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Abandono de coelhos aumenta durante a época da Páscoa

por natalia.rossi última modificação 28/03/2018 12h36
Grupos e páginas em redes sociais se dedicam a resgatar os animais abandonados

Publicado em 28/03/2018 12h08

Última atualização em 28/03/2018 12h36

Abandono de coelhos aumenta durante a época da Páscoa
Ninhada de coelhos resgatada pelo Grupo de Apoio ao Coelho estão para adoção na página do grupo - Foto: Reprodução Facebook/GCA

NATÁLIA ROSSI
Da Redação*

A compra compulsória de coelhos na época da Páscoa resulta em abandonos meses após a comemoração. O problema é tão sério que existem atualmente páginas e grupos no Facebook destinados à conscientização das pessoas, resgate e adoção destes animais.

Fernanda de Azambuja Assumpção, 30, faz parte do Grupo de Apoio aos Coelhos – GAC, página no Facebook destinada ao resgate e adoção de coelhos abandonados e resgatados de situação de maus tratos. O Grupo recebe cerca de 50 denúncias por ano, e ela diz que as denúncias aumentam consideravelmente após a Páscoa.

Fernanda conta que os resgates são feitos principalmente em casas de acumuladores, escolas e nas ruas.  “Os coelhos muitas vezes chegam até nós desnutridos e machucados, com fêmeas prenhas, as vezes com mais de uma ninhada.”

O médico veterinário e professor da Universidade Metodista de São Paulo, Paulo Sérgio Salzo, 51, destaca que o ato de presentear coelhos vivos para as crianças não é recomendável em nenhum momento. “Existe uma ideia de que esses bichos não adoecem, não têm problemas, não têm doenças. Tratam realmente como se fossem um objeto”, diz o especialista.

Grupo de Apoio aos Coelhos
Imagem postada na página do Grupo de Apoio aos Coelhos como parte de campanha de conscientização da causa - Foto: Reprodução do Facebook/GCA

O médico alerta também que o destino de um coelho abandonado não costuma ser feliz. “Os animais provavelmente nasceram num criadouro, não nasceram na natureza. Então, quando a pessoa o abandona no meio de uma praça, de uma floresta, esses bichos não tem a menor condição de sobreviver. Eles não foram criados dessa forma”, destaca. Além de poder transmitir doenças para animais e para as pessoas, os coelhos abandonados acabam sendo atropelados ou servindo de presa para outros predadores.

O GAC tem um processo rigoroso para adoção. É necessário preencher um formulário, passar por entrevista, autorizar a visita do grupo no local e ainda participar de acompanhamento após receber o animal. Ainda assim, Fernanda conta que alguns coelhos chegam a ser devolvidos logo após serem adotados. “Acontece com frequência. Por mais que seja feita uma seleção 

Outro problema é o uso dos animais como decoração. No começo de março, o shopping Prataviera em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, divulgou uma ação de Páscoa com coelhos vivos para que os clientes tirassem fotos. Diversas páginas do Facebook se mobilizaram para fazer com que o shopping cancelasse o evento, o que eventualmente deu certo. “[Essas ações] são atitudes lamentáveis. Coelhos são animais muito sensíveis e assustados que podem literalmente morrer de susto”, diz Fernanda, que participou da mobilização para o cancelamento da ação do shopping.

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Salzo explica que antes de adotar um coelho, ou presentear o coelho para algum membro da família, a pessoa deve ir atrás de um veterinário especializado em animais silvestres e procurar entender quais são as necessidades desse animal. Se o animal for presente, perguntar antes se a pessoa vai se comprometer com os cuidados desse bicho é fundamental para o bem-estar da família e do coelho.

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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