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Comércio local preserva a fidelidade dos clientes

por nathalia.souza última modificação 18/11/2016 10h01
Apesar das grandes redes, lojas tradicionais movimentam mercado do bairro

Publicado em 18/11/2016 10h01

Última atualização em 18/11/2016 10h01

Comércio local preserva a fidelidade dos clientes
Milton Gamarra é um dos lojistas que faz história no mercado municipal - Foto: Larissa Ferreira/RRJ

LARISSA FERREIRA
Especial para o Rudge Ramos Jornal*

Ao caminhar pelos corredores do Mercado Municipal de São Bernardo, que existe há mais de 40 anos, é possível encontrar lojistas e comerciantes que, praticamente, nasceram junto com o empreendimento. O carisma dos comerciantes impulsiona as vendas, mas, acima de tudo, sela a amizade com os clientes que se tornam fiéis consumidores.

De trás do caixa de umas das lojas, Marlene Faria, 75, conta como inaugurou o açougue Cadicar. “Eu e meu marido já tínhamos um comércio em Santo André. Mas, quando abriu a licitação para o mercado e a gente ganhou, decidimos vir para cá. Depois de um tempo, meu marido morreu e eu continuei sozinha.”

O açougue, que funciona há 48 anos, hoje é comandado por Faria e seu neto. “Não sei se ele vai continuar. Mas eu gostaria muito”, disse a lojista. Para Marlene, que, além de comerciante, também virou cliente do mercadão, o local se tornou uma instituição no bairro. “O mercado é muito bem visto pela clientela.”

Além do açougue, outro comércio tradicional que compõe os corredores do estabelecimento é a Mercearia Tudo Bom. A quitanda especializada em produtos orientais foi uma das primeiras a se instalar, e está no mercado há mais de 30 anos.

Herança

Hoje, comandado por Lúcia Ishikawa, 62, o estabelecimento passou do pai para a filha, e ainda atende clientes daquela época. “Tem cliente que tem uma rotina. Vem ao mercadão todo dia pela manhã tomar café na lanchonete e passa por aqui.”

De acordo com Antônio Paulo, 62, aposentado e cliente da Tudo Bom, as principais vantagens do mercado são o preço e o atendimento. “O mercado atende todo o pessoal da região. Os lojistas são bem antigos. Tem muita amizade entre os clientes e a gente trata as pessoas pelo nome. É muito caseiro”, completou Souza.

Mais novos

Apesar da forte tradição, as lojas antigas não são as únicas que permeiam os corredores. Há 13 anos Milton Gamarra, 50, inaugurou o Empório Zanatta, uma loja de bebidas e produtos de mercearia. “Eu sempre tive vontade de ter um comércio aqui, desde 1998. Surgiu essa oportunidade e deu certo, então a gente começou. Mas sem essa estrutura, era uma coisa bem pequena.”

Ex-feirante, ele ressaltou a importância da perseverança para se tornar bem-sucedido. Mas, de acordo com Zanatta, há dois pontos específicos para conquistar a clientela. “Um ótimo atendimento, porque todo mundo gosta, e ter preços que sejam acessíveis e dentro da realidade.”
Apesar de ficar bem próximo a mercados como o Extra e o Coop, o mercado municipal parece não perder clientes para a concorrência. Segundo Gamarra, a explicação está nos produtos, pois, de acordo com o comerciante, mesmo os clientes que vão às grandes redes voltam ao mercadão. Além disso, Gamarra ressaltou uma grande diferença entre os comércios. “No mercado grande, o cliente é só mais um. Aqui não. Ele não é um cliente, é um amigo também.”

Rodolfo Alberto, 60, frequenta o mercado municipal há 22 anos e é um dos clientes fieis do Empório Zanatta. De acordo com o aposentado, morar próximo ao mercadão é uma vantagem, pois é possível encontrar uma grande variedade de produtos.

“Às vezes, você vai no mercado grande e só tem aquilo que está na prateleira. Aqui não, se não tem num lugar as pessoas indicam um outro e você encontra. Tem mais variedade”, disse Alberto.

Saudosismo

Não muito longe do mercado municipal está a Comercial Jacquey Ltda, um comércio especializado em doces que está no número 183 da rua Jacquey desde 1983. A loja, até hoje conhecida como Dillis, se tornou um ponto de referência no Rudge Ramos, e o hábito de frequentá-la passou de geração em geração entre os moradores do bairro.

O dono da loja, Kléber Athos, 62, conta que é comum os clientes, principalmente os jovens, pedirem para que a loja seja preservada. “Teve uma menina que veio aqui e ficou meio emocionada. Ela me pediu para nunca mudar a loja porque ela lembrava de uma memória que tinha com o pai, já falecido”, afirmou Athos.

Apesar das paredes revestidas de madeira e do balcão azul antigo, a loja hoje é informatizada e conta com um sistema de caixa moderno, mas não foi sempre assim. Athos lembra que no início não havia códigos de barra, as notas eram feitas à mão e conferidas pelos vendedores.
De acordo com o proprietário, apesar de não oferecer os melhores preços e da forte crise econômica, a fidelidade dos clientes continua. “Hoje há uma fase difícil, mas a clientela não deixa de comprar, só compra menos.” 

Leia Mais: Amizade marca relação entre lojistas e clientes que frequentam o local

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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