Uso do cigarro eletrônico como alternativa pro tradicional é igualmente prejudicial à saúde



BEATRIZ LOPES
Da Redação*

A estudante Isabela Estelacrista, 19, é fumante há mais de um ano, mas não utiliza o cigarro comum de papel que conhecemos. Isabela tem preferência pelos cigarros eletrônicos que, segundo ela, não deixa cheiro ruim, não acaba com o pulmão e não tem combustão, ou seja, tem poucos danos. Ela destaca que: “o cigarro tradicional tem mais de 400 substâncias tóxicas. O cigarro eletrônico tem só o maléfico do vício em si e do gasto de comprar o produto.”

De acordo com a pneumologista Cristina Teixeira, tanto a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e a Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) não recomendam o uso do cigarro eletrônico, visto que não tem uma normatização de produção, cada fabricante faz de um jeito, o que dificulta um estudo mais geral do caso.

Muitas pessoas, como Isabela, utilizam o cigarro eletrônico como uma alternativa do cigarro de papel, mas para Cristina, trocar o tradicional pelo eletrônico não é uma escolha muito diferente: “O cigarro eletrônico tem propileno glicol, que quando é aquecido torna-se cancerígeno. É essa substância que produz a fumaça. Esses cigarros de “menor combustão” vendidos pela indústria tabagista, tem todos os maléficos do cigarro tradicional, só que em menor quantidade, e isso para o fumante não muda muita coisa.”

Além do cigarro eletrônico, vendido nas tabacarias, os vipers que acompanham sabores e aromatizadores também fazem sucesso entre os fumantes. “O cigarro eletrônico pode ser usado só para a produção de fumaça ou pode ser colocado o aromatizador, que são substâncias para ter um sabor. Mas todos eles continuam sendo prejudiciais à saúde”, diz Cristina.

Gabriel Cintra, 22, é analista de BI e  não fuma há alguns meses pois alega que das últimas vezes que fumou, sentiu dores de cabeça e tosse. Gabriel compartilha da mesma opinião que Isabela, referente à preferência do cigarro eletrônico ao tradicional devido ao cheiro. Por causa disso, ele usava os com essência, para poder controlar a nicotina.“O cheiro do cigarro normal impregna mais. O eletrônico é um pouco mais leve e versátil. Mas o gosto era muito doce. Um ponto negativo, inclusive, era o gasto com essas essências”, diz.

Cristina ainda reforça que para quem quer parar de fumar, ou fumar menos, há opções melhores e mais seguras que o cigarro eletrônico: “Hoje temos muitos profissionais capacitados para ajudar o paciente a parar de fumar. Existem cursos específicos para isso. Podemos usar terapia cognitiva comportamental, medicamentos e reposição de nicotina com adesivos. O pneumologista é o profissional mais indicado para esses casos”, finaliza.

 

Arte: José Reis

 *Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

Publicado em 26/06/2019 15h59