Esportes para pessoas com deficiência

Dia 21 de setembro é o Dia da Luta Nacional das Pessoas com Deficiência. E com o término das Paraolimpíadas, nesta quarta, (17) a prática de esportes por pessoas com deficiência ganha as manchetes no mundo inteiro.

Publicado em 19/09/2008 08:20
Última atualização às 08:20

Esportes para pessoas com deficiência

A prática de esportes também auxilia na inclusão social das pessoas com deficiência -Foto: divulgação

ANDRÉ BATTISTINI
do Rudge Ramos Jornal

Dia 21 de setembro é o Dia da Luta Nacional das Pessoas com Deficiência. E com o término das Paraolimpíadas, nesta quarta, (17) a prática de esportes por pessoas com deficiência ganha as manchetes no mundo inteiro. No ABC há projetos ligados a esse tema, como o “Projeto Vida”, da Universidade Metodista, do “Programa de Educação Física Adaptada” (Pefa) realizado pela APOLO (Associação das Indústrias do Pólo Petroquímico do Grande ABC) em Santo André, do projeto de natação em São Caetano e de outros projetos realizados por prefeituras e institutos.

Quem atua na área avalia que faltam espaços e programas para pessoas com deficiência, mas isso vem melhorando nos últimos anos. “A sociedade precisa olhar mais para as pessoas com deficiência. Mas cabe a estes aparecer mais para a sociedade, freqüentando os locais públicos para que aos poucos consigam aumentar seus direitos”, disse Ivan Teixeira, coordenador do Pefa.

O projeto, que é realizado junto à Prefeitura de Santo André, tem atualmente 240 alunos e cerca de 600 pessoas na fila de espera para os cursos. Além da prática esportiva, o Pefa realiza eventos de convívio social, como visitas ao parques da cidade, como por exemplo, o Festival de Pipas que aconteceu em agosto no Parque Central.

Já em São Bernardo, a prefeitura oferece a prática de esportes para pessoas com deficiência no Centro Recreativo Esportivo Especial Luis Bonício (Creeba), com aulas de basquete, golbol e futsal visual e auditivo. Além disso, o aquacentro do Bairro Assunção passou recentemente por reformas e está com inscrições abertas a moradores do município para aulas de natação. As inscrições podem ser feitas no Centro de Referência da Pessoa com Deficiência (Avenida Redenção, 271, Centro, Tel. 4126-3700)

Em São Caetano o Complexo Esportivo Lauro Gomes oferece aulas de natação para pessoas com deficiência. O projeto conta, atualmente, com três atletas e cinco alunos que têm aulas com professores capacitados a atender deficientes.
Tuca Munhos, coordenador do Instituto MID para a Participação Social das Pessoas com Deficiência, e militante há três décadas dos direitos das pessoas com deficiência, acredita que são muitos os direitos que os deficientes precisam conquistar, principalmente o decreto 5.296, mais conhecido como “Lei de Acessibilidade”, que, segundo ele, é uma obrigação dos municípios que não vem sendo cumprida. “Os serviços públicos para as pessoas com deficiência são escassos, assim como as oportunidades e espaços para a realização de esportes. São direitos que têm que ser oferecidos à população”.

A falta de investimentos é vista também como uma das principais carências para a continuidade de projetos como esses. Outro problema encontrado pelas pessoas com deficiência é a dificuldade no transporte aos locais de prática esportiva, problemas principalmente dos cadeirantes que, muitas vezes, não encontram transporte público adaptado. Franleide Aguiar Nogueira, 26, cadeirante que entrou em agosto no Projeto Vida comenta: “Falta melhorar muito, principalmente na parte de ônibus interurbanos porque são poucos e poucas as linhas que são adaptadas.”

Benefícios - A pessoa com deficiência quando começa a praticar esporte acaba tendo uma série de benefícios. Elisabeth Fernandes, psicóloga da ADD (Associação Desportiva para Deficientes) instituto que funciona desde 1996 em São Paulo, e que hoje conta com cerca de 300 alunos. “O esporte é um meio de inclusão social que trabalha valores com autoconfiança, auto-estima, independência e autonomia, fundamentais para as pessoas com deficiência. Quando ela pratica esportes percebe que pode realizar também outras atividades, como os estudos, e ir para o mercado de trabalho”.

Stefano Taine de Carvalho, 17, é portador de Síndrome de Down e há cerca de quatro anos freqüenta o Projeto Vida. “Desde os 3 anos ele prática atividades físicas. Para meu filho o esporte foi fundamental pois ajudou no desenvolvimento psicológico, fisioterapêutico e na parte motora, além de ajudar na interação com outras pessoas”, disse Renata Taine, mãe de Stefano.

Ivan Teixeira, do Pefa, ressaltou os ganhos no convívio social.  “O esporte está muito relacionado ao prazer. Então, quando você motiva essa pessoa com deficiência a fazer atividades esportivas, ela acaba tendo mais ânimo para se relacionar com as pessoas e até com sua família”.

Ações do documento
registrado em: ,