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Comércio local passa por dificuldades

por lucas.laranjeira última modificação 18/11/2016 09h57
Lojas concorrem com grandes supermercados e varejistas

Publicado em 18/11/2016 09h56

Última atualização em 18/11/2016 09h57

Comércio local passa por dificuldades
Sueli, dona do Mercado Marabá, lida diariamente com o baixo faturamento - Foto: Guilherme Urso/RRJ

Guilherme Urso
Especial para o Rudge Ramos Jornal*

Se não bastasse a presença de grandes redes de supermercados na região, os proprietários de comércio mais caseiro, de pequenas lojas vêm enfrentando um outro adversário bem mais poderoso: a crise econômica. Isso implica comprar menos mercadorias, reduzir estoque e ter mais atenção no negócio.

A dona do Frios e Laticínios Universal, Débora Lopez, 39, conta que nunca enfrentou dificuldades tão grandes. A concorrência de atacadistas e mercados maiores não só interfere na clientela, mas também no caixa. “O preço dos produtos que eles compram são menores por conta da quantidade maior que pegam. Nós pegamos pouca quantidade, pois vamos vender pouco. Sendo assim, nossos descontos com os fornecedores são menores.”

A ausência de estocagem é uma das alternativas que o comerciante Alexander do Santos, 42, adota no Mercado e Quitanda Sandy. Embora seja uma opção, a consequência pode ser o cliente não achar o produto desejado. “Não fazemos estoque, só compramos do fornecedor o que vende.”

Os comerciantes comentam que um dos principais motivos para seus mercados continuarem de pé é a fidelidade dos clientes da região. Mesmo assim, existe a preocupação com o preço. “Os preços dos produtos são fixos. Mas, se eles baixarem, a chance de falir é grande”, disse Débora.

Até o clima justifica a situação do negócio. Sueli Antônio, 42, afirma que, além do faturamento baixo no final do mês e as altas taxas cobradas pela prefeitura, o Mercado Marabá é mais lucrativo no verão. “A seca dificulta muito, pois sempre vendemos boa quantidade de verduras e frutas. Mas neste ano, as coisas não vão bem.”

Inovação

Falta de planejamento prévio, liderança e gestão empresarial são os principais motivos para um comércio falir. Segundo uma pesquisa do Sebrae, 39% dos empreendedores entrevistados não sabiam qual era o capital de giro necessário para abrir o negócio, 61% não procuraram ajuda de pessoas ou instituições e 55% não elaboraram um plano de negócios.

O consultor do Sebrae Leandro Perez afirma que os empresários precisam inovar. “Às vezes, uma simples mudança com a fachada, melhora de iluminação, limpeza, cartazes e produtos, organizados e bem expostos, já são aspectos que fazem os clientes se interessarem pela loja.”

Mas se você pretende ingressar no ramo, o economista David Heidone sugere cautela. “É bom esperar o cenário econômico se estabilizar, pois vivemos uma época de incertezas”, afirmou.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo 

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