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Bancas de "jornais" agora podem diversificar produtos para venda

por joao.souza última modificação 05/12/2016 15h52
Decreto municipal de São Bernardo amplia itens e regulariza comercialização de produtos

Publicado em 16/06/2016 16h06

Última atualização em 05/12/2016 15h52

Bancas de "jornais" agora podem diversificar produtos para venda
Segundo jornaleiros, não é mais comum as pessoas irem até a banca para se informar - Foto: João Souza/RRO

JOÃO SOUZA
Da Redação*

O Decreto Municipal 19647/2016 assinado pelo prefeito Luiz Marinho e pelo ex-secretário de Coordenação Governamental e Serviços Urbanos Tarcisio Secoli, no dia 31 de maio, amplia os itens vendidos em bancas de jornal na cidade de São Bernardo.

Agora, além de livros, revistas e jornais, as bancas também podem vender acessórios para celular, artigos de papelaria de pequeno porte, brinquedos, doces e salgados industrializados, imprimir fotos digitais, fazer cópias de chaves, entre outras coisas.

A prefeitura informou, por meio de nota, que a medida pretende regulamentar as bancas que já vendem estes itens e facilitar o acesso da população a determinados produtos e serviços, além de incrementar os negócios dos comerciantes.

O jornaleiro Luiz Ignácio Martins, 66, que tem a “Banca do Luizão” na avenida Doutor Rudge Ramos desde 1964, comenta que hoje em dia é muito mais difícil vender apenas jornais e revistas, e que não é mais comum as pessoas irem até a banca para se informar por causa da Internet, mas depois da aprovação pretende comercializar outros produtos, mas que isso exige investimento.

Martins completa sua renda com a aposentadoria, pois recebe apenas uma parcela da venda dos jornais e revistas, que é consignada, ou seja, recebe pelo que vende, e diz que a oportunidade de diversificar mais itens pode ajudar seus colegas de profissão. “Tem locais em que os camaradas podem vendar capinha de celular para ganhar mais dinheiro. Das editoras e dos jornais você ganha só 30% das vendas.”

O dono da “Banca Caminho do Mar”, Cícero Nicodenio Araújo de Vasconcelos, 32, acompanhou a assinatura do decreto no Paço Municipal. Ele comenta que as vendas mudaram em apenas um ano e que já viu a fiscalização da prefeitura retirar uma geladeira de uma banca. “Isso ai [a aprovação] foi legal porque, pelo menos, agora você vai vender sem correr aquele risco da fiscalização chegar e tirar. Eu, por trabalhar nessa área, achei uma boa ideia.”

Licença

Vasconcelos também conta que muitos jornaleiros apenas vendem jornais para manter a licença, pois o que mais são vendidos são outros produtos. “No centro de Santo André tem uma banca só de salgadinhos e balas. Então você tem o jornal e revista para manter, porque se não tiver, é claro que os caras vão tirar você.”

Enquanto a reportagem estava com ele, durante 15 minutos, foi comprado um chip de celular e uma embalagem de cigarro. Vasconcelos disse que esses são os produtos mais procurados. “Cigarro e recarga de celular é 3% [de lucro]. Quando uma pessoa vem fazer a recarga, ela compra uma bala e uma coisa chama outra. Se for só livro e revista, esquece.”

Mas a medida não afeta todos os donos de bancas. Manuel Ferreira Lima, 73, que tem a banca no terreno do supermercado Extra na avenida Caminho do Mar desde 82, não sofre influência nas determinações da prefeitura, pois não fica na calçada. “A prefeitura não pode intervir tanto nessa parte porque eu não estou na calçada. Eu não poderia colocar uma geladeira lá fora, se a banca fosse na rua.”

Lima acredita que a medida vai ajudar a manter a funcionalidade das bancas de jornal da cidade. “Muito jornaleiro estava fechando, e se eles não dessem essa opção, iam sobrar poucos. Agora não, porque você coloca para vender coisas paralelas. A gente coloca alguma coisas, por exemplo, doces, chocolate, pilha, CD, óculos, água e refrigerante.” 

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*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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