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Jovens saem pelas ruas de SBC em busca de histórias reais

por victoria.roman última modificação 16/11/2016 16h23
Alunos do ensino médio criam projeto que relata a vida de pessoas em situação de rua

Publicado em 16/11/2016 16h23

Última atualização em 16/11/2016 16h23

Jovens saem pelas ruas de SBC em busca de histórias reais
Alunos andam por SBC em busca de histórias reais de pessoas em situação de rua. Foto: Victoria Roman/RRO

VICTORIA ROMAN
Da Redação*

O Projeto Humaniza SBC surgiu dentro de um grupo de seis alunos do Ensino Médio que se viram a necessidade de mobilizar-se para promover algum tipo de ajuda à pessoas em situação de rua. A iniciativa teve o suporte de um outro projeto já inserido no Colégio Anchieta, em São Bernardo, desde 2015, chamado Projeto Futuro.

Estes alunos saíram no último dia 3, pelas ruas ao redor da escola em busca de pessoas e suas histórias reais. A ideia era de que, além de distribuir cobertores e produtos de higiene pessoal, como absorventes e sabonetes, seriam ouvidas as histórias de vida daquelas pessoas. No final, os relatos seriam contados na página do Facebook “ABC Invisível”, criada pelos alunos para retratar tudo que foi ouvido durante a caminhada no bairro.

Essa foi a terceira vez que os alunos partiram em missão. Arrecadaram 40 cobertores, lanches e produtos de higiene pessoal por meio de uma campanha feita dentro da escola. As doações vieram de alunos, funcionários e professores. O trajeto se iniciou em frente ao colégio e seguiu pela av. Senador Vergueiro até o Terminal de São Bernardo, passando pela praça Brasitália. Passaram também pelo Centro de Acolhimento de SBC, onde deixaram o restante das doações que não foram entregues na rua. A caminhada durou duas horas e, com entusiasmo, os três meninos andaram por um trecho de aproximadamente 1,2 km.

Os alunos Isabelle de Almeida, 16, Matheus Fleming, 17, e João Pedro Surcalo, 15, são três dos seis participantes do projeto. Foram eles que fizeram a última caminhada e contam que já conheceram aproximadamente 40 pessoas. Afirmam que em todas as vezes que saíram às ruas todos os receberam muito bem.
 

Isabelle fala que a ideia surgiu por conta de uma questão que sempre era debatida dentro do grupo, os jovens sempre sentiram vontade de ajudar pessoas em situação de rua e nunca souberam o que era preciso fazer para isso. “Tivemos a ideia de começar algum projeto que a gente pudesse ajudar de forma direta, não só com uma doação em dinheiro, mas sim de poder ir pra rua mesmo, ver como é a realidade. Ao mesmo tempo que estávamos realizando o nosso sonho de poder ajudar quem estava na rua, também tivemos a chance de poder conhecer quem eram aquelas pessoas, qual a história delas. Todo mundo tem preconceito, supondo que são vagabundos ou bêbados, mas todo mundo tem uma história, às vezes muito bonita por trás”.

A estudante ainda contou que o projeto trouxe coisas boas para os alunos. “Às vezes a gente vive só no nosso mundinho e eu acho que isso tem feito com que todos que estão aqui, abrissem os olhos para as coisas que estão em volta, é muito enriquecedor. Acredito que mais gente podia tentar ver isso, ver as coisas de outra forma e não só com aquele cabresto, tentar descobrir coisas novas e ver como é o mundo que você está de verdade."

A assistente social Sofia Carvalho trabalha no projeto junto com os jovens. Chamam ela de “Arquiteta dos Sonhos” por sempre ajudá-los a realizar os sonhos e projetos que os alunos levam para o Movimento Futuro. Sofia conta que os jovens ficaram inseguros no primeiro momento mas quando chegaram na primeira praça com as doações, todas as pessoas entenderam o que eles realmente estavam fazendo lá e os recepcionaram bem.

A assistente social também conta que a experiência cria uma percepção nos alunos. “Consciência do coletivo, consciência de que eles têm um papel na sociedade, que não são meros atores sociais. Eles têm alguma coisa que pode transformar. Essa inquietação com as pessoas em situação de rua partiu deles, a pergunta é sempre a mesma, se você pudesse fazer algo, o que faria para mudar o mundo? E eles tocaram nessa questão. “

A ideia partiu do grupo que já tinha vontade de fazer algo do gênero, mas os jovens sempre tentam impactar mais pessoas para trazê-las ao projeto. Isabelle conta que muitos gostam da iniciativa mas poucos se prontificam para partir à ação. “A gente acabou impactando várias pessoas mas tem essa dificuldade, às vezes elas têm medo”, falou Isabelle.


*Esta reportagem foi produzida pelos estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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