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Rudge Ramos tem duas das oito áreas verdes tombadas por São Bernardo

por thalita.ribeiro última modificação 12/06/2017 11h32
Um exemplar de jatobá e um conjunto arbóreo estão entre os patrimônios naturais da cidade

Publicado em 12/06/2017 10h35

Última atualização em 12/06/2017 11h32

Rudge Ramos tem duas das oito áreas verdes tombadas por São Bernardo
Exemplar de jatobá no bairro Rudge Ramos, tombado em 2006 - Foto: Thalita Ribeiro/RRO

THALITA RIBEIRO
Da Redação*


O bairro de Rudge Ramos tem dois patrimônios naturais de São Bernardo entre suas diversas atrações e peculiaridades. Uma espécie de jatobá e uma antiga chácara estão entre as oito áreas verdes tombadas na cidade. Os outros seis patrimônios verdes estão espalhados pelo município e, muitas vezes, são vistos diariamente sem que o cidadão se dê conta ou que possa acessá-los, pois estão dentro de propriedades privadas.

Quem vem do litoral, por exemplo, pode observar um exemplar tombado. Na altura do km 24 da marginal da via Anchieta, fica a centenária espécie de figueira, conhecida como Árvore dos Carvoeiros. O apelido da árvore se deve à sua história. O caminho de volta da praia, comum a quem mora na região, já foi local de descanso para os trabalhadores da antiga produção de carvão que havia na região. Instalada onde hoje é o distrito de Riacho Grande, a fonte de produção do minério estava no caminho para centros de consumo, com a capital do Estado, São Paulo. De acordo com nota enviada à reportagem pela Seção de Patrimônio Histórico da prefeitura, o tombamento da árvore se deu em 1999 pelo valor histórico e por ter sido “marco de referência da existência dos carvoeiros”. O fato de ser uma espécie nativa da região também foi um fator considerado.

Também nativo da região, porém um dos únicos exemplares que a cidade possui, a espécie jatobá tem uma árvore tombada em Rudge Ramos. O jatobá foi bastante explorado na época colonial para produção de vigas, tacos, tábuas e assoalhos da construção civil. A árvore encontra-se na avenida Senador Vergueiro, na altura do número 1001, e foi tombada em 2006. Segundo a Seção de Patrimônio Histórico da prefeitura, fatores como a importância da remanescente vegetação original foi um dos fatores para o tombamento.

Ainda na Senador Vergueiro, também em Rudge Ramos, há outro tombamento natural, só que em terreno particular. Antigamente conhecida como Chácara Colúmbia, segundo a prefeitura, o local foi tombado em um inventário de "bens culturais", ou seja, todo a propriedade foi tombada pelo patrimônio da cidade em 2013, incluindo os conjuntos arbóreos. 

Como a Chácara Colúmbia, há outras duas na cidade. A Lauro Gomes e a Silvestre. No caso da Chácara Lauro Gomes, o espaço foi adquirido por Arthur Rudge Ramos, no início do século XX. Após a sua morte, passou a ser do ex-prefeito Lauro Gomes, que era genro de Rudge Ramos à época. Segundo a prefeitura, o tombamento da área ocorreu em 2005 e se deu em razão da “importância histórica, ambiental e paisagística, como remanescente da antiga função de subúrbio rural que São Bernardo desempenhou no passado”. Hoje, no local, encontra-se parte da planta da montadora Ford, no bairro Pauliceia. 

Já a Chácara Silvestre foi tombada em 1987 e era uma antiga residência da família Simonsen e do primeiro prefeito que São Bernardo teve

Árvore dos Carvoeiros, localizada na margem da via Anchieta, km 24 - Foto: Thalita Ribeiro/RRO
após ser emancipada como município, Wallace Simonsen. A partir do tombamento, a área no bairro Nova Petrópolis virou um parque e, consequentemente, a vegetação tornou-se patrimônio histórico da cidade.

O centro de São Bernardo também abriga tombamentos de áreas verdes. Localizada na rua Braga, na altura do número 200, a antiga Indústria de Embalagens Matarazzo possui 2.135,70 m². De acordo com o setor de patrimônio, o motivo do tombamento da área privada “fundamentou-se, principalmente, pela presença da massa arbórea como ponto de referência – e de remanescência – no centro da cidade, de seu único adensamento verde.”

Além das chácaras, a Seção de Patrimônio Histórico Municipal elencou, também, dois terreiros de candomblés e os conjuntos arbóreos que existem nos locais, tombados em 2016 e 2014, respectivamente localizados na alameda dos Pinheirais e rua Antonio Batistini. Segundo o setor responsável, o pedido de tombamento partiu das comunidades do entorno dos terreiros por compreenderem que se trata de "uma religião que estabelece um profundo contato com a natureza e são de fundamental importância para a manutenção da própria prática religiosa.”

Leia também: Bens tombados contam a história de São Bernardo


*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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