Apenas 3% das brasileiras usam o DIU de cobre como contraceptivo



GIULIA MARINI
Da Redação*

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece oito tipos de contraceptivos como parte de uma política de planejamento familiar que busca reduzir o número de ocorrências de gestações não planejadas. Entre eles, encontra-se o DIU de cobre. Mesmo com esse serviço público para a sociedade, de acordo com o Ministério de Saúde, apenas 3% das brasileiras usam o dispositivo intrauterino como contraceptivo.
A auxiliar de administração, Francisca de Faria, colocou o DIU com 38 anos, mas teve problemas. “Para mim, foi uma dor horrível nos primeiros dois dias, eu não fui nem trabalhar, senti muita cólica. Cheguei até a pensar em tirar. Passou um ano, eu fui no ginecologista fazer meus exames achando que estava tudo normal, mas meu médico falou que o DIU estava totalmente fora do útero”.
A servidora pública, Micaela Martins, 34, procurou o atendimento do SUS porque o plano de saúde não cobria os custos do DIU. “Conversei com a ginecologista e marquei. A própria médica disse que não tinha porque pagar tendo o serviço gratuito. Foi um mês o tempo gasto desde a primeira consulta até a colocação do DIU”. Micaela afirma que o processo foi tranquilo e atendeu às expectativas. “Eu colocaria de novo, tranquilamente. Mas, dá próxima vez, quero colocar com anestesia ou alguma forma menos dolorosa”, explica.
A médica ginecologista e obstetra Débora Ramos Beltrammi conta que o DIU de cobre traz tranquilidade às mulheres porque não tem necessidade de lembrar de tomar pílulas ou injeções rotineiras. “O cobre do DIU promove alteração na camada que reveste o útero internamente e essas mudanças afetam o espermatozóide. O processo de ovulação não é inibido, mas o cobre pode provocar danos ao óvulo não fecundado”, explica. Apesar desse contraceptivo não ser abortivo, não causar câncer e ser um método reversível e duradouro, a médica afirma que pode ter desvantagens também. “Podemos encontrar alguns problemas também como alteração no padrão da menstruação, aumento de cólicas durante o período menstrual, a não proteção de infeções sexualmente transmissíveis e a perfuração uterina no momento da colocação”, explica.

Outras opções
Em contrapartida, o número de mulheres tomando a pílula do dia seguinte teve um aumento significativo. De acordo com dados reunidos pelo Panorama da Contracepção de Emergência no Brasil do Instituto de Saúde da Secretaria do Estado de São Paulo, o crescimento foi de 445% em 10 anos.
A estudante de medicina veterinária Giovanna Carvalho já pensou em tomar a pílula anticoncepcional mais de uma vez, mas hesitou porque tem receio. “Tem vários efeitos colaterais que podem aparecer quando você começa a fazer uso desses medicamentos. Tem outros também, como o adesivo, mas eu não confio”. Além disso, Giovanna alega que a pílula do dia seguinte e a camisinha já atendem o que ela procura. “Eu já tomei a pílula do dia seguinte duas vezes só neste ano. Eu compro ela sempre que estou sem camisinha”, explica.
A analista de comunicação e marketing, Ana Carolina Grassi, conta que optou por parar de tomar anticoncepcional depois que a mãe dela morreu com trombose e descobriu que também poderia ter. “Tomei dos 15 aos 22 anos, mas ao parar, percebi uma melhora muito grande em muitas coisas, apesar de voltar a ter espinhas e um pouco de cólica, meu inchaço diminui, meu cabelo ficou mais forte e eu parei de reter líquido”. Por conta disso, a analista preferiu lidar com os imprevistos com a pílula do dia seguinte mesmo não sendo sua opção preferida. “Já tomei pílula do dia seguinte e por mais que eu não tenha ficado grávida, eu odiei porque é uma bomba de hormônio e não me senti bem com ela”, explica.
A ginecologista Débora Ramos Beltrammi alerta que a pílula do dia seguinte possui efetividade em torno de 75% e o uso repetitivo compromete o verdadeiro significado de seu uso. “Fora a ocorrência, em alguns casos, de náuseas e vômitos, dor abdominal e de cabeça, sensibilidade nas mamas e tontura”.
Ainda de acordo com a médica, é aconselhável a substituição da pílula do dia seguinte por um método contraceptivo de uso rotineiro. Além disso, ela acredita que o uso regular de preservativos (masculino e feminino) para prevenção de infecções sexualmente transmissíveis é de extrema importância. 

 *Esta reportagem foi produzida por alunos da Universidade Metodista de São Paulo.

Publicado em 20/05/2019 14h45