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Decisão do STF de implantar ensino religioso nas escolas gera polêmica

por barbara.nascimento última modificação 05/10/2017 07h40
Parecer do supremo inicia debate na rede pública de educação e causa discordância

Publicado em 04/10/2017 16h38

Última atualização em 05/10/2017 07h40

Decisão do STF de implantar ensino religioso nas escolas gera polêmica
Ensino religioso confessional pode ser oferecido em escolas públicas- Foto: Rodrigo Monteiro/RRJ

BARBARA CAETANO
RODRIGO MONTEIRO
Da Redação*

A decisão do Supremo Tribunal Federal de que as escolas públicas e privadas podem oferecer aulas de caráter religioso voltado para a crenças específicas, o chamado ensino religioso confessional, tomada na última quarta-feira, 27, vem causando polêmica entre pais e profissionais da educação.

A escolha de quais religiões serão abordadas nas aulas pode ser tomada pelas escolas, no caso das privadas, e pela rede de ensino, no caso das instituições públicas de ensino. A questão em debate é a diversidade religiosa do Brasil e de como essas abordagens serão feitas. De acordo com o último censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, no Brasil existe a presença de 148 religiões ou cultos.  

Para a pedagoga Beatriz Brito, o ensino religioso não deveria fazer parte da grade curricular. Segundo a pedagoga, é preciso estar atento às necessidades dos diversos grupos sociais presentes em uma escola. “Quando você abre um espaço para determinada religião tem que abrir para todas e com o país do tamanho do nosso, com tanta diversidade cultural, seria uma falha no sistema de educação abrir salas que com certeza não contemplarão todas as diversidades dos nossos educandos”.

Por outro lado, a psicopedagoga Ketlyn Carmignoli, que atua em São Caetano, acredita que o ensino religioso pode ser benéfico. “Eu acho que é bom para as crianças conhecerem e terem uma noção das outras religiões”. Carmignoli se declara espírita e conta que não vê problema em matricular os dois filhos em uma escola que tenha o ensino religioso voltado para outras crenças.  

Outra questão que dificulta a implantação das aulas de caráter religioso nas escolas é o fato delas serem facultativas. Nesse caso, a escola deve fornecer outra atividade para os estudantes aos quais os pais optarem por não participar das aulas.

A divergência de opiniões também está presente entre os próprios pais e responsáveis que têm filhos matriculados em escolas municipais. José Carlos, 64, busca o neto todos os dias na escola e acredita que o ensino religioso é importante para as crianças. “Tem que ter. Sempre tive quando estudei. Isso não faz mal para ninguém. Mas precisa ser discutido porque cada um tem uma religião, a matéria deveria englobar todas”.

Já para a mãe Renata Lauri, 40, as aulas de ensino religioso nas escolas deveriam ser voltadas para o evangelismo. “Certas religiões são erradas. Prefiro o certo, para que as crianças aprendam bastante.”  

Ambos são responsáveis por alunos da EMEF Ângelo Raphael Pellegrino, localizada em São Caetano.  

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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