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Passageiros reclamam de ônibus sem cobrador

por thais.silva — última modificação 10/11/2016 09h31
Linha 14 da SBC Trans tem atrasado 20 minutos para passar nos pontos

Publicado em 10/11/2016 08h38

Última atualização em 10/11/2016 09h31

Passageiros reclamam de ônibus sem cobrador
Sem cobrador, passageiros pagam tarifa ao motorista. Foto: Thaís Souza/RRO

THAÍS SOUZA
Da Redação*

Quem levanta cedo para trabalhar, além dos ônibus lotados, precisa enfrentar mais um desafio. No final do mês de outubro, a SBC Trans demitiu 40 cobradores. Em algumas linhas, o motorista passou a exercer duas funções: dirigir e cobrar as passagens de quem paga em dinheiro. Por conta dessa dupla função, os passageiros alegam que o percurso ficou mais demorado, reclamam de atraso e do aumento do risco de acidentes.

Passageiros da linha 14 (Orquídeas – Rudge Ramos), uma das linhas afetadas desde a dispensa dos cobradores, perceberam que os ônibus estão demorando para passar no ponto. “Pegava todo dia na Área Verde [Praça Giovanni Breda], às 5h50. Agora, ele está passando às 6h10”, disse o marceneiro Fabricio Nunes. “O problema é que preciso pegar outro depois e, por causa dessa demora, acabo me atrasando e perdendo o segundo [ônibus].”

O marceneiro ainda conta que a linha 16 (Alvarenga – Rudge Ramos) continua com os cobradores e que faz praticamente o mesmo trajeto que a linha 14. Antes, as duas linhas chegavam aos pontos praticamente ao mesmo tempo, mas depois das demissões, justamente a linha que opera sem cobrador passou a atrasar.

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Além da demora, outra reclamação é o risco de acidentes. A personal trainer Gabriela Fernandes, que também utiliza essa linha, disse que os motoristas às vezes cobram a passagem enquanto dirigem para tentar agilizar a viagem. “É complicado para os motoristas, até entendo. Uma vez fiquei sabendo de um motorista que atropelou uma moça porque ele estava fazendo as duas coisas ao mesmo tempo. Ele ficou em depressão e foi afastado do trabalho.”

Micro-ônibus

A empresa também conta com micro-ônibus na frota. Em todos eles, por falta de espaço dentro do veículo, os motoristas exercem a função de motorista e cobrador.

O comerciante Antônio Bezerra pega todos os dias a linha 7N (Nazaré – Paço) e já reclamou por meio do telefone 0800, do atendimento ao consumidor da empresa de ônibus da cidade, sobre a dupla função dos motoristas e como isso afeta os passageiros. “Depois da reclamação, às vezes eles colocam um veículo maior com cobrador. Mas como algumas ruas da vila são estreitas, o micro trafega melhor.”

Um motorista dessas linhas, que opera com ônibus de porte pequeno, disse que, mesmo exercendo duas funções, ele recebe o salário pelo trabalho de apenas uma. “A gente não pode ficar parado no ponto contando moedas. Tenho que levar os passageiros para o local de trabalho deles sem atraso”, disse o funcionário que pediu para não ser identificado.

O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) prevê no inciso V do artigo 252 que dirigir com apenas uma das mãos, exceto quando for mudar a marcha do veículo, ou acionar equipamentos e acessórios do veículo resulta em infração média.  

A reportagem enviou e-mail para a SBC Trans, empresa que administra o transporte municipal de São Bernardo, em 25 de outubro, para que comentasse o assunto. Depois, fez contato telefônico com a assessoria. Em seguinda, enviou outro e-mail no dia 3 de novembro. Até a publicação desta reportagem, a SBC Trans não respondeu sobre a situação.

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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