São Bernardo tem 60 ONGs que atuam com crianças e adolescentes
Crianças do Núcleo de Apoio ao Pequeno Cidadão praticam atividades de educação artística - Foto: Amanda Sequin
AMANDA SEQUIN
GABRIELA BOVE
RAÍSSA MOKARZEL
Especial para o RROnline*
As ONGs (Organizações Não-Governamentais) chegaram para ficar no Brasil. E uma das áreas onde há forte atuação delas é no trato de crianças e adolescentes. Só em São Bernardo, são 60 instituições inscritas no CMDCA (Conselho Municipal da Criança e do Adolescente).
Mas como se cria uma ONG? Segundo um dos responsáveis pela regional da Abong (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) em São Paulo e pesquisador do Cenpec (Centro de Pesquisas em Educação e Cultura e Ação Comunitária), Alexandre Isaac, fundar uma ONG no Brasil é muito fácil, basta cadastrar um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), assim como se cria uma empresa, e descriminar o tipo de serviço que a instituição oferecerá.
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que de 1999 para 2002 houve um salto no número dessas entidades, passando de 107 mil para 275 mil, o que representou um crescimento de 157%.
De 2002 a 2005, o índice de crescimento foi menor (22,6%), mas, segundo o IBGE, o país já atingiu a marca de 338 mil instituições que atuam nos mais diversos setores da sociedade. Desse total, o Estado de São Paulo responde por 42%, quase 142 mil instituições.
Porém, Isaac explicou que ao se criar uma ONG é importante inscrevê-la em órgãos municipais como o CMAS (Conselho Municipal de Assistência Social), onde há 69 inscritas em São Bernardo, ou no próprio CMDCA (se lidar com jovens), que fornecem recursos financeiros para os cadastrados. “Não é obrigatório estar inscrito. Mas, em quanto mais conselhos a instituição estiver vinculada, há mais possibilidade de receber recursos”, disse.
As ONGs inscritas em São Bernardo recebem cerca de R$ 2,5 milhões por ano, valor repassado pela prefeitura, governo estadual e governo federal. A maior parte vem do governo federal (R$1 milhão) e do Estado (R$ 863 mil). A administração municipal entra com R$ 635 mil.
Uma das entidades conveniadas ao CMAS é a Associação Fraterno, que ajuda famílias e crianças da cidade há 26 anos. Um dos principais trabalhos da instituição é a creche, que atende 70 crianças, em um período de nove horas por dia.
A instituição nasceu da solidariedade de dois jovens, que resolveram arrecadar cestas básicas onde trabalhavam, para presentear famílias carentes no Natal. O trabalho passou a ser mensal e realizado ao lado de uma igreja. Posteriormente, passou a ser feito em uma escola, aos sábados. Foi então que surgiu a vontade de trabalhar na educação de crianças e adolescentes.
Para ajudar com as despesas, visto que o auxílio recebido pela prefeitura não cobre todos os gastos, a Fraterno criou eventos que já são tradicionais no Jardim Cláudia, bairro onde fica a sede da associação.
“Temos a Festa da Macarronada entre março e abril, uma barraca na Quermesse do Rudge Ramos e também um jantar beneficente, que fizemos recentemente em parceria com outra ONG, o Núcleo de Apoio Pequeno Cidadão”, contou a diretora da creche, Eliana Pasqualini, que é voluntária há 23 anos.
Eliana explica que a doação é fundamental para o sustento de uma ONG. “Nós temos parceiros e sócios, que doam produtos e quantias em dinheiro. Mas é bem complicado quando você depende de outras pessoas. Temos parceiros que já são conquistas, outros que precisamos conquistar no dia a dia. É um trabalho realmente de formiguinha.”
Apesar da dificuldade, essas instituições favorecem o desenvolvimento social, pessoal e educacional de muitas crianças e jovens. Ouça abaixo os benefícios para quem frequenta essas ONGs.
Prêmio – Outra ONG da cidade que atua com crianças da Vila Vivaldi é o Núcleo de Apoio ao Pequeno Cidadão, já reconhecido em âmbito nacional. Em 2009, a entidade foi finalista regional do prêmio Itaú-Unicef e recebeu R$ 10 mil. Neste ano, concorre novamente ao prêmio. Assista ao vídeo abaixo.
*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

