou autorização por parte de editoras ou autores, foram retirados da internet, após a entidade mover ação judicial.

Esse número corresponde ao período de fevereiro de 2008 até o mesmo mês deste ano. O índice revela um dos problemas das novas tecnologias que os produtores de livros enfrentam: a pirataria. A ABDR ainda move 15 processos judiciais contra links piratas.

De acordo com pesquisa feita pela ABDR, em três anos um mesmo livro didático foi baixado 180 mil vezes. A pirataria editorial não preocupa somente a autores, mas também as livrarias, que perdem no número de venda legal de livros, para aqueles gratuitos disponíveis na rede.

Mas alguns proprietários das lojas ainda acreditam que o livro continua sendo um objeto de consumo. “Acredito que para algumas pessoas o suporte físico é algo importante, principalmente para quem gosta de fato de um livro. O leitor não vai deixar de comprar uma obra de seu autor favorito ou de um assunto de interesse”, disse Vânia Lacerda, dona de livraria Nobel, em Santo André.

Esse fato é comprovado pelo aumento de 13% no número de livros vendidos no Brasil, segundo o último estudo feito pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), da USP. Ouça os detalhes na reportagem abaixo.

Entretanto, um dos frequentadores da Nobel, entrevistado pela reportagem, apontou o alto custo de livros como um dos fatores responsáveis pelo aumento na pirataria editorial. “O livro no Brasil é mais caro que em outros países. Para quem não tem condições e precisa de leitura, baixar livros na internet é a solução, apesar de ser ilegal”, disse o estudante de Relações Públicas Eduardo Rodrigues, que tem o hábito de baixar livros on-line.

Outro fator também estimula o aumento na quantidade de livros baixados. Trata-se do peso e tamanho das publicações impressas. “Acredito que ninguém quer carregar mais tantos livros, sem contar que é acessível e sempre tem um computador por perto”, afirmou a professora de geografia Camila Leite, que tomava café na livraria Saraiva.

Tablets - Mas nem toda publicação baixada gratuitamente na internet é ilegal. Existem livros, revista e até catálogos que são oferecidos na rede mundial de computadores gratuitamente.

Isso propiciou o surgimento de uma nova forma de leitura, que são os tablets. São pequenas telas interativas, por meio das quais pode-se ler um livro e até mesmo um jornal.

Para tentar evitar a concorrência com os livros gratuitos disponíveis na internet, algumas redes de livrarias já oferecem aplicativos para compra de livros para tablets com preços mais acessíveis.

Uma das livrarias tradicionais de São Paulo que já comercializam livros por meio de aplicativos é a Cultura. Segundo a assessoria de impressa, o grupo disponibiliza um catálogo com mais de 3,6 milhões de títulos de livros impressos, 200 mil títulos de e-books importados e 3.000 nacionais. 

Segundo estimativa do IDC (International Data Corporation), a venda de tablets deve chegar a 450 mil em 2011 e para 2012 são esperados 1 milhão de equipamentos vendidos no Brasil.

Apesar da facilidade de baixar livros da internet, o espaço físico das livrarias continua sendo a primeira opção do consumidor. Como forma de atrair cada vez mais clientes, o setor está apostando em novos serviços. Mais detalhes você confere na reportagem abaixo.

 

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

 

 

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