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Fake News: as armadilhas em época de eleição

por giulia.marini última modificação 09/08/2018 13h16
Os cuidados que os eleitores devem tomar ao ler notícias sobre um candidato

Publicado em 09/08/2018 11h27

Última atualização em 09/08/2018 13h16

Fake News: as armadilhas em época de eleição
Iberê Thenório, do canal Manual do Mundo no Youtube é apresentador do curso Vaza Falsiane - Foto: Divulgação

GABRIEL BATISTELLA
GIULIA MARINI
Da Redação*

“Eu já coloquei links no Facebook e já enfrentei desentendimentos por apenas ter dado minha opinião”. A realidade do microempresário Wellington Simão, 34, não é única.  Quantas vezes espalharam links não apurados que acabaram virando motivo de discussão?

 A existência de Fake News não é novidade no mundo digital. É cada vez mais comum encontrar links nas redes sociais abordando temas que atraem a curiosidade do leitor. Uma pesquisa realizada por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts publicada em março de 2018, revela que a maioria das Fake News compartilhadas são sobre política. Em época de eleição, as  notícias sobre candidatos são frequentemente disseminadas pela internet como propaganda eleitoral.  É a partir da manchete chamativa que as pessoas acabam repassando sem, ao menos, fazer uma checagem.

Alessandra Lourenço Simões, especialista em Segurança da Informação e professora de Engenharia de Tecnologia da Universidade Metodista de São Paulo, explica que existem dois tipos de multiplicador de notícias: um que compartilha sem checar pela grande quantidade de notícias que recebe e pela falta de tempo, e outro que cria e espalha propositalmente. “Alguns são pagos para disseminarem notícias falsas, muitas delas, ligadas a área de marketing e mesmo na área de TI. Eles desenvolvem a notícia e através de perfis falsos (criados por eles próprios) a compartilham”, conta.

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Mas, como se livrar dos rumores? Existem alguns sites que detectam quando a notícia é falsa, mas nem todos são confiáveis. "Por trás de qualquer produto ou serviço de tecnologia  sempre existe um código  específico que o operador pode direcioná-lo para onde quiser. Ele pode  estar falando a verdade ou pode estar mentindo, você não sabe o embasamento dele”, explica a especialista. Alessandra também reforça que o melhor a fazer quando o assunto é Fake News é o próprio leitor averiguar e checar se a notícia é verdadeira.

Foi pensando nisso que alguns profissionais de comunicação criaram um curso online que reúne 11 vídeos e 16 testes on-line para ajudar os internautas a perceberem quando uma notícia é falsa. O objetivo das aulas lançadas na quinta-feira passada (2) é fazer com que o próprio leitor tome a iniciativa de procurar veracidade das notícias. 

Leonardo Moretti Sakamoto, jornalista e doutor em ciências políticas, afirma que a falta de informação de qualidade afeta a boa democracia. "Na verdade, época de eleição é apenas um gancho, até porque esta será provavelmente uma das eleições em que a desinformação mais afetará todo processo eleitoral brasileiro”. Sakamoto afirma também que as pessoas talvez não saibam os riscos que elas correm quando compartilham, curtem ou publicam qualquer notícia falsa e isso pode causar processo ou prejudicar a percepção da população sobre as informações.

O curso  tem o título irônico Vaza Falsiane (uma alusão  àqueles que compartilham notícias falsas) e conta com a participação do jornalista Ivan Paganotti, professor do mestrado da FIAM-FAAM. Ele fala um pouco sobre como o curso pode ajudar o eleitor durante os poucos meses que antecedem a eleição. Os brasileiros devem ficar atentos aos candidatos e tomar cuidado para não venerar personalidades políticas: “Os partidos estão se mobilizando para conquistar os votos, e os eleitores que vestem a camisa de um certo candidato passam a propagar conteúdos às vezes duvidosos no processo de eleição”, sintetiza.

 

 

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo.

 

 

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