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Inexperiência dificulta entrada de jovens no mercado de trabalho

por gabriel.costa última modificação 14/06/2017 22h23
Desemprego na faixa etária cresce no 1º trimestre de 2017

Publicado em 14/06/2017 16h25

Última atualização em 14/06/2017 22h23

Inexperiência dificulta entrada de jovens no mercado de trabalho
Após se arrumar, checar os dados e imprimir o currículo, Hesky inicia mais um dia na busca por emprego - Foto: Ivens Zanetti/RRJ

GABRIEL MENDES
IVENS ZANETTI
Especial para o Rudge Ramos Online*

O estudante de engenharia de energia da UFABC Gustavo Hesky, 21, de São Bernardo, acorda todas as manhãs às 8h, se arruma e vai para a rua entregar currículos de empresa em empresa atrás de um emprego. 

Hesky conta que procura um estágio desde julho de 2016 e, apesar de ter feito diversas entrevistas, nunca foi contratado. “Faço um roteiro de empresas onde posso entregar meu currículo e saio andando por aí. Sempre faço uma rota no dia anterior para conseguir atingir o maior número de empresas possíveis”, comentou o universitário.

Na rotina de buscar um trabalho, o estudante conta até fatos inusitados que aconteceram com ele. Em um deles, disse que já ficou preso no elevador com a recrutadora antes de uma das entrevistas. “O elevador da empresa quebrou comigo e mais cinco candidatos. Foi uma situação engraçada porque tivemos que ficar 20 minutos esperando e acabamos fazendo uma dinâmica para relaxar. Foi diferente.”

A taxa de desocupação no Brasil foi de 13,7% no 1º trimestre de 2017, segundo o IBGE. Mas entre jovens de 18 a 24 anos, o número cresceu. Nessa faixa etária, o desemprego bateu o recorde de 28,8% no período, cerca de 3,8 milhões de pessoas. No primeiro trimestre de 2016, esse número era de 2,9 milhões.

Segundo o economista Sandro Maskio, um dos fatores que mais dificultam a contratação de jovens por parte das empresas é a falta de experiência e a ausência de uma formação mais completa. “É um comportamento típico do mercado de trabalho, inclusive isso acontece em outros países. Claro que com o momento econômico que vivemos, com um mercado de trabalho mais concorrido, fica mais difícil para o jovem.”

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Apenas 16% dos jovens brasileiros chegaram ao ensino superior, já entre os adultos, o número cai para 14% se comparado à média dos mais de 40 países analisados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os dados são da pesquisa Education at a Glance 2016, divulgada em setembro de 2016.

Para o estudante de engenharia, a dificuldade em encontrar um emprego está no tempo de duração do curso superior. “Estou no terceiro ano. O período máximo de estágio é de dois anos. Eles não querem contratar uma pessoa que logo vai embora, querem alguém que possa fazer esse estágio e depois ser efetivado.”

Também procurando trabalho há seis meses, o estudante de ciências sociais Murilo Henrique Silva, 22, de Santo André, vive situação oposta à de Hesky. Mesmo frequentando o curso superior há cinco semestres, ele não prioriza o estágio ao buscar um emprego, já que o objetivo principal é um só: pagar a faculdade.

Silva, que hoje corre atrás do prejuízo, dividiu a mensalidade com os pais com um dinheiro que guardou durante o período de estágio que realizou logo que entrou na universidade. “Currículos embaixo do braço e batendo de porta em porta nas agências em busca de um agendamento de emprego ou até mesmo alguma vaga que esteja ali sobrando, mas ninguém tem demonstrado interesse”, disse.

O estudante de ciências sociais acredita que existe um perfil pré estabelecido das empresas na hora da contratação, e que, por não se encaixar nesse padrão, ainda não foi selecionado. “A maior dificuldade é que, por conta da economia, muitos negócios sucateiam a função dos trabalhadores para ressarcir as suas próprias despesas.”

Para Maskio, a dificuldade do jovem não está ligada só à atual economia do Brasil, mas também ao fato de que, atualmente, os jovens chegam mais tarde ao mercado de trabalho em relação a 15 ou 20 anos atrás. “Então, temos jovens sem experiência para um volume de demanda bem menor”, contou o economista.

Necessidade

Hesky diz que o principal motivo para procurar emprego é não depender financeiramente dos pais. “Tenho 20 anos e moro sozinho. Meus pais foram para Mato Grosso do Sul. Então, quero ocupar minha cabeça e ter o meu próprio dinheiro para não depender tanto deles.”

Já Silva conta que escolheu a área de ciências sociais pelas diversas opções de emprego como o campo de pesquisa e o de lecionar em universidades. “Meus outros gastos se baseiam em coisas como alimentação, transporte para chegar até a universidade e as despesas com os materiais para o estudo.” 

*Esta reportagem foi produzida por alunos do Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo
 

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