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Rede referenciada é base para combater a violência contra a mulher

por thalita.ribeiro última modificação 06/09/2017 16h11
Centros de atendimento orientam e dão apoio às vítimas de agressão doméstica e familiar

Publicado em 06/09/2017 15h31

Última atualização em 06/09/2017 16h11

Rede referenciada é base para combater a violência contra a mulher
Palestrantes falam sobre serviços disponibilizados a mulheres que sofrem violência doméstica e familiar - Foto: Thalita Ribeiro/ RRO

IAGO MARTINS
THALITA RIBEIRO
Da Redação*

O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no ranking mundial. O levantamento feito pela ONU (Organização das Nações Unidas) aponta que a taxa de feminicídio é de 4,8 para 100 mil mulheres. A pesquisa, divulgada em 2016, mostra também que, deste total, a maioria foi cometido por membros da família.  Diante deste cenário, as políticas de enfrentamento tentam mudar essa realidade. No ABC, o Consórcio Intermunicipal procura fazer a articulação com os serviços municipais disponíveis.

Na última quinta-feira (31) ocorreu, em Santo André, o seminário sobre a rede de combate da violência contra a mulher. Sete representantes de entidades civis e públicas, discutiram sobre as opções que existem quando há situação de violência.

Os CRAMs (Centros de Referências de Atendimento à mulher em situação de violência) foram criados em 2006, mesmo ano da  promulgação da lei Maria da Penha, ambas com o objetivo de combater a agressão contra a mulher. Das cidades do ABC, Santo André, São Bernardo e Diadema possuem CRAMs. Na opinião de Renata Facis, representante do Centro de Referência de Santo André, a interferência no ciclo de violência contra a mulher é o principal objetivo, que vê  o primeiro atendimento como o mais importante.“O acolhimento da mulher é fundamental para que criemos um vínculo e ela permaneça no serviço.”.

Outros serviços como a terapia psicossocial (individual ou em grupo), orientações jurídicas e assistências em saúde, educação, emprego e renda são oferecidos pelos CRAMs. As mulheres são incentivadas a prestar queixas em delegacias, mas Renata ressalta que para ser atendida não é necessário ter feito uma denúncia anterior. "Se no ambiente familiar há ameça, ela pode recorrer à algum centro."

Outra opção, e como último recurso, existe o programa Casa Abrigo. Implementado em 2003 pelo Consórcio Intermunicipal, a iniciativa consiste no abrigamento de mulheres em duas casas do ABC. De acordo com o protocolo de atendimento da casa, além da situação de violência doméstica e familiar, a mulher precisa estar sob risco iminente de morte. Tal informação deve constar em um boletim de ocorrência.

Leia também: Casa Abrigo, no ABC, acolhe mais de 700 mulheres em situação de violência

A coordenadora Geral das Casas Abrigo, Flaviana Aparecida de Melo, ressalta que o acolhimento não é obrigatório e que há dificuldade, por parte da mulher, em deixar suas residências. Isso acontece pelo fato das mulheres terem receio em abandonarem suas histórias. Flaviana disse também que é importante trazer autonomia para a mulher sobre a própria vida. “Não podemos decidir pela vida delas. Temos que buscar elevar o senso crítico das mulheres para que elas se empoderem delas mesmas, de seus corpos, de seus poderes de decisão. Só assim elas vão poder ressignificar as suas vidas e ter um percurso diferente.”

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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