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Sem muita animação pelas ruas do Rudge Ramos, a Copa do Mundo divide opiniões

por marina.harriz última modificação 08/06/2018 17h16
Donos de estabelecimentos, como bares e restaurantes, dizem não ter programação para os jogos; Já comerciantes apostam nas vendas de produtos relacionados ao evento

Publicado em 08/06/2018 16h43

Última atualização em 08/06/2018 17h16

Sem muita animação pelas ruas do Rudge Ramos, a Copa do Mundo divide opiniões
Mesmo com desmotivação em relação à Copa, alguns bares do bairro, como o Dino's Bar, já estão enfeitados para o evento - Foto: Marina Harriz/RRO

MARINA HARRIZ
VICTOR AUGUSTO
Da Redação*

Faltando apenas seis dias para a Copa do Mundo, os brasileiros ainda não mostraram tanta animação para o evento com sede, este ano, na Rússia. Segunda pesquisa realizada pela revista Veja, apenas 10% da população se interessa mais pela Copa do que pela operação Lava Jato, assunto que vem estremecendo o país e a sociedade desde março de 2014.

E esse número reflete nas ruas do Rudge Ramos. Bares, padarias e restaurantes não mostram empolgação com a Copa. A reportagem entrou em contato com alguns estabelecimentos do bairro e a maioria diz não ter nenhuma programação certa para os dias de jogos.

É o caso da Padaria Bella Imperial. O responsável Joselândio Diniz conta que, de imediato, não há planos "Estamos analisando o que vamos fazer e vendo a necessidade dos clientes”. Mas ele ainda acrescenta que não houve procura por parte dos mesmos. “Estamos na expectativa e, independente de qualquer coisa, vamos decorar", disse.

A mesma resposta veio da Padaria Belamari Pães e Doces. "Por enquanto, a gente não tem nenhuma programação. Estamos apenas planejando”, conta a responsável Regina Garcia.

Já no Bar do Minho a resposta foi diferente. Por lá o objetivo é servir o almoço e, por esse motivo, o proprietário Daniel Terrom, comenta sobre uma remota expectativa. Como os horários dos jogos são antes ou depois do almoço, então não é foco o pessoal vir aqui, tomar cerveja. Se vier veio, se não tudo bem. O bar vai estar aberto normalmente e a Copa é consequência".

O Dino’s Bar já está todo decorado. Na Copa de 2014, “o movimento foi fraco, mas a gente espera que esse seja melhor”, comenta o dono do bar Dino José de Oliveira. 

Porém, há alguns comércios na região que usam de táticas para atrair espectadores. O restaurante Ragazzo, por exemplo, disponibilizará som acústico, uma tela e ainda terá decoração temática da Copa. Além disso, quem comparecer nesse período poderá desfrutar de chopp em dobro. No entanto, até o momento, não há data prevista para essa promoção começar. 

Outro ainda é a Padaria Villa Inca. Atualmente, existe uma promoção de quem comprar um almoço, ganha um chopp. E ela vai permanecer até o final do campeonato. Mesmo assim, o local demonstra receio. "Vamos ficar abertos se tiver movimento na rua, se não, vamos fechar para nos prevenirmos de assaltos, assim como fizemos na edição anterior”. 

Expectativa alta no comércio

Por outro lado, a expectativa para as vendas de artigos da seleção no bairro parece crescer bastante, principalmente em lojas de varejo e bancas de jornal, que estão no “clima da Copa”, expondo em seus comércios desde cornetas até bandeiras grandes. “A expectativa é que chegando no início da competição, tenham boas vendas de artigos de decoração, bandeiras, chapéus, todos esses segmentos de enfeite. Estou bem otimista” diz o vendedor Marcelo Fuzetti.

Já artigos para cabeça e brincos também são procurados. Na loja "Bruna Bijuterias" o que é mais pedido, além das tiaras, são as vuvuzelas e também bandeirinhas para colocar no carro. "A venda foi boa e estamos esperando receber mais alguns artigos", conta a vendedora Gabriela Zafolim.

O vendedor ambulante, que prefere ser chamado pelo nome de Guga, acredita que a Copa pode unir os brasileiros neste momento conturbado no país. “Falar de política nessa hora é difícil, nós temos que nos juntar, é uma festa [a Copa do Mundo], brasileiros gostam de festa”.

Embora a população, no geral, esteja preocupada com a situação política do Brasil, muitos acreditam que a Copa pode ajudar neste cenário, mas que não vai ser o suficiente para causar mudanças significativas, como diz o estudante Kaique Nascimento, de 20 anos. “Se o Brasil ganhar a Copa do Mundo, acredito que possa dar esperança para o povo e fazer com que as pessoas vão para a rua reivindicar um país mais justo, sem corrupção. Mas, no caso, o povo terá que votar consciente já que esse ano temos eleições para a presidência”.

Kaique afirma que sempre amou futebol e está animado para o evento, já que o mesmo só ocorre de quatro em quatro anos. “É claro que a situação em que o país se encontra não é animadora, mas nesse um mês de Copa, podemos "esquecer" esses problemas e nos unirmos com as pessoas que nós gostamos e ter 90 minutos de amizade, alegria e festa.”, afirma o jovem.

A estreia brasileira na copa será no dia 17 de Junho, contra a Suíça, às 15 horas.

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

 

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