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Projetos inserem tecnologia na educação em São Bernardo

Laboratórios de informática, ambiente multimídia e laptops educacionais fazem parte das ações na escolas da rede municipal
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Publicado em 29/11/2012 14:05
Última atualização em 06/03/2013 19:35


THIAGO PÁSSARO
Da Redação*

Os mais de 41 mil alunos da rede municipal de ensino fundamental de São Bernardo contam com um diferencial na hora de estudar: a tecnologia. A cidade possui diversos projetos que visam a convergência dos conhecimentos digitais na educação.

“A ideia é inserir a comunidade escolar, sejam os funcionários, os professores e os alunos, no mundo digital. Para isso, nós temos os laboratórios de informática e o Ambiente Multimídia, por exemplo”, disse Nanci Folena Pereira Sousa, responsável pela Seção de Laboratório e Educação Tecnológica das escolas da cidade.

O Ambiente Multimídia está nos recém entregues CEUs (Centros de Educacionais Unificados) Regina Rocco Casa I e II e Celso Daniel. O local conta com equipamentos de áudio e imagem e uma lousa interativa, com tecnologia sensível ao toque. “O objetivo é a socializar e explorar os conteúdos de uma nova forma”, disse Nanci.

Os laboratórios de Informática fazem parte de outro projeto, que estão instalados nas escolas de ensino fundamental e EJA (Educação para Jovens e Adultos). Nos espaços, há cerca de 20 computadores, impressora e projetor. “Nesses ambientes acontece a familiaridade com a tecnologia, que favorece o desenvolvimento de vários conhecimentos”, destaca Nanci.

Outro projeto da prefeitura, que visa a inserção da tecnologia na educação, é o Conecta. Criado em 2010, o programa prevê uma inovação tecnológica e visa a renovação do parque de máquinas, aquisição de 15 mil laptops educacionais para o Programa Um Computador por Aluno (Prouca), alem do serviço helpdesk (apoio a usuários para suporte e resolução de problemas técnicos).

Os laptops já foram adquiridos e, segundo Nanci, todas as escolas já contam com as unidades. Os computadores pessoais fazem parte do Prouca. “Os laptops foram distribuídos de acordo com o número de alunos de cada escola”, explica Nanci. “Os estudantes podem usar semanalmente ou quinzenalmente, de acordo com o planejamento pedagógico de cada instituição. A ideia é que se amplie o uso para mais de uma vez por semana”, conclui.

“A diferença entre o uso dos laboratórios e dos laptops está na proposta pedagógica. Nos laboratórios, os trabalhos são feitos de forma coletiva. Nos laptops, com os recursos que eles oferecem, de forma individual. Com os computadores pessoais, os professores conseguem identificar o conhecimento de tecnologia que cada aluno possui”, destaca Nanci.

O programa Conecta prevê também a formação tecnológica dos professores. Para isso, o projeto Entremeios foi criado em 2010. “Ele é um ambiente virtual de aprendizagem e troca de informações para os professores, que podem discutir os projetos que estão desenvolvendo em sua respectiva escola e, proporcionar desta forma, uma socialização dos saberes. O foco é o desenvolvimento de habilidades para o uso de ambientes virtuais de aprendizagem”, explica a responsável pelos laboratórios de informática e educação tecnológica das escolas da cidade.

Já tradicional nas instituições particulares de ensino, a Robótica Educacional também está presente nas escolas municipais de São Bernardo. De acordo com Nanci, todas as unidades escolares possuem a aula dentro da grade curricular. “Os professores têm a opção de escolher a vertente que eles vão trabalhar mais em um determinado ano. Tem ano que eles podem ficar mais em robótica, outro mais em edição de vídeo etc. O objetivo é que o aluno tenha contato com grande parte das linguagens disponíveis ao longo dos quatro anos do ensino fundamental”, disse Nanci.

Uma tendência presente na internet, que as escolas municipais também utilizam, é o uso dos blogs pessoais. Cada instituição escolar possui o seu espaço pessoal na rede, em que os projetos que a escola realiza são divulgados nessa plataforma. Nanci destaca também uma preocupação que as escolas devem ter com as publicações. “A linguagem também é fundamental, já que o blog está disponível a diversas famílias com diferentes níveis de conhecimento”.

No site da Secretaria da Educação, estão disponíveis 39 blogs, de 73 escolas de ensino fundamental. “Os blogs são um local de divulgação de conhecimento com os resultados de projetos de cada escola”, explica a responsável. Nanci explica que nem todas ainda têm o link disponível,

pois há um processo de escolha de conteúdos. A escola precisa criar o respectivo blog, o professor fazer uma seleção e depois o orientador pedagógico aprovar o conteúdo. Após esse processo, a instituição escolar envia o link para a Secretaria de Educação postar no site.

Professores “conectados”
Para orientar os professores, as escolas contam com os PAPEs. O termo se refere a Professores de Apoio a Programas Educacionais, que tem como função orientar o docente de sala a ampliar o uso dos laboratórios para uso pedagógico. “Sempre que a questão tecnologia estiver envolvida, estes profissionais entram em ação”, ressalta Nanci.

Segundo a responsável, tanto os PAPEs,  quantos os professores de sala de aula, passam por formação presencial e virtual. No ano que vem, cerca de 800 profissionais serão treinados.

Os desafios
Quando o assunto tecnologia envolve a educação, uma série de complicações são apresentadas. Infraestrutura, conhecimento e informação, estes são os principais problemas que as escolas enfrentam na hora de implantar projetos, como os de São Bernardo. Mesmo no município, a responsável Nanci aponta alguns desafios a serem superados.

Um deles é a infraestrutura, como a internet, por exemplo, que depende de sinal. Além disso, há a questão da formação dos professores. “Os PAPEs devem apropriar, de forma real, os equipamentos e também conhecê-los. É necessário tirar desses recursos as maiores possibilidades e ajudar o professor de sala, ensinando-o outras formas de mostrar o conteúdo ou mesmo cobrar uma atividade”, explica Nanci. Em relação aos docentes de sala, a responsável também acredita que há o que melhorar. “Os professores também devem saber as oportunidades que as tecnologias oferecem, pois os recursos visam uma rápida apropriação desses conteúdos”, finaliza. E, por último, há também os estudantes, que poderiam ter acesso às tecnologias mais vezes na semana.

Por outro lado, Nanci também destaca a rápida adaptação tecnológica que as novas gerações têm mostrado. “Nós temos uma ideia de que os alunos têm dificuldades em lidar com a tecnologia, quando na verdade o maior obstáculo para eles é o tamanho do teclado ou mesmo do mouse. Eles já nasceram nessa era da informação. Há muitas crianças com habilidades incríveis”.

*Esta reportagem foi produzida pela Redação Multimídia da Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo.

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