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Redes sociais interferem na vida do trabalhador

por aluno última modificação 29/09/2010 16h18
Uso das plataformas mostra o quanto a tecnologia está inserida na vida do brasileiro, inclusive no horário de trabalho

Publicado em 22/09/2010 12h35

Última atualização em 29/09/2010 16h18

Redes sociais interferem na vida do trabalhador
Algumas rede sociais que são acessadas por meio da internet

ALINE BOUERI
JÉSSICA ALVES
LUIZ FELIPE LEITE

Facebook, Twitter e Orkut. Atualmente, estas são algumas das redes sociais mais usadas por quem usa a internet. Segundo pesquisa realizada pelo Ibope Nielsen Online, cerca de 83% dos internautas residenciais ativos – 21,4 milhões de pessoas no Brasil - já acessaram alguma rede social. A pesquisa revela também que é o país recordista em acessibilidade à internet.

O uso de tecnologia nas empresas é eminente. Menos de 10% delas não utilizam computadores, o que indica o papel fundamental da tecnologia no mercado de trabalho. Porém o uso dessas redes sociais nem sempre é bem visto.

Pesquisa realizada pela Socitm, empresa especializada em gerenciamento de TI (Tecnologia de Informação), mostra que cerca de 90% das empresas proíbem o uso de redes sociais no ambiente de trabalho. Elas permitem o uso dessas redes apenas em horário de almoço ou fora de expediente.

Isso geralmente acontece por dois motivos: baixa produtividade do funcionário e preocupação que dados confidenciais sejam fornecidos nessas páginas pessoais, comprometendo toda a infraestrutura da empresa.

Entretanto, até que ponto elas interferem ou não na vida do trabalhador e na produção empresarial?

EMPRESAS

Na empresa de Ana Person, coordenadora de Marketing da Rever Comunicação, agência de comunicação em São Bernardo, o uso de mídias sociais é assegurado. Porém é visto com ressalvas. “Aqui, nós permitimos que os funcionários utilizem redes sociais. Mas percebo que, em alguns momentos, elas atrapalham. O acesso à internet, de modo geral, desconcentra. Blogs de humor, portais de notícias, curiosidades acabam desviando o foco do trabalho.”

Especialista e autor do livro "Planejamento Estratégico" (Editora Brasport,  288 páginas), Felipe Morais é favorável a uma ‘liberdade total’ para o usuário. Diz também que é a favor de empresa que tome medidas caso o trabalhador extrapole. “Tem de liberar tudo e dar confiança ao funcionário. Se ele passa mais tempo no Facebook do que na planilha do Excel, a empresa tem de tomar atitudes. Porém bloquear é errado.”


 

DIVERGÊNCIAS

Os funcionários que acessam redes sociais divergem em alguns pontos. Cristiano Caporici trabalha na Maquinário Assessoria de Comunicação. Ele sugere uma evolução no aspecto interpessoal no ambiente de serviço, mas especifica a ‘verdadeira’ missão da pessoa que vai trabalhar. “O acesso a redes sociais ou em sites diversos pode contribuir para uma melhoria no clima do trabalho. Contudo, caso o uso delas não seja liberado em alguma empresa, isso não deve ser motivo para insatisfação, uma vez que, ao sair de casa para trabalhar, nosso foco deve ser o próprio trabalho.”

Entre os funcionários existe quem defenda o bloqueio irrestrito por parte das empresas. Jessica Mansano de Aguiar, trabalha na linha de montagem da Mercedes-Benz, Unidade Paulicéia, em São Bernardo, e é totalmente contra o uso de mídias sociais durante o horário de trabalho. “Na minha empresa é bloqueado. Mas, se fosse permitido, com certeza iria atrapalhar, pois as pessoas, muitas vezes, não sabem separar o serviço do privado.”


