Mulheres bombeiras ganham espaço na corporação

A profissão deixou de ser exclusividade dos homens. O desempenho satisfatório das mulheres durante o treinamento revelou que elas estavam integradas e preparadas para executar qualquer atividade do Corpo de Bombeiros.

Publicado em 12/12/2008 08:35
Última atualização às 07:35

Mulheres bombeiras ganham espaço na corporação

A soldado Vera Cavalcante trabalha para zelar pela vida - Foto: Natália Maldonado/RRJ

NATÁLIA MALDONADO
do Rudge Ramos Jornal

Sirene, fogo e muito risco. Esse é o mundo de quem escolhe seguir a carreira como bombeiro. Em dezembro de 1991, a profissão deixou de ser exclusividade dos homens. O desempenho satisfatório das mulheres durante o treinamento revelou que elas estavam integradas e preparadas para executar qualquer atividade do Corpo de Bombeiros.

Hoje, a corporação conta no Estado de São Paulo com 40 bombeiras treinadas e em atividade, das quais cinco são oficias formadas pelo Curso de Bombeiros para Oficiais. Como será que essas mulheres lidam com a adrenalina, emoção, dupla jornada e vaidade?

A soldado Vera Cavalcante, 39, bombeira do 8º Grupamento do Corpo de Bombeiros, sempre se preocupou com a vida das pessoas. Aos 21 anos, ingressou na Polícia Militar, trabalhou com policiamento por 12 anos, mas o seu sonho sempre foi entrar para o Corpo de Bombeiros.

Em 2002, Vera fez uma permuta. Trocou de lugar com um bombeiro que ia exercer sua função. “Nós bombeiros fazemos tudo sem esperar nada em troca. Faço o que amo. Acredito que isso é o que me faz trabalhar todos os dias. É muito gratificante zelar pela vida dos outros”, contou.

Momentos de risco e adrenalina fazem parte da rotina da soldado. Resgates, salvamentos e incêndios. Esses são alguns dos tipos de ocorrências que Vera atende todos os dias. A atenção e o foco são itens indispensáveis durante o seu trabalho. “Não tem como fugir. A adrenalina surge a todo o momento, mas eu preciso estar concentrada”, afirmou. 

A emoção é outro ingrediente constante na vida de um bombeiro. Para Vera, há dois momentos muito especiais em sua carreira. O primeiro foi na época do policiamento, onde ela atendia chamadas do 190.

A soldado conta que uma jovem desapareceu e seu pai entrou em contato com a polícia. No dia seguinte, Vera atendeu uma ligação de um rapaz que dizia ter matado a namorada, que tinha o mesmo nome e descrição da menina que o pai estava procurando. Ela registrou a ocorrência e avisou a família. “Foi uma situação que mexeu muito comigo. Na época, eu tinha uma filha da mesma idade e fiquei pensando como a família estava sofrendo”, disse.

Outro momento marcante foi há um ano e meio. Ela atendeu a uma ocorrência em que uma garota de 18 anos entrou em trabalho de parto. A jovem estava sozinha em casa. “Nasceu uma criança linda. Nós cortamos o cordão umbilical e finalizamos os primeiros procedimentos. Levamos o bebê e a jovem ao hospital. Foi lindo ver a emoção da futura mãe. Toda a equipe ficou emocionada”, explicou.

Vera acredita que há vários pontos positivos de ser mulher nessa profissão, principalmente no resgate de uma vítima feminina. “A mulher que sofre um acidente fica muito exposta. Quando a vítima percebe que há uma mulher na equipe, ela fica mais calma. Isso acontece também quando há crianças. A figura materna consegue acalmar os pequenos também”, disse.

Mesmo com uma profissão puxada, ela consegue se desligar da profissão e dar conta de tudo. “A única coisa que levo para comentar com a minha família são os momentos positivos. Quero curtir meus filhos, minha casa e meu marido nos poucos momentos que tenho livre. Sou policial militar bombeira 24 horas, mas dona-de-casa, mãe e esposa sou 48 horas por dia”, contou.

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