Secretária de Educação de São Bernardo aponta as dificuldades e propostas para a cidade
As propostas voltadas para a educação inseridas no Plano de Governo do atual prefeito da cidade, Luiz Marinho, apontam melhoras no transporte escolar, na política de entrega dos uniformes e materiais escolares, eliminação no déficit de vagas, entre outras. Nestes quase dois anos de gestão, a Secretária de Educação do município, Cleuza Repulho, aponta as melhorias da cidade e as principais dificuldades.
Segundo Cleuza, ao assumir a Secretaria, a falta de dados foi o que mais a impressionou, mas outros pontos como falta de profissionais, salas de rodízio e déficit de vagas foram os principais problemas encontrados. Até o ano passado a cidade tinha treze escolas com sistema de rodízio, no qual uma turma fica no pátio enquanto a outra fica na sala de aula e vice-versa. Hoje ainda há cinco escolas. “Nós estamos caminhando para mudar isso. Se ainda tem 11 mil crianças fora da escola, porque colocaram todos os recursos na Cidade da Criança e não construiu escola? Porque eu acho que a prioridade de qualquer cidade é: todas as crianças na escola e depois você vai melhorando e aprimorando coisas que estão faltando”, disse
Déficit de vagas
Em 2009, uma ação feita pelo Ministério Público multa São Bernardo com R$ 50 por dia e por criança fora das creches. Atualmente, a cidade possui 11.948 crianças de 0 a 5 anos fora das escolas e a multa já passou de R$ 150 milhões. “Nós podemos ser multados a qualquer momento e por isso temos como fixação e determinação criar 14 mil vagas, disse.
A cidade possui um convênio com 30 instituições assistenciais e a Prefeitura paga a cada uma delas R$300 por criança. O objetivo é de sanar o déficit de vagas. As crianças que estão na fila de espera por vagas na rede municipal fazem uma inscrição e são encaminhadas para essas entidades, onde recebem as mesmas aulas da rede de ensino. Com essa parceria, são sanadas cerca de 3.000 vagas. Segundo a secretária, a parceria foi feita com todas as entidades da cidade, e que o único jeito de acabar com o problema é construindo novas unidades.
“Não há mais entidades. Nós deixamos o edital aberto para que a qualquer momento que qualquer entidade queira fazer a parceria, nós fazemos o convênio. A capacidade de conveniamento da cidade já está esgotada. Eventualmente pode aparecer, mas com capacidade para quantas crianças? Cem? Nosso problema aqui é de mil e pra mais de mil.”
Em março deste ano, houve reclamações feitas pelas instituições que alegavam demora no repasse das crianças. Porém a secretária nega alegando que todas as vagas das creches assistenciais foram preenchidas. “Todas estão com a sua capacidade completa, na Paulicéia e no pós - balsa eventualmente uma ou outra vaga acaba sobrando. Na Paulicéia, porque é uma região onde já não nasce tantas crianças e no pós -balsa porque tem a questão da distância. Mas hoje a capacidade de atendimento das conveniadas também já está esgotada, na nossa rede a capacidade também já está esgotada, por isso que só escolas novas dão conta de resolver o problema.”
Quanto à redução de crianças atendidas pelas creches no ano de 2008 para 2009, a secretária explicou que uma das entidades foi fechada por ficar localizada em cima de um córrego. As instituições precisam seguir os mesmos critérios da rede municipal de ensino, como saneamento básico, educacionais, entre outros. Elas passam também por inspeções feitas pela Prefeitura, no qual orientadores pedagógicos visitam as instituições a cada semana.
14 mil vagas criadas até 2012
“Tem sido mais difícil garantir vaga para todo mundo porque leva um tempo para construir escolas. Inicialmente, nós levamos um tempo grande para conseguir terrenos adequados nas regiões que a gente precisava. Leva tempo para organizar, encontrar terreno, fazer licitação, construir, equipar, contratar professor e colocar as crianças na escola”
As 14 mil vagas planejadas serão criadas por meio da construção de sete CEUS, localizados nos bairros Três Marias, Silvina, Parque Havaí e Vila São Pedro sendo que dois deles já estão em processo de licitação. “O investimento foi de quase R$ 120 milhões de reais com previsão de entrega em dezembro de 2011, para em 2012 os CEUs poderem funcionar”.
A Secretaria diz também que antes de 2011 novos projetos serão feitos também, como a ampliação de escolas que estavam sendo construídas. Até o começo do ano que vem inauguramos quatro escolas e mais uma creche. Com isto a fila já vai começar a andar mais rápido diminuindo o déficit em quatro mil. E os sete mil restantes serão sanados com os CEUs
Uniformes
Até maio deste ano, os uniformes não haviam sido distribuídos. A Secretária explica que o problema ocorreu devido ao atraso feito pela empresa e que já foi feito uma prevenção, para que não ocorra o mesmo problema em 2011. “Nós já demos a ordem de serviço para os uniformes de 2011 que devem estar chegando nas escolas no final de novembro, então antes das crianças saírem de férias os uniformes já estarão nas redes de ensino para que as crianças recebam no retorno das aulas”
Com essa solicitação, a Prefeitura vai pagar o uniforme duas vezes por ano, gastando o dobro. “Gastamos R$ 22 milhões no pedido do uniforme, como pedimos duas vezes este ano, gastamos R$ 44 milhões. Agora o kit é por aluno e já contém uniforme de inverno e verão.”
Próximos passos
Cleuza Repulho afirma que depois de 2011, quando conseguir sanar as vagas, as próximas metas serão qualificar o ensino na cidade. “Eu acho que a gente está cuidando muito fortemente desta questão de vagas e está investindo pesado na formação dos professores. Depois que essa meta for cumprida pretendo melhorar ainda mais a questão, trabalhar para que nós consigamos ter período integral em todas escolas porque eu acho que isso é uma meta ambiciosa e Ideb, porque o município tem essa condição.

