Pesquisas comprovam que rir faz bem à saúde
Além de aliviar o estresse, riso é um estímulo os órgãos internos e para o fortalecimento do sistema cardiovascular
Estudos mostram que a potência analgésica dessas endorfinas pode ser até cem vezes maior que a da morfina - Foto: Divulgação
LARISSA MAFUZ
CAROLINA CHECCHIA
“Entre levar a vida de mau-humor ou seguir adiante com um sorriso no rosto, com certeza fico com a segunda opção.” A declaração é da decoradora e paisagista Maria Cristina Villas Boas, 50. Adepta do bom-humor, Maria Cristina disse que o riso ajudou a manter o controle e o otimismo diante das adversidades. “Já superei os mais diversos problemas, de doenças graves na família à queda do padrão de vida. Se não mantivesse um sorriso no rosto não teria conseguido enfrentar todas essas situações”, disse ela que é casada e mãe de dois filhos. A decoradora acredita que o bom-humor e o otimismo constantes são capazes de ajudar a manter a saúde. “O estado físico de uma pessoa está diretamente ligado ao seu estado emocional. Rir pode não curar todas as doenças, mas ajuda seu corpo a reagir mais depressa.”
Maria Cristina não está sozinha. Diversas pesquisas realizadas desde a década de 1960 comprovam os efeitos benéficos do riso na saúde. Especialistas afirmam que o riso auxilia na melhora emocional e orgânica de pessoas saudáveis e de pacientes com os mais diversos tipos de doenças.
Entre os benefícios comprovados do riso estão o controle do estresse, o estímulo aos órgãos internos e o fortalecimento dos sistemas cardiovascular e imunológico. Os médicos que estudam a fisiologia do riso garantem que uma gargalhada ativa o hipotálamo, área responsável pela fabricação e liberação de endorfinas, substâncias responsáveis pelo bem-estar. Além disso, essas mesmas substâncias têm poder analgésico, ou seja, são capazes de diminuir a dor.
Estudos mostram que a potência analgésica dessas endorfinas pode ser até cem vezes maior que a da morfina, medicamento contra a dor usado em larga escala nos hospitais. O sistema imunológico é rapidamente ativado por essas substâncias, o metabolismo acelera e identifica mais facilmente células deficientes, toxinas e venenos. Como o riso movimenta todos os órgãos do abdômen, a respiração se torna mais efetiva e há uma rápida desintoxicação pulmonar e cerebral. A conclusão dos profissionais é clara: a alegria e o otimismo são aliados da saúde.
A risoterapia como método auxiliar no combate a doenças surgiu na Índia, na primeira metade do século XX, com o médico Madan Kataria. Ele foi o pioneiro nos estudos e testes relativos ao humor na saúde e constatou o que hoje é consenso na comunidade científica ocidental: o humor e o bem-estar têm impacto direto na recuperação de enfermos. “Observo como os pacientes alegres e otimistas se recuperam mais rapidamente. É surpreendente constatar no dia-a-dia de um ambulatório que isso serve tanto para uma gripe ou resfriado quanto para doenças graves”, declarou Juliana Kfouri, médica pediatra. Para ela, o papel do médico vai além de diagnosticar e tratar uma doença. “É um conceito muito em uso hoje em dia: humanização da medicina. Tratar cada paciente de uma maneira singular, lembrando que não é só um caso, é uma pessoa. Parece óbvio, mas no cotidiano hospitalar a rotina é corrida e cansativa e, às vezes, esses valores se perdem.”
As terapias do humor podem ser englobadas dentro do contexto da humanização da medicina, citado pela pediatra. Esses métodos se tornaram conhecidos em todo o mundo na segunda metade do século 20. Com o planeta mergulhado em guerras e epidemias e os países periféricos sofrendo de pobreza extrema, percebeu-se que o avanço da medicina não poderia acontecer só no âmbito tecnológico. Passaram a ter força as correntes que consideram a saúde do indivíduo resultado de uma série de fatores genéticos, ambientais e sociais. O paciente passa a ser visto de uma forma menos isolada e é reconhecido o caráter parcial, ou mesmo total, dos fatores psicológicos no desenvolvimento de diversas doenças.
“É o que os psicólogos chamam de somatizar. Muitas doenças têm um forte componente emocional”, relatou Juliana. Para a psicóloga Cristina Pereira, todos os indivíduos são sensíveis ao meio em que estão inseridos. “Em um caso de doença esse contexto faz ainda mais diferença. Pacientes mal-humorados e solitários, além de agravar os sintomas já existentes, correm o risco de desenvolver transtornos psiquiátricos graves, como a depressão. Não podemos tratar uma pessoa como se ela não pertencesse a uma família, uma comunidade e ao próprio planeta. A comunidade médica, por uma série de fatores, ainda não tem capacidade para dar tratamento humanizado a todos. Mas, há décadas, já temos consciência de que esse seria o ideal”, alertou.


