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Orelhões do Rudge têm pichação, poeira e até adesivo de propaganda

por erika.motoda última modificação 25/05/2016 08h44
É possível encontrar pelo menos 18 cabines pichadas nas principais ruas e avenidas do bairro

Publicado em 29/04/2016 08h44

Última atualização em 25/05/2016 08h44

Orelhões do Rudge têm pichação, poeira e até adesivo de propaganda
Aparelhos situados na rua Rafael Tomé estavam pichados e adesivados - Foto: Érika Motoda/RRJ

Érika Motoda
Do Rudge Ramos Jornal*

Poeira, pichação, adesivo com propaganda e até um visor quebrado. Foi assim que a reportagem encontrou orelhões telefônicos espalhados em São Bernardo, nas avenidas Doutor Rudge Ramos, Senador Vergueiro, Caminho do Mar e Bispo César D’acorso Filho, além das ruas paralelas, Rafael Tomé e Piagentini.

A reportagem percorreu essas vias no dia 14 de abril para checar o estado de conservação de 23 pontos onde estão localizados os telefones do Rudge Ramos. Pelo menos quatro cabines não funcionavam; 18 estavam pichadas e 14 tinham adesivos de “propaganda” de supostas garotas de programa e até de serviço de instalação de faixas.

A cidade possui 3.399 telefones públicos distribuídos por seu território, sendo que 2.233 deles estão instalados em locais acessíveis ao público 24 horas por dia, de acordo com informações disponibilizadas no site da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Os telefones em pior estado de conservação se encontram na avenida Caminho do Mar. O orelhão duplo em frente ao mercado Extra, na altura do número 3.629, e a cabine única próxima à entrada da Praça dos Meninos não funcionam.

Do outro lado da avenida, na altura do número 3.374, há um telefone com o visor quebrado, mas ainda é possível utilizá-lo para fazer chamadas. Na avenida Senador Vergueiro, 4.940, há um orelhão duplo, mas somente um opera normalmente.

A única cabine em que há um adesivo indicando a última data de higienização fica em frente à loja das Casas Bahia, também na Vergueiro, mas as informações, escritas à mão, estão desbotadas. Aparentemente, a inspeção mais recente foi feita no dia 22 de maio de 2013.

Os telefones também são usados como forma de divulgação de serviços. Na avenida Doutor Rudge Ramos, é possível ver, em dois pontos, adesivos com o contato de um profissional que trabalha com faixas para comunicação. Mas são supostas propagandas de prostituição que predominam nos orelhões do bairro, com anúncios fixados em 14 locais visitados.

A reportagem entrou em contato com a Vivo, para que a empresa comentasse a situação encontrada nos orelhões. Ligou para assessoria de imprensa, que pediu um e-mail com as perguntas. Mas, até o fechamento deste texto, não houve retorno da empresa de telefonia.


Ainda usam?

Apesar do avanço da telefonia móvel, há usuários que ainda utilizam os orelhões para fazer chamadas. A atendente da Banca Lima e Chaves, no Rudge Ramos, Fernanda Françoaes, além de comercializar os cartões telefônicos, também disse ser usuária do sistema.

Ela afirmou que deixa um cartão na bolsa para usar em casos de emergências, como a perda ou roubo do seu aparelho celular, por exemplo. “O telefone da minha casa não recebe ligações a cobrar. Eu sempre falo para minha filha carregar um [cartão] também.”

Sobre comercialização, Fernanda contou que seus clientes compram cartões, inclusive para ligações internacionais. Segundo ela, cartões de 20 unidades são mais vendidos, pois são mais baratos. O perfil de compradores é de idosos.

Já os cartões para ligações internacionais são vendidos aos trabalhadores estrangeiros e alunos de intercâmbio da Universidade Metodista. A procura aumenta em datas comemorativas, como o Dia das Mães.

A cuidadora Maria Cristina Drska, que mora no Rudge, é uma das clientes de Fernanda. Ela compra mensalmente dois cartões de 20 unidades. Atualmente, ela cuida do tio idoso e, quando precisa sair sem ele, usa o cartão para ligar em casa e saber como ele está.

“Às vezes, esqueço o celular em casa ou deixo de colocar crédito”, contou. “Uso mais [o celular] para falar com meus filhos, que estão em
Itanhaém”, disse Maria Cristina, que vê mais vantagens no plano da linha móvel do que no número fixo. 

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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