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Livro infantil muda forma de contar histórias para criar vínculo com crianças

por thalita.ribeiro última modificação 14/06/2017 08h14
Temas como tristeza, separação e raiva passaram a fazer parte das obras literárias nos últimos 20 anos

Publicado em 12/06/2017 11h04

Última atualização em 14/06/2017 08h14

Livro infantil muda forma de contar histórias para criar vínculo com crianças
Livro "Onde vivem os monstros", de Maurice Sendak, citado pela professora Cristiane Rogério - Foto: Reprodução de Capa

THALITA RIBEIRO
Da Redação*

Discussão de temas do cotidiano e relação entre a história e o leitor são marcas dos livros infantis publicados desde a década de 1990, como em “Este Chapéu não é meu” (Editora Wmf Martins Fontes, 2013, média de R$ 36), de Jon Klessen, e “Onde Vivem os Monstros” (Editora Cosac Naify, 2009, média de R$ 50), de Maurice Sendak. Essa é a opinião da jornalista Cristiane Rogério, 42, ex-editora da revista Crescer (Globo) e atual coordenadora do curso de pós-graduação “O Livro para a Infância”, da escola especializada em cursos avançados de arte e cultura, A Casa Tombada.

Segundo a professora, o conceito anteriormente conhecido de livro infantil – mais voltado para a fantasia - mudou para possibilitar que a criança tenha contato com experiências de vida que, em geral, não eram retratadas, tais como sentimentos de tristeza, raiva e cotidiano familiar em geral. Para a coordenadora, essa mudança no mercado nacional é reflexo da entrada de obras estrangeiras no país por conta do câmbio favorável no início do Plano Real – em que o dólar mantinha certa paridade com a nova moeda brasileira. A tendência internacional à época já indicava essa nova abordagem na literatura infantil.

“Começou-se a discutir o livro como uma plataforma de contar histórias cotidianas, em que a criança pudesse se enxergar nelas. Morte, separação, inveja e raiva são temas que passaram a estar presentes na obra”, disse Cristiane, que reforçou também que esses temas, que já eram objeto de literatura, são trabalhados de forma diferente, principalmente do ponto de vista gráfico. A professora entende ser importante que a criança crie essa relação com a obra, pois são experiências que podem estar presentes na vida de qualquer pessoa.

Voluntário em duas ações envolvendo literatura com crianças, Ramon Sanches, 35, alinha com a opinião da jornalista. “Eu utilizei do livro como ferramenta de aproximação com a criança. Com temas que fizeram parte do seu cotidiano, a criança criou um vínculo com os livros”, afirmou o consultor em tecnologia da informação.

Um dos trabalhos voluntários de Sanches é feito com a Instituto Fazendo História. Por um ano, o consultor de tecnologia da informação participou de encontros semanais com crianças em situação de abrigo. O outro trabalho em que participa é realizado pela Associação Viva e Deixe Viver, que consiste em contar histórias para crianças internadas em hospitais públicos. “É um jeito de aliviar a tensão no ambiente hospitalar”, falou.

Para Sanches, essas vivências mostram que a criança que lê tem uma comunicação melhor e consegue expressar o que está sentindo. O voluntário acredita que o livro faz com que a criança entre na história, a convida para ser protagonista. “E é por isso que elas [as crianças] pedem para repetir o mesmo livro várias vezes, pois a história deve conter algo que a faz reviver uma emoção.”

Mercado

Cristiane acredita que o mercado literário tem valorizado mais a criança, pois os livros não estão direcionados apenas à formação do futuro adulto, mas ao próprio leitor infantil. “A criança já é uma leitora desde que nasce. Já há um relacionamento com o livro, seja só em imagem ou com as palavras.” A professora entende, também, que há um envolvimento com a obra literária de quem está em volta da criança. “Eles [os livros] se torna algo para a família”, completou.

Sanches, por sua vez, acredita que há dois movimentos expressivos no mercado literário infantil hoje em dia. Um deles são as praças de livros populares, que são comuns em shoppings centers. O outro é o aumento de investimento das editoras em livros infantis. “Os temas são mais poéticos e agradam até aos adultos. Esse segundo movimento eleva o livro infantil ao patamar de uma arte”, disse o consultor.

O portal PublishNews faz regularmente ranking de livros mais vendidos. Na lista, é possível ver a classificação geral e por categoria, por mês e por ano. Nos últimos 12 meses, a editora que lidera a lista das publicações infantojuvenis é a paulista Nobel, que fica na 5ª posição do ranking geral dos livros mais vendidos no período. Entre os 10 livros mais vendidos em 2016, um é infantojuvenil.

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*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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