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Abandono de animais diminui 16% no sistema Anchieta-Imigrantes

por marina.harriz última modificação 11/06/2018 16h54
De janeiro a maio deste ano, 408 animais foram atropelados na principal ligação entre a capital e Baixada Santista

Publicado em 11/06/2018 16h06

Última atualização em 11/06/2018 16h54

Abandono de animais diminui 16% no sistema Anchieta-Imigrantes
Existem 30 milhões de animais abandonados no Brasil, sendo 10 milhões de gatos - Foto: Larissa Pereira/RRO

GIOVANNA VIDOTO
Da Redação*

A população de cães e gatos no Brasil é a segunda maior do mundo com 52,2 milhões de cachorros e 22,1 milhões de felinos. Segundo a Organização Mundial da Saúde são 30 milhões de animais abandonados no Brasil, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cachorros.

As formas de abandono são diversas, mas o que acontece muito é o despejo desses animais em vias expressas. De janeiro a maio deste ano, 408 animais foram atropelados no sistema Anchieta-Imigrantes, sendo a maioria cachorros.

No começo do ano, a ARTESP (Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo) sugeriu a campanha “Seja Um Tutor Responsável” contra o abandono de animais em estradas. Desde 29 de março deste ano, mensagens estão sendo exibidas em painéis eletrônicos da Anchieta, além de posts no Twitter e cartazes em postos de serviços ao longo das rodovias.

Segundo a coordenadora de sustentabilidade da Ecovias, Débora Costa, a adesão da empresa à campanha foi imediata. “É muito importante conscientizar os donos dos animais que devem mantê-los em segurança”, conclui. A Ecovias não possui o número de animais abandonados na cidade, mas a quantidade de atropelamentos nas vias diminuiu 16% em 2017, comparado ao ano de 2016.

O abandono de animais de estimação no país é alto. Em cidades de grande porte como São Paulo, para cada cinco habitantes há um cachorro. Destes, 10% são abandonados. Muitos desses animais foram comprados em pet shops ou por motivos de modismo e status. A veterinária Maria Marta Lecci Capelli, 58, deu o exemplo do filme 101 Dálmatas que, após a estreia, fez com que diversas pessoas adotassem ou comprassem o animal sem ter consciência de que o cachorro é de médio porte e bagunceiro. “Ao invés de ir na cola dos outros, é bom se informar com um médico veterinário. Tem que ser uma decisão como a de ter um filho”.

A dona de casa Gislaine Fiamengo, 36, comprou um cachorro da raça maltês com quatro meses de vida por achar um cachorro bonitinho e cativante. “Eu sabia que era dócil, uma criança. Queria um cachorro de pequeno porte pelo fato do espaço que eu tenho na minha casa”, esclarece. Gislaine nunca adotou um animal, mas é contra o abandono de animais. Ela acredita que hoje em dia o mundo é muito corrido no dia a dia e que as pessoas acabam largando muito as coisas. “Eu acredito que as pessoas ajam por impulso, sem pensar em toda consequência, que o animal precisa de carinho, de cuidados, atenção e um certo gasto com saúde e higiene básica”.

A estudante Larissa Jerez, 21, adotou um cachorro vira-lata que foi achado na rua. Uma amiga encontrou a cadela amedrontada e levou um dia para conseguir pegá-la e levá-la ao veterinário. “No mesmo dia trouxemos ela para casa e nos apaixonamos. Tínhamos perdido a nossa outra cadelinha há menos de um ano e ela veio em excelente hora para confortar nossos corações”, contou ela. Larissa é contra a venda de animais por saber que vários cães são abandonados todos os dias. “Eu sou basicamente contra comercializar vidas. Além disso, no mercado de vendas de animais, as fêmeas são submetidas à uma série de gestações, uma em seguida da outra, e muitas vezes vivem em condições terríveis até serem descartadas nas ruas quando não podem mais gerar filhotes”.

A veterinária ainda ressalta que é importante adotar e não comprar os animais. “Existem muitos animais abandonados pela imprevidência das pessoas antes de pegar o animal. Se você gosta de bicho, não precisa ser de raça”, ela esclarece. O animal não é um objeto que você pode se desfazer se não gostar, afinal, ele também é um ser vivo. Muitos animais não têm um lar para ficar ou uma família para amar e apenas procuram um lugar para chamar de seu. “Você não precisa comprar um amigo”, finaliza Maria Marta. Mas, comprando ou adotando, se deve ter consciência da nova responsabilidade com outro ser vivo e o mesmo cuidado e carinho com eles.

Desde de 2008, existe uma lei no Brasil para combater os maus tratos contra os animais. O artigo 32 da Lei 9.605/98 determina detenção de três meses a um ano e multa a quem praticar ato de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação de animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos ou realizar experiência dolorosa ou cruel. A punição é aumentada de um sexto a um terço se ocorrer morte do animal.

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*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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