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Banca de jornal no Rudge Ramos é especializada no comércio de HQs

por marina.harriz última modificação 27/03/2018 18h24
Jornaleiro da região inova e faz uso das redes sociais para a venda aos apaixonados por quadrinhos

Publicado em 27/03/2018 18h24

Última atualização em 27/03/2018 18h24

Banca de jornal no Rudge Ramos é especializada no comércio de HQs
Quadrinhos viram produtos principais em banca de jornal no Rudge - Foto: Andressa Navarro/RRO

ANDRESSA NAVARRO
Da Redação*

Há mais de 20 anos jornaleiro, Régis Carillo, 58, tem uma banca na Avenida Caminho do Mar no Rudge Ramos. Com a queda nas vendas de jornais e revistas teve de se reinventar, não só no produto, mas também, na forma de vender. Amante de quadrinhos, Régis sempre vendeu HQs, mas foi só a partir de 2016 que começou a postar no Facebook fotos com as novidades da banca. Seus clientes, que se tornaram amigos na rede social, começaram a fazer pedidos para guardar volumes e edições específicas. A popularização na rede e junto à inserção em grupos especializados, e a diminuição da demanda de impressos, fez com que Régis focasse na venda exclusiva das Histórias em Quadrinhos.

Com pessoas de todas as idades, as HQs conquistaram e vêm conquistando um público cada vez mais amplo. O que antes era passatempo, ou só distração, hoje é levado a sério, com coleções ininterruptas, edições especiais e grandes eventos focados no mundo dos geek como a CCXP (Comic Con Experience). O técnico em informática João Lucas Lemos, 22, coleciona quadrinhos e mangás há, mais ou menos, 10 anos e diz sentir falta de mais bancas de jornal que vendem HQs e Mangás.

Morador de Diadema, Lucas conta que, antes, comprava quadrinhos com um jornaleiro da sua cidade, mas que ele fechou e se mudou para a Vila Mariana, o que o fez procurar um novo vendedor. Cliente fiel de Régis ele acredita que a falta de pontos de venda, em parte, é culpa das facilidades da internet "Tem muitas bancas que eu conheço em que eu comprava quadrinhos quando era criança que já fecharam por causa disso, não aguentam, acabam não vendendo e fecham, por causa da internet”, mas afirma que o uso do Facebook, no caso do Régis, é diferente, pois ele guarda exemplares e tem todos, diferente das grandes lojas online, que quando acabam os estoques, não tem como.

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O professor Marcelo Carneiro, 50, cliente dessa banca no Rudge há seis meses, conta que a maior vantagem em comprar com o Régis é a facilidade que ele criou das redes sociais.” Essa ideia dele de usar o Facebook é muito boa, facilita as coisas, é difícil achar um lugar que tem tanta variedade como a banca dele, e ele é bem acessível.”  Além da página no Facebook, o jornaleiro acumulou diversos clientes fiéis em seu perfil privado, que, depois de algum tempo, chama de amigos, é nele que faz publicações das novidades da banca e mantem seus compradores atualizados sobre as tendências e os produtos disponíveis.

No Facebook, os clientes têm oportunidade de fazer encomendas, o que facilita a relação dele com os fregueses. "Eu tenho clientes em todo o Brasil, esses dias mesmo, uma menina fez uma encomenda de "Lucifer" lá para Manaus, foi o mais longe que mandei uma revista", conta Régis. Além disso, os mais de 20 anos de banca de jornal e venda de HQs fez de Régis participador ativo de diversos grupos especializados em quadrinhos nas redes sociais, o que além de aumentar sua importância fez com que fosse conhecido no mundo das revistas, até ser indicado para pessoas que buscam um bom vendedor de HQs.

O pastor e youtuber de um canal sobre História em Quadrinhos, João Roberto da Costa, 44, morador do Mato Grosso do Sul conheceu Régis pelas redes sociais, em grupos sobre o tema, e conta que, depois que a Panini, principal responsável pelo abastecimento de HQs do Brasil e detentora de títulos de tradução como a Marvel e a DC, mudou a forma de distribuição das revistas, foi quase impossível encontrar HQs em sua região. Conta que Régis foi como um salvador para ele e outros colecionadores, pelo fato da realização de entregas no país. Com uma média de 15 a 20 quadrinhos comprados por mês, João diz que o profissionalismo e capricho de Régis com os quadrinhos, faz com que ele continue comprando e indique a diversos amigos que buscam um vendedor.

 *Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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