PUNIÇÃO

Mesmo liberando o uso de internet para uso pessoal, algumas empresas admitem que isso pode comprometer o rendimento do trabalhador. “Distração, falta de memória, desorganização e falta de envolvimento profissional são alguns sintomas de quem usa redes sociais durante o trabalho para finalidade pessoal sem equilíbrio”, disse Cimey Gadelha, empresária e ex-assessora da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção)

Muitas vezes, a punição é aplicada. Algumas fazem contratos, nos quais o funcionário precisa assinar um termo de responsabilidade, dando à empresa o direito de demiti-lo por justa causa caso ele seja flagrado visualizando páginas pessoais.

Existem maneiras de conversar sobre a situação, caso ela passe dos limites, sem a necessidade de demissão imediata. O professor Eurípedes Magalhães, que ministra aulas de Design de Mídia Digital na FIT (Faculdade Impacta Tecnologia), é adepto dessa modalidade de resolução. “Essa comunicação com os funcionários deve ser estabelecida até mesmo por meio de contratos se existir a necessidade. Todos os casos devem ser estudados com um foco objetivo na estratégia de negócio da empresa. Se todas as informações são extremamente importantes e se elas colocam em risco a empresa ou o que é produzido nela, é importante o bloqueio, já que alguns programas permitem a invasão por hackers.”


CONTROLE

Para medir o tempo de acesso em cada site visitado e controlar o uso, algumas empresas adotam o método de instalação de softwares no sistema. Eles permitem não apenas a medição do tempo gasto, como também mostram o rendimento do funcionário no final do mês.

Atualmente, a tecnologia possibilita que várias mensagens publicitárias sejam enviadas simultaneamente para celulares e e-mails, o que, segundo o professor Eurípedes Magalhães, causa grande pressão da comunicação digital na sociedade. “Por isso é importante que as empresas saibam utilizar isso a seu favor, perceber que essas tecnologias não existem somente para diversão, mas também para troca de experiências profissionais, resolução de problemas, pesquisa de dados e de técnicas específicas.”

Algumas empresas optam por conversas e outras, por melhorias na capacitação dos funcionários. “O melhor caminho é o diálogo permanente no sentido de ‘educar’ os funcionários e os próprios gestores a se policiar e manter um olho na produtividade e outro na saúde mental”, afirmou a empresária Ana Person, da Rever Comunicação.

A capacitação também é defendida pela empresária Cimey Gadelha, que dá ênfase ao poder das ferramentas presentes no mundo virtual. “É algo que pode trazer frutos importantes no dia a dia profissional.”


SOLUÇÕES

Trabalhar sobre pressão é a realidade de milhões de brasileiros. Um descanso não faz mal a ninguém, e ainda auxilia no rendimento do serviço. O especialista Felipe Morais sugere alternativas para o uso viciante das mídias sociais. “O fato de a pessoa ter um local para relaxar, mesmo que por cinco minutos, é válido. Trabalhamos sob pressão o dia inteiro. Precisamos de um tempo para sair do ambiente, mesmo que só mentalmente.”

No entanto, Morais adverte sobre a importância “de limitar comentários da empresa e/ou marca nas redes pessoais, pois isso pode comprometer a credibilidade da empresa e colocar em risco o emprego do trabalhador”.

Outra ideia sugerida é criar planos estratégicos de produtos e serviços, se cadastrar nessas redes e fazer com que o trabalhador interaja a favor de interesses empresariais. “Dessa forma, além de desenvolver as suas atividades, o funcionário colabora com o marketing e a comunicação da empresa”, disse o professor Eurípedes Magalhães.

“Porém, para que isso aconteça, deve existir esse uso direcionado, porque de outra forma obviamente a produção tende a cair”, afirmou o especialista.

Se o uso desses sites de relacionamento começar a afetar o seu rendimento, o que fazer? O funcionário Cristiano Caporici tem a solução: “Começar a se vigiar, para evitar problemas futuros”.

 

Saiba mais sobre como as empresas lidam com as redes sociais. Clique aqui.

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