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Jazz e blues têm poucos espaços no ABC

por cultura — última modificação 29/07/2008 11h57
Músicos do ABC falam sobre a pouca abertura de jazz e blues na região.

Publicado em 29/07/2008 11h57

Última atualização em 29/07/2008 11h57

Jazz e blues têm poucos espaços no ABC
Apesar de a região do Grande ABC esbanjar talentos não há investimento para que estes profissionais da música apareçam - Foto: divulgação

JULIANA FERNANDES
NATÁLIA PERIN VIEIRA
  

Muitos conhecem os ritmos de jazz e blues de ouvir falar. Outros, já tiveram um breve contato com o sonzinho do saxofone, bateria leve e piano improvisado.  No entanto, poucos sabem a real diferença entre um e outro. O jazz é proveniente da cultura norte-americana dos anos 20, mais especificamente de Nova Orleans, onde havia comunidades afro-americanas.

O estilo se desenvolveu com a mistura ritmada de swing, ragtime e notas de blues sincopadas. Já o blues é caracterizado pelas batidas repetitivas, no padrão pergunta e resposta e uso de instrumentos como piano, guitarra e gaita. O blues tem forte influência de sua raiz religiosa, com notas baixas vindas das  canções de protesto ou espirituais que eram feitas nas igrejas pelos escravos.

Além de estrangeiros consagrados entre clássicos e recentes como Billy Holliday, Louis Armstrong, Diana Krall ou Jane Monheit, o Brasil conta com vários talentos quando se trata do jazz e blues. No ABC, por exemplo, existe, há mais de oito anos, a Prado Blues Band, grupo de blues tradicional idealizado pelos irmãos Igor e Yuri Prado. O grupo vem se aprofundando num estilo pouco difundido no país, o Jump Blues ou West Coast Blues, uma fusão do blues tradicional com o swing jazz dos anos 30 e 40, um tipo de blues acelerado e dançante.

Apesar de ser do ABC, Igor Prado, que toca guitarra na banda, canta e produz discos de blues nacional, garante que mais de 80% dos shows são feitos em São Paulo. “Não é que não tenha público. Tem público sim, só falta uma pequena mídia, porque é só ouvir falar desse estilo que as pessoas vêm. Há dois anos atrás, o Don Quixote Pizza Bar, em São Bernardo, divulgou a Prado Blues Band apenas com algumas faixas na parte externa e poucos outdoors pela cidade. O resultado foi gente lotando o bar todos os fins de semana”.

Para Igor, embora os bares prefiram cantores com repertório e estilos variados, considerados mais populares, o público de jazz e blues é diferenciado pois tem poder aquisitivo maior e geralmente tem a faixa etária mais elevada. “Assim, para fazer um projeto de jazz e blues sério é mais difícil”.

Donos de bares na região também concordam. Para Alexandre Tavares,  proprietário do Bar Tupinikin, em Santo André, que abre espaço para músicas alternativas, não é possível um projeto de jazz durante todo fim de semana, pois não haveria público. "A região é muito rica em artistas desses estilos, mas carente em casas que os recebam. Percebemos que quando abrimos espaço para o blues e jazz às quintas-feiras, 80% do público é formado por artistas".

O professor de piano Ogair Rosa da Silva Júnior, da Fundação das Artes de São Caetano, acredita que grande parte dos músicos de jazz e blues, que trabalham profissionalmente, é do ABC. “É muito comum encontrar, entre uns shows e outros, músicos que, para a nossa surpresa, são do ABC. Acredito que isso se deva ao fato de que desde o fim da década de 60 a Fundação das Artes foi e ainda tem sido uma escola que sempre preparou os alunos para o mercado de trabalho e a maior parte deles é da região”.

Para o professor, está cada vez mais difícil o público em geral se interessar por estilos de música não disseminados. “Hoje em dia, infelizmente, não é o jazz, o blues ou a música instrumental que enchem os bares. Talvez por isso há poucos espaços para esse tipo de música. Os canais de TV ou emissoras de rádio também não divulgam. Então as pessoas não têm chance de gostar daquilo que elas não ouvem ou vêem”.

Outro músico da região, o saxofonista Flávio Bala, toca há 15 anos com uma banda composta por bateria, baixo e saxofone. Já gravou dois CD’s, sendo que um deles foi lançado este ano.  Ele concorda que os espaços para o jazz são restritos, mas acredita que há público grandioso e o que falta é  divulgação. “Existe um mercado de jazz, mas não dá viver só disso porque no ABC as únicas oportunidades para tocar são oferecidas pela prefeitura ou  por espaços de arte. Não há bares específicos para este estilo. Os estabelecimentos até gostam, mas as pessoas não vão porque não ficam sabendo”.

Concentração - Existem cidades que apresentam, todo ano, festivais especiais para o estilo e reúnem um público fiel. É o exemplo do Rio de Janeiro onde acontece todo ano o Festival do Rio das Ostras. Em Ribeirão Preto, promovido pelo SESC, há também o Festival de Jazz, um dos primeiros do Brasil a promoverem o estilo. Na região do Grande ABC, acontece, em Paranapiacaba, o Festival de Inverno, que sempre conta com a participação de um nome internacional do blues ou jazz.

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