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Dependência de tecnologia é semelhante à de drogas, diz pesquisa

por ricardo.fotios última modificação 15/05/2011 12h06
Jovens privados de internet, celular e TV podem sofrer abstinência

Publicado em 10/05/2011 10h45

Última atualização em 15/05/2011 12h06

Dependência de tecnologia é semelhante à de drogas, diz pesquisa
Dependência de tecnologia atinge a maioria dos jovens entre 17 e 23 anos - Foto: Mayara Guerrero

MAYARA GUERRERO
Especial para o RROnline*

Pesquisa  realizada com jovens pela Universidade de Maryland, nos EUA, e publicada em abril deste ano constatou que a dependência de celulares, computadores e tudo que esteja relacionado à tecnologia pode ser considerada semelhante ao vício em drogas.  O estudo avaliou 1.000 alunos com idades entre 17 e 23 anos, em dez países, que ficaram durante 24 horas sem celulares, redes sociais, internet e TV.
 
Segundo a pesquisa, 79% dos estudantes avaliados apresentaram desde desconforto até confusão e isolamento com a restrição ao uso de eletrônicos. Outro sintoma relatado foi o de coceira, uma sensação  parecida com a de dependentes de drogas que lutam contra o vício. Alguns estudantes relataram, ainda, estresse simplesmente por não poder tocar no telefone.
 
O estudo concluiu que a tecnologia vem tomando conta da vida das pessoas de forma descontrolada. ”Fico no trabalho cerca de 9 horas por dia conectado, e quando chego em casa  não consigo me desconectar. Ou estou na internet ou estou jogando videogame”, disse Felipe Affonso, de 22 anos, um bom exemplo deste comportamento compulsivo. “Não consigo imaginar a minha vida sem a internet. Se fico sem acesso ao e-mail ou às redes sociais que possuo, fico de mau humor”, afirmou.

Jovens como Felipe podem apresentar vários problemas comportamentais, como explica Cristiano Nabuco de Abreu, psicólogo e coordenador do Amiti (Programa de Dependentes de Internet do Ambulatório dos Transtornos do Impulso) do Instituto de Psquiatria da Faculadade de Medicina da USP. “Alterações no humor, comportamento depressivo e reações impulsivas, quando restringidos no uso do computador, videogames ou celular, são os principais sinais de que a pessoa está usando essas tecnologias de forma excessiva.”
 
O uso da internet só é considerado dependência quando a pessoa deixa de realizar suas tarefas profissionais ou de lazer e opta por ter relacionamentos com pessoas somente online.
 
Apesar de muitos desconhecerem o problema, já existe tratamento. O Hospital das Clinicas, por exemplo, possui um setor específico que oferece ajuda e tratamento para adolescentes e adultos. O coordenador do programa de dependência de internet explica como é avaliada a necessidade da pessoa e como é feito o tratamento. “Primeiro é feita uma pré-triagem para averiguar o quadro de sintomas, após isso é feita uma consulta para avaliação e só então é oferecido ao paciente um plano terapêutico em grupo e/ou individual que é constituído de acompanhamento médico”, disse Abreu.
 
O tratamento é feito durante 18 semanas e utiliza recursos audiovisuais, materiais bibliográficos e dinâmicas de grupo para facilitar a comunicação e reflexão entre os participantes. Além do tratamento com os pacientes, o programa também é feito com os pais dos adolescentes.
 
Segundo o psicólogo Abreu, os tratamentos com os adolescentes e com os pais são diferentes. “Os encontros com os jovens consistem basicamente em analisar os possíveis motivos e interesses dos jovens em relação à internet, além de analisar o comportamento e identificar novas habilidades e práticas educativas que substituam o uso excessivo da rede. Também são analisadas formas para adquirir suporte familiar para a manutenção das mudanças realizadas”.
 
Apesar dos encontros possuírem o mesmo objetivo, as questões analisadas e avaliadas com os pais são específicas. “Quando estamos com os pais, buscamos analisar as experiências com os filhos através da folha de registro. Também vemos quais são, na visão dos pais, os comportamentos adequados e inadequados dos adolescentes e qual a frequência do uso da internet no dia a dia do jovem através de relatórios feito pelos pais”, contou o psicólogo.
 
Algumas medidas podem evitar que o adolescente ou o adulto que sofre deste problema tenha recaídas. Investir em programas familiares ao ar livre e realizar atividades que façam que a pessoa use o mínimo possível dessas tecnologias é o primeiro passo para que o paciente ou até a pessoa que está prestes a virar dependente da internet tenha uma vida normal, recomendam os especialistas.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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