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Atores de São Caetano usam ônibus para difundir teatro

por cultura — última modificação 15/06/2008 18h24
Trupe Sinha Zózima se formou na Fundação da Artes de São Caetano do Sul. Conheça um pouco mais da história desse grupo de atores e seu ônibus.

Publicado em 15/06/2008 18h24

Última atualização em 15/06/2008 18h24

Atores de São Caetano usam ônibus para difundir teatro
Os atores da trupe: Priscila Reis, Fernando de Marchi, Anderson Mauricio(em cima), Tatiane Lustoza, Evie Milani e Vanessa Cabral(em baixo). / Foto: divulgação

FERNANDA ASSEF e CAROLINA BORELLI

Em julho de 2007, um grupo de seis atores recém formados compra um ônibus para estrear a peça “Cordel do amor sem fim” dois meses depois. Fernando de Marchi, Vanessa Cabral, Priscilla Reis, Anderson Mauricio, Evie Milani e Tatiane Lustoza formaram a Trupe Sinhá Zózima . O nome foi escolhido em homenagem à professora Lídia Zózima, coordenadora do curso técnico de teatro da Fundação das Artes de São Caetano(FASCS), que os atores concluíram em dezembro de 2006.

“Buscamos dar um embasamento para que o aluno saia daqui refletindo e com a coragem, porque o artista deve ter esse bom senso de saber que se existe algo que o deixa frustrado, angustiado, ele tem de procurar os caminhos dele. Não pode ficar preso a escola tem de ir além, buscar as suas respostas”, diz a professora homenageada.

Os atores trazem no currículo peças montadas junto a outros alunos da FASCS. Entre elas, a peça de conclusão do curso “O Capeta em Caruaru” de Aldomar Conrado. A peça baseada na “Comédia dos Erros” de Shakespeare, conta a história do reencontro de dois irmãos gêmeos. A comédia regional, toda a encenação acontece em Caruaru (Pernambuco), já indica o caminho seguido pela trupe que prioriza uma pesquisa do regionalismo, do cotidiano e propostas contemporâneas.

“A gente queria mostrar a cara do Brasil, seja em Caruaru, seja em Carinhanha, mas mostrar também que os sentimentos humanos são universais. É uma coisa muito mágica e bonita que a gente decidiu fazer de uma maneira muito simples, através do olhar, da sensação”, comenta Vanessa Cabral.

Dentro da FASCS os atores da trupe tiveram aulas de produção e praticaram com esta montagem de formatura, em que precisavam discutir um projeto e negociar um apoio com o coordenador geral da fundação, Antonio Carlos Neves Pinto.

“Hoje não adianta dizer quero estudar arte. Sou um sonhador. Quero montar uma peça e preciso de 50 mil reais. Então aqui você aprende a montar um projeto, ver se é realmente 50 mil, e se é a quem você vai recorrer. Ao dinheiro público? Ao privado? É um exercício do que eles irão enfrentar até com maior dificuldade, lá fora nesse meio”, explica Antonio.

Depois de 22 apresentações na fundação, a peça ainda participou do “1º Festival de Cenas Cômicas dos Parlapatões” e ficou em cartaz no Sesc Ipiranga e no Galpão Rosa da Catarina, onde fez temporada com 16 apresentações. Esta foi a primeira experiência dos atores em temporada fora da fundação.

Com o fim das temporadas de “O Capeta em Caruaru”, os atores encontraram o texto “O Cordel do Amor sem fim”, de Cláudia Barral numa biblioteca pública. “Foi uma experiência do tipo “o primeiro sutiã”, sabe? Porque jamais esqueceremos tudo o que fizemos para que o Cordel nascesse sem nenhum incentivo a não ser o de nós mesmos e muita vontade de fazer o Cordel dar certo e muita ação para que a nossa temporada decolasse”, comenta Anderson Maurício, ator da trupe e diretor do espetáculo.

Decidida a peça, a trupe foi atrás do ônibus, idéia que surgiu também de um exercício na fundação. “Com esta infraestrurura nos tornamos independentes, a gente chega, divulga na praça, lota o ‘busão’ e vamos embora. É isso aí”, comenta a atriz Vanessa Cabral. Segundo os atores, o ônibus, fornecido pela Viação Transguarulhense, deverá acompanhar a trupe em suas futuras apresentações, já que proporciona que o público se sinta incluído na história, um cúmplice, um personagem sem a obrigação da participação física. “Às vezes um olhar de consentimento já nos diz tudo, uma lágrima no olho, mesmo que disfarçada, nos revela o passado do espectador. É uma experiência que alimenta a gente a continuar com o espetáculo sempre”, comenta Vanessa.

Outra vantagem é que durante o espetáculo as pessoas estão sempre observando a cidade, ouvindo os carros, etc. “O barulho da cidade, a iluminação das ruas, essa poluição sonora e visual também pode ser artística, bela. Fazer com que as pessoas busquem o belo nas coisas que estão à sua volta, que fazem parte do seu dia-a-dia mas que se tornam esquecidos com a rotina”, descreve Anderson.

Quem ainda não assistiu a peça “O Cordel do Amor sem fim” poderá conhecer a trupe em sua nova temporada no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo. O espetáculo deve estrear no dia 10 de julho e ficar em cartaz nas quintas às 20h e 21h. O ingresso custará R$15 e no dia 17 de julho R$2.

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