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Coletivos se popularizam pelo ABC

por larissa.pereira — última modificação 22/03/2016 15h21
Ambiente universitário é um dos principais espaços de encontro dos movimentos

Publicado em 14/03/2016 19h10

Última atualização em 22/03/2016 15h21

Coletivos se popularizam pelo ABC
Direito São Bernardo é uma das universidades que contam com a presença dos coletivos no ABC - Foto: Reprodução Facebook - Coletivo Pro Equidade de Gênero FDSBC

GABRIEL MENDES
Da Redação*

Nos últimos anos, a formação dos coletivos vêm crescendo no ABC dando espaço para esses movimentos sociais que utilizam diferentes abordagens na luta por uma causa ou na disseminação de temas sociais, políticos, profissionais ou culturais. Outro fator determinante é a utilização da internet na criação e divulgação dessas ações que atraem jovens com diferentes interesses na região.

A socióloga, Lucieneida Praun, afirmou que os coletivos surgiram do desgaste da população em relação as instituições e que esse processo é decorrente de uma mudança ocorrida dos anos 90 para cá. “Há uma certa descrença geral no que acreditar. Os coletivos surgem nesse contexto e vão ganhar diversas formas, tanto para cuidar da praça ao lado de casa quanto para denunciar questões sociais como o racismo.”

A universidade é muitas vezes o espaço de encontro dos movimentos, onde jovens que têm interesses em comum acabam organizando-se para discutir os assuntos presencialmente.

As formas de atuação são variadas. Promovem eventos como palestras sobre temas sociais, exibição de filmes gratuitos e até mesmo cursos sobre tópicos que não são explorados com profundidade nas escolas como movimentos políticos, artísticos e diferentes períodos históricos.

Gabriela Alcarpe, 20, membro-fundadora do Coletivo Pro Equidade de Gênero, criado em 2014 na Faculdade de Direito de São Bernardo, afirmou que o surgimento do coletivo ocorreu de uma necessidade das alunas da faculdade, que diariamente ouviam comentários sobre o gênero feminino.

Ainda sobre a estrutura do grupo, afirmou que não há função específica para ninguém dentro do grupo, todas fazem um pouco de tudo.  “Buscamos ser um espaço para toda mulher se sentir segura para desabafar, contar um pouco da sua história para assim lutarmos e enfrentarmos tudo isso juntas”.

Gabriela disse que vê as gerações atuais mais dispostas a debater temas como esse e que o coletivo já mudou a vida de muitas pessoas, dentro e fora da faculdade. “Mais importante que desconstruir e conscientizar sobre qualquer assunto, é passar isso para frente e tentar alcançar mais gente para mudar os espaços que você tem influência.’’

Scarlett Rodrigues, 22, do coletivo Vozes, também formado em 2014 na UFABC e que busca acabar com a segregação dentro do ambiente universitário, contou que o coletivo procura ocupar esse espaço da universidade, promovendo debates a respeito da questão racial e realizando eventos sobre a questão.

O principal contato de pessoas que querem conhecer a entidade é pelo Facebook, o coletivo tem página e grupo para quem se interessar mais pelas ideias propostas. “As ações, de maneira geral, podem mudar as pessoas no sentido de união, proteção, e obtenção de conhecimento. O coletivo traz luta e empoderamento, coisa que nos é tirado, pois para a sociedade branca e rica, quanto mais analfabetos de conhecimento sobre nosso próprio povo, sobre nossa própria cultura, luta e representatividade, melhor’’, disse Scarlett.

Sobre a importância do movimento atualmente, Scarlett disse que é essencial para que juntos possam buscar melhorias, resistirem e mostrarem sua existência. “Ainda somos os que mais morrem no país, ainda somos os mais segregados, o racismo está escancarado todos os dias na vida dos negros.”

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo

 

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