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Licença-paternidade passa a valer por 20 dias

por erika.motoda última modificação 31/08/2017 11h40
Benefício é válido para empresas cadastradas no Empresa Cidadã ou para quem é servidor público federal

Publicado em 31/08/2017 09h12

Última atualização em 31/08/2017 11h40

Licença-paternidade passa a valer por 20 dias
Licença paternidade vale também para pais que adotarem crianças de até 12 anos - Foto: Lívia Biazi/RRJ

LÍVIA BIAZI
Especial para o Rudge Ramos Jornal*

Em janeiro deste ano, começou a valer a lei que estabelece a licença-paternidade por 20 dias. Mas o benefício só vale para pais que trabalham em empresas cadastradas no programa Empresa-Cidadã ou para quem é servidor público federal.

A licença é válida também para os pais que adotarem crianças de até 12 anos de idade. No entanto, os beneficiários não podem realizar atividades remuneradas durante o período de afastamento e devem solicitar um requerimento à empresa, com no mínimo dois dias de antecedência para obter o benefício.

Quem vai se aproveitar da nova lei é o técnico químico de São Paulo Nilton Ricardo Rodrigues, 34. Pai do pequeno Arthur, de um ano e nove meses, Rodrigues aguarda a chegada dos gêmeos Gael e Heitor, que está prevista para junho.

Funcionário da Sabesp, Rodrigues conta que já está com a licença programada para 20 dias. “Tinha planejado as minhas férias para junho, mas depois do benefício estendido, não sei se irei juntar a licença com as férias”, afirmou.

Rodrigues conta que, quando o Arthur nasceu, teve apenas cinco dias de licença-paternidade. Mas para eles, o tempo foi pouco. A mãe ainda precisava de auxílio para cuidar do bebê recém-nascido.

Antes, o prazo de licença era de cinco dias. Thiago Andreosa, 32, operador de máquina, que mora em Mauá, queria ter aproveitado mais os filhos quando eles nasceram. Pai da Hadassa, 6, e Benjamin, de nove meses, ele considera que, na época, esse “tempo foi muito curto”.

Andreosa afirma que, por três dias, ficou no hospital. Nos outros dois, passou em casa tentando “se adaptar aos bebês”. Mas não conseguiu, principalmente quando sua primeira filha nasceu. “Fiquei perdido! Não me programei. São tantas responsabilidades e pouco tempo para administrá-las.”

Já no segundo filho, fez diferente. Mas ainda assim os dias não foram suficientes para cuidar da mulher, se dedicar ao bebê, dar atenção à filha e realizar os afazeres domésticos. “O primeiro mês foi uma correria, sem tempo para ajudar. Os cinco dias não serviram para praticamente nada.”

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Trabalho para dois

Quem teve mais sorte no número de dias foi Felipe Sanches, 28, moradora de São Bernardo. Ele é operador de produção da Basf Brasil, empresa química que é cadastrada no programa e adotou a ampliação da licença de 10 para 20 dias para os pais. Quando ele soube da nova política, sua mulher já estava no oitavo mês de gestação do segundo filho. Ele teve direito ao benefício.

Contemplado com dez dias, Sanches afirma que a empresa é quem escolhe o período de afastamento e, mesmo não recebendo o tempo máximo, se sentiu aliviado com a licença estendida. “Estar mais tempo em casa me permitiu cuidar melhor deles, dando a atenção e o carinho que eles precisavam.”

Outra vantagem da licença mais longa, segundo Sanches, é poder dividir as tarefas com a mulher, como dar assistência na recuperação, cuidar do filho mais velho, organizar a casa e receber melhor as visitas, que, de acordo com ele, “não são poucas”.

Para Sanches, os dias a mais representam também um fortalecimento no vínculo afetivo entre o pai e o recém-nascido. Ele conta que nos primeiros dias os laços de amor se formam: “Tudo começa pelo afeto e as expressões de carinho”. Segundo ele, esse processo ocorre de forma gradual, “em casa, junto à família”.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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