Você está aqui: Página Inicial / Notícias / Entretenimento / 2010 / Abril / Santo André completa 457 anos de história

Santo André completa 457 anos de história

por cultura — última modificação 07/04/2010 17h19
Com 674 mil habitantes e um ano mais velha do que a cidade de São Paulo, a história do município é marcada por contradições.

Publicado em 07/04/2010 17h19

Última atualização em 07/04/2010 17h19

Santo André completa 457 anos de história
Santo André: 457 anos de história. Foto: Camila Bevilacqua/RRonline

MARCO MESQUITA
Da Redação

Com uma área de 175 km², um ano mais velha que a cidade de São Paulo e com uma média de 674 mil habitantes, Santo André completa 457 anos de emancipação nesta quinta-feira (8).

A história do município é marcada por contradições. A oficial diz que a cidade remonta à antiga vila de Santo André da Borda do Campo, que existiu na região. Esta vila foi fundada por João Ramalho, imigrante português que em 8 de abril de 1553, teve seu pedido de transformar o local em uma vila atendido pelo governador-geral Tomé de Sousa. Em 1558, Ramalho passou a governar a vila como alcaide-mor. Em 1560, devido às rivalidades entre os padres jesuítas de Piratininga, o então governador-geral Mem de Sá decidiu transferir a vila para os campos de Piratininga, onde já se localizava o Colégio de São Paulo, atual Pátio do Colégio.

Para o jornalista Ademir Médici, Santo André é divida em duas histórias. “São duas cidades e duas historias. A primeira cidade é a Vila de Santo André da Borda do Campo. Em Portugal, “vila” significa cidade, então como tínhamos uma influência dos portugueses, foi criada a Vila Santo André. Ela foi oficializada em 8 de abril de 1953, mas foi extinta em 1560, quando a cidade teve seus moradores transferidos pra São Paulo de Piratininga, pois aqui o local era aberto e sujeito aos ataques dos índios inimigos. A atual cidade de Santo André surge em 1867 com a passagem da estrada de ferro. Desde lá, não houve interrupção no crescimento. Na época em que foi fundada a estrada de ferro, Santo André chamava Estação São Bernardo, que servia à sede da freguesia de São Bernardo”, explicou.

Ainda de acordo com Médice, o nome Santo André só ressurgiu em 1910, com a criação de um distrito às margens da São Paulo Railway ou Estrada de Ferro Santos Jundiaí. Nesta época, a região constituía o bairro da estação, do município de São Bernardo. Médici ainda lembra: “A primeira cidade que durou menos de 10 anos é do quinhentismo, que deve ser lembrada dentro do seu contexto, como uma cidade do Brasil que principiava. A nova Santo André surge com a passagem do trem e muda de nome. O antigo município de São Bernardo é o atual município de Santo André menor, daí foram criados os demais municipios que formam o ABC”, conta.

Já Antonio de Andrade, coordenador do curso de Rádio e TV da Universidade Metodista de São Paulo, diz que há uma divergência na data correta de emancipação da cidade. “Em 1930 é feita uma mudança nos municípios e criou-se então o município de Santo André, que incorporou o municipio de São Bernardo, e então apareceram problemas, porque a população não aceitou essa divisão. Isso dura ate o final da ditadura de Getúlio Vargas, chamado Estado Novo, que terminou em 1945. Então em 1945 é aceita a divisão: um município chamado São Bernardo e um município de Santo André”, afirmou.

Andrade ainda explica: “São Bernardo faz aniversario em 1553, mas não tem nada a ver, porque a população de São Bernardo não aceitava o fato de Santo André usar a data de João Ramalho. Então os dois municipios comemoram erroneamente essa data como 1553, mas isso são vertentes dos historiadores”.

Em 1889 foi instalado o município de São Bernardo, que incluía o território do atualmente denominado ABC, que corresponde a Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Habitantes - A população de Santo André foi formada a partir da chegada dos imigrantes, no início do século 19. “Quando foi criada a estrada de ferro, a população era formada por imigrantes europeus e brasileiros de outras partes do Brasil, que vieram trabalhar nas fábricas da cidade no século 19. Hoje esse perfil tem uma predominância de imigrantes do Nordeste do Brasil, mas não deixa de ter de outras partes do país”, disse Ademir Médice.

Quanto à família pioneira, Médici explica que a que mais se destacou no município foi a família Fláquer, chegando à cidade logo após a construção da linha férrea. “Tem antigas familias que viviam em sitios isolados, que eram antigos brasileiros. A primeira que se sobressaiu, em função da estrada de ferro, foi a familia Fláquer, que era de origem espanhola, radicada em Itu e que veio pra cá logo depois da passagem da estrada de ferro. José Luiz Fláquer, que era professor primário, entrou para a politica e foi eleito senador estadual, e ainda atuava como médico. Ele foi um dos primeiros médicos dos ferroviários da estrada de ferro. Mas tinham outras famílias, como a Homero Thon, Oliveira Lima e Cardoso Franco, que estavam aqui desde o século 19.”

Ações do documento

registrado em: