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Discos de Vinil são um marco na história de São Bernardo

por aluno última modificação 26/02/2016 09h19
Selos como Copacabana e Odeon se tornaram referência na região

Publicado em 03/12/2015 16h01

Última atualização em 26/02/2016 09h19

Discos de Vinil são um marco na história de São Bernardo
Fábricas de vinis lançaram nomes consagradas da música brasileira e internacional. Foto: Emerson Mota/RRO

EMERSON MOTA
FELIPE SIQUEIRA
MARCELO ARGACHOY
Especial para o RROnline*

O ABC já foi local de fábricas de discos de vinil no século passado, a Odeon e a Copacabana. De suas prensas para o resto do Brasil saíam long plays (LPs) de artistas da época, como Ademar Dutra, Marta Mendonça, Dino e Deno, Trio Parada, Benito di Paula, Gretchen e Zezé de Camargo e Luciano.

Para o jornalista e historiador do ABC, Ademir Médici, essas indústrias fazem muita falta nos dias atuais. “As duas empresas não resistiram às transformações tecnológicas, à chegada das fitas cassete, dos videocassetes, dos disquetes, dos CDs, DVDs e outros equipamentos mais modernos. Não foi, absolutamente, um fenômeno local, mas universal”, comenta.
A Odeon era uma indústria de origem inglesa e chegou ao Brasil em 1913, inicialmente na cidade do Rio de Janeiro e, depois, em 1949 em São Bernardo. Ficou em atividade até 1985. A chegada de CDs vieram substituir os famosos discos de 78 Rotações por Minutos (RPM). Hoje em dia é o local de uma escola e do Terminal Metropolitano de Trólebus e Ônibus Ferrazópolis.

Já a gravadora Copacabana foi fundada pela família Vitale no Rio de Janeiro. Tida como a maior gravadora de discos nacionais chegou ao bairro do Taboão, em São Bernardo, em 1949. Seu auge só veio na década de 1970. A empresa foi passada para os sócios Adiel Macedo de Carvalho, diretor-presidente da gravadora, que administrou a fábrica até o inicio da década de 1990. Veio então a decadência e os trabalhos foram encerrados.

A empresa do ABC era responsável pelas capas de discos e contava com muitos estúdios, inclusive até fora do país como em Nova Iorque, e também em demais cidades da América Latina. No auge, ela chegou a contar com 1.500 funcionários.

A Copacabana lançou cantores como o Trio Parada e Benito di Paula, Gretchen, e a dupla Zezé de Camargo e Luciano. Gravou discos de artistas já consagrados na época, como Chitãozinho e Xororó e Raul Seixas.

Estúdio em Santo André explica como é feita a produção de álbuns musicais para serem posteriormente prensados, ou em CD's ou em Vinil. Veja:

Para Marcelo Carvalho, neto de Adiel Macedo de Carvalho proprietário da companhia, o fim da empresa ainda traz boas lembranças a funcionários até os dias atuais: “Pessoas falam comigo e dizem que sentem muita saudade do meu avô e da empresa, que era um local muito bom para trabalhar. Segundo o impacto que teve sobre a vida delas foi muito grande e traz saudade”, afirmou.

Já para Hanerie Blumenschein, neto de João Blumenschein, diretor fonográfico da gravadora durante mais de 25 anos, afirma que os vinis fazem muita falta, e acha que o LP é um marco histórico: “Hoje os vinis são história. Existe um acervo histórico que deveria ser mais preservado, até pelas fábricas, o que sem dúvida ajuda na educação e principalmente na cultura”, disse.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista

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