Exportações no ABC aumentam mais de US$ 1 bilhão neste ano
Cidade de São Bernardo é responsável por 64% do total exportado
ELDER MONTEIRO
Da Redação*
A região obteve um aumento de US$ 1.221.310.726 nas exportações, entre os meses de janeiro e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período de 2010, atingindo o volume total de US$ 5.003.087.298. Os dados são de pesquisa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Nas importações, o ABC também registrou aumento de 24,12%, totalizando US$ 4.043.001.919, o que representa um saldo positivo na balança comercial de US$ 960.085.379
Apesar de ser responsável pela maior parcela das exportações do ABC (64%), São Bernardo teve queda no índice de 1,7%, enquanto Santo André e São Caetano tiveram aumento, respectivamente, de 1,73% e 0,51%. Entre os produtos mais exportados pela cidade estão chassis com motor, tratores rodoviários e automóveis.
Segundo o economista Volney Gouveia, a cidade líder de exportação possui alguns fatores como tradição, localização, logística e características sócio-econômicas, que a diferenciam das demais.
Também por contarem com infraestrutura mais desenvolvida, São Bernardo, Santo André e São Caetano respondem por quase a totalidade das exportações da região (88,31%). “Os três municípios reúnem as principais montadoras, o que fazem delas carros chefes, quando comparadas às cidades menores”, comenta o especialista.
Já o destaque negativo na região ficou com o município de Diadema, que registrou um déficit de US$ 321.178.584, causado pela crescente importação de produtos e estabilização das exportações. De acordo com os dados divulgados, os produtos mais importados na cidade estão ligados a área de construção civil, como equipamento de elevação de carga e descarga e terraplanagem.
Porém, nem sempre um déficit pode ser encarado como ruim para um município. Isso porque o valor gasto com importação pode servir para estimular a economia local, gerando empregos e consequentemente movimentando a cidade.
“No nosso caso, o volume de importações se deve ao grande número de indústrias de autopeças presentes na cidade. Ou seja, buscamos alguns materiais básicos fora do país e vendemos depois os produtos finalizados às cidades vizinhas”, disse o diretor de Desenvolvimento Econômico de Diadema, Walter Bottura.
De acordo com Volney Gouveia, o fato de os outros municípios da região não conseguirem exportar como as grandes cidades do ABC, se deve principalmente a falta de industrialização das cidades. Para aumentar as taxas de exportações, o especialista sugere mais atrativos para as empresas internacionais. “A melhor alternativa seria que as indústrias estrangeiras viessem para o Brasil. Com isso, os valores das peças e dos produtos iriam baratear para as empresas nacionais, que no processo produtivo utilizam em média 20% de peças internacionais”, disse Gouveia.
*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo


