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Falta de instrução do médico pode prejudicar aleitamento materno

por barbara.nascimento última modificação 04/09/2017 15h30
Profissionais da Saúde salientam que nem toda mulher pode amamentar e que há medidas compensatórias

Publicado em 04/09/2017 15h30

Última atualização em 04/09/2017 15h30

Falta de instrução do médico pode prejudicar aleitamento materno
A amamentação é um dos primeiros contatos que a mãe tem com o bebê. Foto: Reprodução

Da Redação*
BARBARA CAETANO
LUIZA LAMAS

A amamentação é um dos primeiros contatos que a mãe tem com o bebê. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, além de fortalecer o vínculo, o leite materno diminui a mortalidade infantil e ajuda a prevenir as infecções respiratórias. No entanto, algumas mães não conseguem amamentar, seja por condições biológicas ou pela falta de instrução passada pelos médicos durante o período de pré-natal.

Caroline Cortez Brito dos Santos, 23, é estudante Técnica em Análise Clínica e tem o bico do peito invertido. Ela afirma que descobriu a característica durante o pré-natal, seguiu a recomendação do médico e tentou fazer massagens e até usar bombinha de sucção, mas não funcionou.

A pediatra e neonatologista Valdenise Martins Laurindo Tuma explica que o mamilo invertido é uma anomalia que acontece em ambos os sexos durante a formação do feto. Ele pode aparecer no seio da mulher de duas maneiras: mamilo pseudo-invertido, que quando estimulado consegue se sobressair, e mamilo invertido verdadeiro, que mesmo com estímulo continua preso à parte interna do seio.

Quando Caroline tentava amamentar, o bico do peito saía um pouco, mas por forçar muito, a estudante acabou ficando com cortes. “O bico do meu peito chegou a ficar pendurado pela pele de tanto que a bebê puxava”, comenta.

A neonatologista admite que poucos médicos se preocupam em analisar os seios durante o pré-natal para poder instruir adequadamente as mulheres sobre as melhores técnicas para amamentar, como o uso do mamilo de silicone.

Ela orienta que a mulher não deve fazer massagens nos seios durante a gestação, já que elas podem liberar ocitocina (hormônio) que, chegando até a desencadear trabalho de parto prematuro. “Quando o mamilo é pseudo invertido, a massagem e outros métodos como bombinha de vácuo podem ajudar, mas apenas depois do parto”, comenta.

A estudante precisou parar de amamentar, porque houve sangramento nos seios. “Foi difícil, porque aleitamento é muito importante para a bebê e eu queria muito ter essa experiência. Eu fiquei muito mal, porque eu não conseguia dar aquilo para ela”.

Para a psicóloga clínica Camila Teodoro Godinho a pressão da sociedade pode prejudicar a saúde mental da mulher. “As mulheres têm essa cultura de que é nossa obrigação nutrir o nosso filho. Quando chega a maternidade também chegam as dúvidas, e se ela não tem um tratamento psicológico adequado, quando ela tem dificuldade para amamentar, a mulher se sente incapaz.”

“Eu acredito que as mães de primeira viagem e as que têm dificuldades em amamentar deveriam procurar ajuda com outras mulheres que estão passando pelo mesmo período”. Acrescentou a psicóloga, que acredita que uma rede de apoio formada pelas próprias mulheres e profissionais das Unidades Básicas de Saúde seria o ideal para orientar de forma mais efetiva as gestantes.

Segundo a pediatra Valdenise Martins Laurindo Tuma, a fórmula láctea é produzida pelas indústrias com o objetivo de ser muito próxima à composição do leite materno, mas não consegue imitá-lo, porque tem diversas composições que auxiliam na imunidade da criança. “O leite materno possui mais de 250 tipos de defesas diferentes para o bebê, fatores de crescimento, fatores que estimulam a inteligência, então a fórmula não vai conseguir suprir isso”.  

De acordo com a neonatologista, quando a mãe não pode amamentar por causa de doenças, como HIV e hepatite C, quando precisa tomar remédios imunossupressores ou possui outros problemas que impedem a amamentação, como a deficiência na produção de hormônios, como a prolactina e ocitocina, o médico precisa prepará-la psicologicamente porque as mães podem até entrar em depressão.

Camila Teodoro Godinho acredita que nos casos acima, os médicos que fazem o pré natal deveriam indicar um acompanhamento psicológico, já nesse momento. “Se a mulher fica sozinha nesse período ela vai ficar focada nesse problema. É bom que haja um encaminhamento para grupos de mulheres que passam pelo mesmo problema, para elas se ajudarem e uma encontrar força na outra.”

“Hoje em dia existe uma propaganda da mídia voltada para a maior oferta de leite materno e muitas mães ficam tristes por não poderem amamentar. A mãe precisa saber que o bebê dela terá outras opções de leite.”, complementa a pediatra.

A  empresária Débora Soares Marini, 36, amamentou a primeira filha apenas até os seis meses de vida. “Na minha primeira gravidez senti muita falta de apoio dos pediatras, todos insistiam para eu amamentar apenas de três em três horas. Mas, a Antonella estava um pouco abaixo do peso, e eles queriam que eu desse fórmula em pó”, conta.

Débora admite que não fazer a chamada “livre demanda” (oferecer o peito quando a criança quiser) na primeira gravidez pode ter prejudicado a produção de leite. Já quando ficou grávida do segundo filho, mudou de pediatra e se dedicou mais à busca de informações. “Eu adotei a livre demanda com o Téo, por apoio do pediatra, que também indicou alguns remédios homeopáticos e chás para estimular a produção de leite”, afirma a mãe.

A pediatra e neonatologista Valdenise Martins Laurindo Tuma avalia que “quanto mais a mama é estimulada, maior é a produção do leite, devido às terminações nervosas que existem na região”.

Quando a mãe tem pouco leite, os médicos podem auxiliá-la por meio da translactação, um método em que se coloca o leite materno em uma seringa, com uma sonda que fica colada na ponta do mamilo da mulher. Isso faz com que o bebê estimule a produção materna enquanto toma o leite da seringa.

 *Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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