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Prefeitura fecha comércios de construção no pós-balsa e gera protestos de moradores do Riacho Grande

por thalita.ribeiro última modificação 12/09/2017 17h52
Restrição de acesso de caminhões já prejudica o abastecimento de outros produtos básicos

Publicado em 12/09/2017 17h52

Última atualização em 12/09/2017 17h52

Prefeitura fecha comércios de construção no pós-balsa e gera protestos de moradores do Riacho Grande
Vereadores receberam 13 moradores da região do pós-balsa, no Plenarinho, na última quarta-feira (6) - Foto: Luis Henrique Leite/RRO

THALITA RIBEIRO
Da Redação*

Quem mora na região do pós-balsa, no Riacho Grande, em São Bernardo, e precisa comprar itens básico para manutenção de uma casa, como resistência elétrica e parafusos, encontra dificuldade. Isso porque a prefeitura lacrou os quatro depósitos de material de construção existentes no local no último dia 28 de agosto. O motivo é que os estabelecimentos não possuem alvará de funcionamento. A área do pós-balsa é considerada de manancial e, de acordo com as leis municipais e estaduais 5.716/2007 e 13.579/2009, respectivamente, a construção, em geral, é irregular. A situação tem incomodado os moradores do local, que chegaram a ocupar o plenário da Câmara Municipal na semana passa para protestar conta a medida do Executivo.

A dona de casa Elaine Cristina Alves, 33, disse que itens básicos de manutenção doméstica não estão sendo encontrados. “Agora, até para comprar um parafuso é necessário atravessar a balsa”, contou ela, que acredita que a medida adotada pela prefeitura seja uma tentativa de diminuir as construções irregulares.

José Carlos Muniz, 44, trabalha em um posto de combustível e reconhece que o pós-balsa é uma área irregular. Porém, não acredita que a solução seja fechar comércios. “Eu moro há 40 anos aqui e tem depósito de construção que estava aqui há mais de 30. A população cresceu, como vamos ficar sem mercadoria?”

Segundo moradores, caminhões com outros produtos foram impedidos de subir na balsa. O acesso pela rodovia dos Imigrantes, na altura do km 37, também está limitado. Apenas carros e veículos pequenos conseguem passar pela via. A tentativa foi de impedir que materiais de construção viessem de outras localidades para a região do pós-balsa.

Por conta disso, comércios de alimentos ficaram sem mercadoria. Foi o caso do açougue do Eduardo Teixeira Louzano, 35. Ele é morador do pós balsa e, além de não conseguir encontrar uma resistência de chuveiro para comprar, chegou a ficar sem produtos no comércio. “O caminhão do frigorífico que abastece o meu açougue não conseguiu atravessar a balsa. Isso me prejudicou”, comentou Louzano.

O comerciante também disse que a restrição no km 37 da rodovia dos Imigrantes não permite que o fornecedor tenha acesso ao pós-balsa. “Tem umas muretas lá e só passa carro pequeno.” Reforçou que, sem acesso ao comércios, as pessoas que moram na região vão ficar ilhadas. “Quem vive aqui é humilde. Pegar um ônibus, atravessar a balsa para comprar uma mercadoria é complicado.”

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Karina Louzano, 36, é uma das proprietárias que teve material de construção lacrado pela prefeitura e disse que tem a impressão que a responsabilidade por construções irregulares foi atribuída aos depósitos do pós-balsa. “Nós quase não vendemos tijolo e areia. A procura era por materiais de manutenção doméstica, como uma resistência elétrica e boia para caixa d'água.” Para Karina, faltou preocupação com a população. “Para ir comprar no Riacho Grande a dificuldade é imensa, por causa da balsa.”

Protesto

Moradores do pós-balsa estiveram na Câmara de São Bernardo na última quarta-feira (6). Cerca de 500 pessoas lotaram o plenário e manifestaram-se contra o fechamento dos comércios e restrição de entrada de caminhões.

A conversa, que durou cerca de uma hora, esteve pautada no pedido de regularização e diálogo com a prefeitura. A comerciante Karina Louzano também esteve presente, e disse que o sentimento da população do pós-balsa é descaso e abandono. “Entendemos o impedimento de vender material de construção, mas estamos no sentindo injustiçados.”

Os vereadores presentes na reunião disseram que vão levar os pedidos feitos pelo grupo ao prefeito, por meio do líder da bancada do governo, Ramon Ramos (PDT). A ideia é de que seja criada uma mesma de discussão sobre as questões do pós-balsa, com a participação da população, ministério público e prefeitura.

O comerciante Amós Pereira de Souza, 37, esteve na Câmara e disse que teme pelo fechamento de sua loja. Morador do pós-balsa há vinte anos, Souza tem uma adega e contou que já ficou sem mercadoria. “Na semana passada me barraram em frente à balsa, eu estava com o meu carro e queriam ver se eu tinha alguma mercadoria dentro dele. Nos sentimos num cativeiro, presos lá. Meu medo é ficar sem alimento e sem nada.”

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Os moradores que protestaram na Câmara defenderam que seja criada uma comissão com a população e o prefeito. Luis Carlos Gomes, 59, industriário defende a ideia e fala que quem mora do pós-balsa também se preocupa com a preservação ambiental. “Não queremos contribuir para o desmatamento, mas somos a favor de ficar quem já está lá. Queremos que nos ouçam, pois a ideia dessa comissão é que ela fiscalize as construções irregulares.”

Neste mesmo dia (6), um grupo de 13 munícipes conseguiu ser atendido por cinco vereadores, sendo eles Ana Nice (PT), Antônio Carlos (PT), Joilson Santos (PT, líder da oposição), Julinho Fuzzari (PPS) e Ramon Ramos (PDT, líder do governo).

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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