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Jovens usam internet sem supervisão

por cultura — última modificação 27/07/2010 22h46
Crianças e adolescentes estão sujeitos aos riscos da web sem o acompanhamento dos pais. Uma pesquisa realizada pela Telefônica em conjunto com a Universidade de Navarra apontou que 46% dos jovens acessam a internet sem supervisão

Publicado em 27/07/2010 22h46

Última atualização em 27/07/2010 22h46

GRAZIELE STORANI

Crianças e adolescentes de São Paulo passam grande parte do tempo navegando na internet sem o acompanhamento dos pais. Em uma pesquisa realizada pela Universidade de Navarra, Espanha, em parceria com a Fundação Telefônica, destacou-se que 46% dos 4205 jovens brasileiros de 6 a 18 anos entrevistados reconhecem que os pais não perguntam sobre os sites que eles acessam e 60% dizem já terem encontrado com um amigo que conheceram na web. A pesquisa foi divulgada no último dia 9, pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O computador já se tornou um aparelho incorporado ao quarto das crianças e adolescentes. Ficar até tarde em frente à máquina e ter a possibilidade de acessar a internet enquanto os pais dormem é uma realidade que afasta cada vez mais o jovem internauta da supervisão dos pais. Dentre os outros seis países analisados na pesquisa(Argentina, Venezuela, Chile, Peru, Colômbia e México), o Brasil foi o campeão na taxa de jovens que têm computador no quarto. Aqui, 44% dos jovens entrevistados dormem no mesmo cômodo em que o computador está instalado.

O quarto da adolescente Marina Barbosa, 13 anos, está nos moldes da decoração informatizada desde que a estudante completou 10 anos. “Foi no meu aniversário. Ganhei o computador e ele já foi para o meu quarto, sem dúvidas, o melhor presente que eu já ganhei”. Os pais, que optaram pelo presente depois das aulas de informática que a filha recebeu na escola, se surpreenderam com o tempo que a menina passou a dedicar ao micro. “No início achavamos que o interesse era por conta da novidade, mas o tempo passou e o número de horas em frente ao computador só aumentou”, afirmou José Barbosa, pai de Marina. José e Monica, pais de Marina, passam a maior parte do dia fora de casa por conta do trabalho em Santo André. Enquanto os pais trabalham, a jovem garante que o computador faz com que o dia passe mais rápido em São Bernardo, onde a família mora. “Chego da escola às 13h e logo depois do almoço já vou para a internet. Só saio de lá quando meus pais chegam para o jantar. O dia passa muito rápido, faço pesquisas para a escola, falo com meus amigos, conheço pessoas novas, me divirto”. Os pais da menina, que não sabem usar o computador, confiam no instrumento de informação e diversão da filha. “Ela gosta e eu não vejo problema. Ela sabe que não deve se arriscar. Não fico controlando o que ela vê ou não”, afirmou a auxiliar administrativa Monica.

A facilidade de se descobrir dados pessoais facilmente disponibilizados em sites de relacionamento unida à inocência da criança deixa a professora Adriana Tinonin com medo dos possíveis perigos oferecidos pela web. Mãe de Rafael, 10 anos, que utiliza o computador desde os dois, Adriana vai contra o dados da pesquisa e está sempre por perto do filho durante o uso da internet. “Ele pode usar quase tudo que a internet tem, mas com segurança. No site de relacionamentos, orkut, por exemplo, só permito que ele use com o meu e-mail e senha para que eu sempre possa entrar e ver com quem e o que ele fala”, defendeu.

Rafael que aprendeu a escrever digitando as primeiras letras no teclado de um computador confia na proteção da mãe. “Eu gosto que ela me oriente e me ajude. Eu sou criança e ainda não sei ver a maldade dos outros. Não me sinto viagiado. Me sinto protegido”, afirmou o garoto.

A professora garante que a internet assim como facilita pode causar sérios problemas. “Meu maior medo é a pedofilia. Nunca deixo o Rafael passar endereço ou marcar encontros com alguém. Ele só fala com conhecidos. Tento também orientar meus alunos”, defendeu a professora.

Outros seis países fizeram parte da pesquisa e um total de 25 mil jovens da Argentina, Chile, Peru, Colômbia, México, Venezuela e Brasil foram entrevistados entre outubro de 2007 e junho de 2008. No Brasil, o estudo foi centralizado em São Paulo, onde a empresa de telefonia está mais presente.

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