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Lateral da Rússia deixou São Caetano para brilhar na Copa

por ariel.silva1 última modificação 05/09/2018 11h54
Mario Fernandes é atleta do CSKA Moscou e tem passaporte russo desde 2016

Publicado em 05/09/2018 11h54

Última atualização em 05/09/2018 11h54

Lateral da Rússia  deixou São Caetano  para brilhar na Copa
Mário Fernandes atuou pela Seleção Brasileira antes de optar pela Rússia. Acima, jogador em treino do São Caetano - Foto: Divulgação/CBF

NELSON COLTRO
Especial para o Rudge Ramos Jornal*

Ídolo do futebol russo, um dos melhores laterais da Copa do Mundo recém disputada em solo europeu e polêmico por ter recusado defender a Seleção Brasileira em 2011. Esse é Mário Fernandes, atleta do CSKA Moscou, da Rússia, que saiu de São Caetano para brilhar no futebol. 

Fernandes foi criado na cidade do ABC. Quando nasceu, em 1990, a Rússia, seu atual país, ainda era União Soviética. Começou brincando em um campinho em uma rua qualquer da cidade, onde jogava futebol por diversão com seus irmãos e amigos do bairro.

“Comecei na escolinha de futebol do bairro Santa Maria, com o professor Dirceu, e também na quadrinha que existia ali na rua Rio de Janeiro. Sempre ia jogar com meu irmão e amigos”, conta ele.

No futsal foram seus primeiros passos dentro de um ambiente competitivo no futebol. Por lá, fez amigos que leva até hoje e que ainda visita quando vem ao Brasil, em todos os anos, passar férias em São Caetano. 

“Conheci o Mário no Clube Águias de Nova Gerty, em 2004. Ele ainda jogava futsal, enquanto eu já atuava no campo, mas logo em seguida ele veio jogar comigo. Nós brincávamos muito nos recreativos, treinos e viagens. Logo a parceria virou amizade e hoje nos falamos todos os dias”, conta Marcel Rodrigues Barbosa que, ao contrário do amigo, acabou não vingando no esporte e hoje é publicitário.

Tímido, Fernandes já levou até puxão de orelha de seu técnico na Rússia, Stanislav Cherchesov, durante coletiva na última Copa do Mundo. Esse lado tímido também foi evidenciado por Barbosa, que descreveu o atual craque como desatento na adolescência. “Apesar de às vezes meio avoado, o Mário sempre foi diferente. Era muito acima da média”, conta o amigo. 

Apesar da carreira bem sucedida e boa passagem pelas categorias de base do São Caetano, Fernandes relembra os momentos difíceis vividos na cidade do ABC, antes de despontar para o mundo. “Vim de uma família muito humilde e às vezes nos faltava até o que comer, era difícil”, relembra. “Tudo que passei por mais difícil que tenha sido a minha infância ali, me fez crescer e evoluir como pessoa e profissional. Ali é onde me sinto em casa, por isso que nas férias vou para São Caetano ao invés de viajar para qualquer outro lugar”, diz.

“Não” ao Brasil

Após impressionar nas categorias de base do São Caetano, Fernandes assinou com o Grêmio, em janeiro de 2009, a princípio para defender a equipe sub-20. Daí em diante, o sucesso veio rápido para o jogador. 

Dois anos depois, ocorreu o episódio mais contraditório da carreira do atleta. Após ser convocado pela Seleção Brasileira para o Superclássico das Américas, em 2011, Fernandes recusou o chamado, contrariando o sonho de muitos jovens no país.

Na época, a assessoria do jogador alegou que o atleta não se apresentou por problemas pessoais. Mano Menezes, então técnico do Brasil, disse que seria difícil Fernandes voltar ao time sob seu comando. E foi. Fernandes voltou à seleção apenas três anos depois, já com Dunga como técnico, quando já vestia a camisa do CSKA Moscou. Ele participou da vitória brasileira por 4 a 0 diante do Japão.

Como a Fifa considera apenas jogos oficiais como empecilhos para atletas “trocarem” de seleção, Fernandes, que só havia atuado em amistosos pelo Brasil, tinha caminho aberto para defender a seleção do país onde era ídolo. Os títulos e boas atuações com a camisa do CSKA levaram o brasileiro a tirar o passaporte russo em 2016. Pouco tempo depois, veio a primeira convocação e, consequentemente, o chamado para disputar o Mundial no país, em 2018.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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